Trump anuncia tarifa de 25% sobre o Japão e a Coreia do Sul

CNN , Elisabeth Buchwald
7 jul 2025, 17:43
Donald Trump Presidente EUA (Alex Brandon/AP)

Donald Trump aumentou a pressão sobre dois dos parceiros comerciais dos Estados Unidos da América, o Japão e a Coreia do Sul, ao enviar cartas esta segunda-feira aos líderes desses países informando-os sobre a nova tarifa aduaneira que será aplicada.

Segundo Trump, ambos os países enfrentarão uma tarifa de 25% a partir de 1 de agosto. O anúncio foi feito em publicações na plataforma Truth Social, onde Trump divulgou o conteúdo das cartas, indicando que os países ainda têm algum tempo para negociar acordos antes da entrada em vigor das tarifas.

E mais medidas poderão estar a caminho: Trump deverá anunciar “cerca de 12 destas cartas” ainda esta segunda-feira, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos jornalistas numa conferência de imprensa. As cartas serão reveladas através de publicações nas redes sociais por parte do presidente, acrescentou, recusando, no entanto, antecipar que países serão mencionados.

Nas duas cartas quase idênticas divulgadas até agora, Trump afirma ter especial preocupação com os défices comerciais que os EUA mantêm com o Japão e a Coreia do Sul, ou seja, os EUA compram mais bens a esses países do que aqueles que as empresas norte-americanas exportam para lá. Trump justificou ainda as tarifas com políticas que, no seu entender, dificultam a venda de produtos americanos no estrangeiro.

“Compreendam, por favor, que os 25% estão muito abaixo do necessário para eliminar a disparidade do Défice Comercial que temos com o vosso país”, escreveu Trump em ambas as cartas.

O presidente norte-americano incentivou ambos os países a produzirem bens nos EUA para evitarem as tarifas.

Esta decisão surge antes do prazo inicial de Trump, às 00h01 (hora local) de 9 de julho, para que os países fechem acordos ou enfrentem tarifas mais elevadas. Essa data marcaria o fim da pausa nos impostos "recíprocos", introduzidos temporariamente em abril. Desde então, os países afetados enfrentavam um mínimo de 10% em tarifas.

No entanto, Karoline Leavitt afirmou que Trump assinará uma ordem executiva esta segunda-feira para adiar esse prazo para agosto, algo que será “do interesse do povo americano.” Acrescentou ainda que o telefone de Trump “não para de tocar com líderes mundiais a implorar por um acordo.” Contudo, apenas três acordos foram anunciados nos últimos três meses.

Coreia do Sul e Japão avisados

“Não haverá qualquer tarifa” se a Coreia do Sul, o Japão ou “empresas no vosso país decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos e, de facto, faremos tudo ao nosso alcance para obter aprovações de forma rápida, profissional e rotineira – ou seja, em poucas semanas”, escreveu Trump nas cartas.

O antigo presidente ameaçou ainda aumentar as tarifas para além dos 25% caso a Coreia do Sul ou o Japão retaliem com tarifas sobre produtos americanos.

O Japão e a Coreia do Sul são, respetivamente, o sexto e o sétimo maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos. No ano passado, ambos enviaram um total combinado de 280 mil milhões de dólares em bens para os EUA, segundo dados do Departamento do Comércio dos EUA. Em contrapartida, compraram apenas 145 mil milhões de dólares em produtos norte-americanos.

A perspetiva de tarifas mais elevadas sobre os produtos destes dois países poderá traduzir-se num aumento dos preços para os consumidores americanos. Entre os principais bens importados dos dois países estão automóveis, peças automóveis, semicondutores, produtos farmacêuticos e maquinaria. Trump já impôs ou ameaçou impor tarifas específicas para muitos destes setores.

“Se, por qualquer motivo, decidirem aumentar as vossas tarifas, então, seja qual for o valor escolhido, será somado aos 25% que cobramos,” acrescentou o presidente.

Em abril, o Japão estava prestes a enfrentar uma tarifa de 24%, enquanto a Coreia do Sul enfrentaria 25%. Trump afirmou que estas tarifas seriam “separadas de todas as Tarifas Sectoriais”, o que significa que, por exemplo, a nova tarifa não será acumulada com a tarifa automóvel atual de 25%, confirmou a Casa Branca. O mesmo se aplicará a quaisquer futuras tarifas setoriais, disse um responsável da Casa Branca.

Mercados afundam

Apesar disso, as ações de empresas do setor automóvel com grande presença industrial no Japão e na Coreia do Sul caíram acentuadamente. Por exemplo, as ações da Nissan Motors listadas nos EUA caíram mais de 7%, enquanto as da Toyota e da Honda recuaram 4%.

Essas quedas poderão refletir a maior probabilidade de Trump vir a aumentar tarifas sobre automóveis provenientes dos dois países caso estes retaliem contra a tarifa geral de 25% com tarifas mais altas sobre produtos americanos.

“Estas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo da nossa relação com o vosso país. Nunca ficarão desapontados com os Estados Unidos da América”, concluiu Trump nas cartas antes de assinar.

As ações nos EUA, que já estavam em queda, afundaram ainda mais após o anúncio de Trump. O índice Dow caiu até 530 pontos, ou 1,2%. O S&P 500 desceu 0,87% e o Nasdaq perdeu 0,9%.

E.U.A.

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