Trump: "A Operação Fúria Épica é uma das mais impressionantes alguma vez realizadas". E: "Adoro o nome, ainda mais do que Martelo da Meia-Noite"

CNN Portugal , MJC
9 mar, 23:34
Donald Trump (AP)

Por outro lado: "A guerra terminará em breve" mas não diz quando. "Tudo o que o Irão tinha desapareceu"

O presidente norte-americano Donald Trump tem a certeza absoluta de que se os EUA não tivessem atacado o Irão, então o Irão teria atacado os EUA "numa semana". Essa foi a principal razão para a operação Fúria Épica, disse o presidente aos republicanos reunidos na Câmara da Florida e voltou a dizê-lo, pouco depois, numa conferência de imprensa: "Vou dar a melhor razão de todas. Numa semana ter-nos-iam atacado a 100%. Eles estavam prontos. Tinham todos estes mísseis, muito mais do que qualquer um imaginava, e iriam atacar-nos. Iriam atacar todo o Médio Oriente e Israel, e se tivessem uma arma nuclear, tê-la-iam usado contra Israel e este seria um grande ataque. Seria um ataque de grande escala".

“O Irão é um país muito poderoso. Eles iriam dominar o Médio Oriente. Se não os atacássemos, eles dominariam o Médio Oriente", repetiu. "Israel seria dizimado."

Trump diz que a operação no Irão está a correr bem para os EUA: "O nosso país está a sair-se muito bem. A um nível que ninguém imaginava. Fizemos uma pequena excursão porque sentimos que precisávamos de o fazer para nos livrarmos de um mal. Penso que vão ver que será uma excursão de curta duração", prometeu. "Já ganhámos de muitas maneiras, mas ainda não o suficiente. Seguimos em frente, mais determinados do que nunca a alcançar a vitória final, que acabará com este perigo de longa data de uma vez por todas."

Trump garante que o Irão já perdeu grande parte da sua capacidade militar. "Os mísseis foram amplamente destruídos. Os drones foram abatidos e estamos a atacar as fábricas onde fabricam os drones", diz Trump. "Sabemos tudo sobre eles e estamos a destruir tudo." Nas palavras do presidente, a capacidade míssil do Irão está reduzida a 10%, talvez menos.

"Só hoje atingimos mais de 50 alvos, alguns deles muito importantes. Ainda temos alvos importantes por atingir - como por exemplo estações de eletricidades -, que deixámos para mais tarde, são alvos que podem ser facilmente atacados. Por isso, vamos ver como corre. Podemos fazê-los desaparecer num dia."

O presidente dos EUA garante que a guerra "terminará muito rapidamente", sublinhando que a operação está a desenrolar-se muito mais depressa do que estava previsto. "Não imaginávamos que estaríamos aqui passado um mês", diz, 10 dias depois de os EUA e Israel terem iniciado os ataques ao Irão.

"Penso que terminará em breve. Tudo o que o Irão tinha desapareceu, incluindo a sua liderança."

Trump afirma que a Operação Fúria Épica é "uma das operações mais complexas e impressionantes alguma vez realizadas" e que adora o nome, “ainda mais do que Martelo da Meia-Noite", quando eliminámos o potencial nuclear [do Irão]”. "Esse foi um grande dia porque, se não o tivéssemos feito, eles teriam uma arma nuclear dentro de duas semanas e acho que estaríamos numa situação muito diferente."

Mas a verdade, diz, é que mesmo depois de os EUA terem atacado instalações nucleares iranianas no verão passado, o Irão tinha planos para construir armas nucleares e por isso o país não estava a negociar de boa-fé o fim do seu programa nuclear. Em vez disso, o Irão "estava a tentar reconstituir o seu programa de armamento num local diferente".

"Iniciaram o processo enquanto construíam rapidamente mísseis balísticos convencionais que ameaçavam as nossas bases no estrangeiro e que em breve podiam atingir o nosso território." "A intenção do regime era usar esta ameaça crescente de mísseis balísticos para tornar praticamente impossível impedi-los de obter uma arma nuclear", afirma Trump.

O Irão "foi sempre uma nuvem negra a pairar, não apenas sobre Israel" mas sobre toda a região. Por isso, os EUA tinham de agir. "Juntamente com os nossos parceiros israelitas, estamos a esmagar o inimigo e a demonstrar uma capacidade técnica e uma força militar impressionantes. Não vamos abrandar até que o inimigo esteja totalmente e definitivamente derrotado.”

“O nosso país está a ganhar outra vez e é respeitado outra vez. O mundo respeita-nos agora mais do que alguma vez nos respeitou”, diz Trump, elogiando as forças armadas dos EUA como sendo “um exército como nenhum outro”.

Trump ficou desiludido com a escolha do novo líder do Irão

O presidente Donald Trump disse estar "desiludido" com a nomeação de Mojtaba Khamenei, filho do ayatollah Ali Khamenei, como o próximo líder supremo do Irão porque, acredita, "isto só vai gerar mais problemas para o país". "Por isso, fiquei desapontado com a escolha deles", disse Trump aos jornalistas em Doral, na Florida.

Questionado sobre se Mojtaba Khamenei era um alvo, Trump respondeu que não queria fazer comentários. "Isso seria inapropriado. Mas atenção, eu também já fui alvo", disse Trump, referindo-se às tentativas de assassínio que sofreu.

Ainda assim, Trump insistiu que os EUA devem participar na escolha do próximo líder do Irão. "Queremos participar." E acrescentou: "Acreditamos que deviam colocar um presidente, ou o chefe de Estado, que seja capaz de fazer algo de forma pacífica, para variar."

Trump quer "suspender certas sanções relacionadas com o petróleo"

O presidente revelou também que a sua administração irá "suspender certas sanções relacionadas com o petróleo para reduzir os preços". Esta medida surge numa altura em que os preços do petróleo dispararam, levando a um aumento do preço dos combustíveis um pouco por todo o mundo.

Trump não especificou que sanções seriam levantadas, dizendo apenas: "Temos sanções contra alguns países. Vamos levantar essas sanções até que a situação se resolva".

O Irão e a Rússia estão entre os países mais fortemente sancionados, ambos ricos em petróleo. Recentemente, Trump concedeu à Índia uma isenção para importar mais petróleo da Rússia, depois de os EUA e a Índia terem assinado um acordo comercial que dependia de a Índia interromper as compras de petróleo daquele país.

Putin quer ajudar no Médio Oriente, mas "se resolvesse a guerra na Ucrânia isso seria mais útil"

Respondendo às perguntas dos jornalistas, Trump revelou  alguns detalhes sobre a sua conversa telefónica com o presidente russo, Vladimir Putin, esta segunda-feira: "Estávamos a falar sobre a Ucrânia, que é um conflito sem fim", disse. "Há um ódio enorme entre o presidente Putin e o presidente Zelensky, parecem não se conseguir entender. Mas acho que foi uma conversa positiva sobre este assunto."

Acrescentou que também falaram sobre o Médio Oriente e que Putin "quer ajudar". "Eu disse: 'O senhor podia ajudar mais se resolvesse a guerra na Ucrânia. Isso seria mais útil'. Mas tivemos uma conversa muito boa".

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