Ministro britânico apoia BBC e pede firmeza face a processo de Trump

16 dez 2025, 08:05
Donald Trump (MANDEL NGAN/AFP via Getty Images)

Presidente norte-americano pede indemnização 10 mil milhões de dólares à BBC

O secretário de Estado da Saúde do Governo britânico considerou que a BBC está correta ao manter uma posição firme perante o processo por difamação interposto por Donald Trump contra a estação pública, avança a Reuters.

O Presidente norte-americano exige uma indemnização de 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões de euros) da BBC, num processo contra a estação pública britânica, que acusa de difamação por uma edição de vídeo enganadora.

A BBC já pediu desculpa pela edição do conteúdo e reconheceu um erro de julgamento, mas sustenta que não existe fundamento legal para as acusações apresentadas por Trump, garantindo que irá defender a sua posição em tribunal.

“Pediram desculpa por um ou dois dos erros cometidos no programa Panorama, mas também foram muito claros quanto ao facto de não haver caso para responder em termos das acusações do Sr. Trump sobre a questão mais ampla da calúnia ou difamação. Por isso, penso que é correto que a BBC se mantenha firme nesse ponto”, afirmou o ministro júnior da Saúde, Stephen Kinnock, à Sky News.

O grupo audiovisual britânico, cuja audiência e reputação ultrapassam as fronteiras do Reino Unido, está em turbulência desde as revelações sobre um programa de informação de referência "Panorama", que colocou no ar, pouco antes das eleições presidenciais norte-americanas de 2024, excertos separados de um discurso de Donald Trump de 06 de janeiro de 2021, montados de tal forma que o líder republicano parece exortar explicitamente os seus apoiantes a atacarem o Capitólio em Washington.

O caso levou à demissão do diretor-geral, Tim Davie, e da chefe de informação, Deborah Turness.

O presidente da BBC, Samir Shah, enviou uma carta com um pedido de desculpa a Donald Trump, mas não conseguiu demovê-lo da queixa-crime. Por outro lado, e não obstante o pedido de desculpa, Shah rejeitou as acusações do Presidente norte-americano e disse estar determinado a contestar qualquer queixa por difamação.

"Quero ser muito claro, a nossa posição não mudou. Não há base legal para uma ação por difamação e estamos determinados a contestá-la", escreveu Samir Shah numa mensagem enviada aos funcionários da BBC em novembro.

A queixa de Donald Trump considera que, apesar das desculpas, a BBC "não demonstrou verdadeiro remorso pelos seus atos nem empreendeu reformas institucionais significativas para impedir futuros abusos jornalísticos".

Também em novembro, uma comissão do Parlamento britânico divulgou que a BBC perdeu mais de 1,1 mil milhões de libras (1,47 mil milhões de euros) em receitas só no ano fiscal de 2024-25, devido a fraudes nas taxas de licenciamento e queda das audiências.

A dimensão do défice na cobrança da taxa de licenciamento, da qual a BBC obtém 65% das suas receitas, surge no meio de um clima tenso.

Atualmente, o valor anual pago por cada contribuinte britânico pela operação da BBC ascende a 174,50 libras (quase 200 euros), de uma receita total que atingiu 3,8 mil milhões de libras (4,2 mil milhões de euros) no último ano fiscal (01 de abril de 2024 a 31 de março de 2025).

Este valor terá de ser renegociado até ao final de 2027, no âmbito da renovação do contrato de dez anos da BBC com o Governo britânico.

O chefe de Estado norte-americano apresentou ou ameaçou apresentar queixas contra vários grupos de comunicação social nos Estados Unidos, alguns dos quais pagaram somas avultadas para pôr fim aos processos judiciais.

Desde o regresso ao poder, Trump trouxe para a Casa Branca muitos criadores de conteúdos e influenciadores que lhe são favoráveis, ao mesmo tempo que multiplicou insultos contra jornalistas de vários órgãos de comunicação tradicionais.

Um dos recém-chegados à Casa Branca convidados pela Administração Trump é o canal conservador britânico GB News, próximo do líder do partido anti-imigração Reform UK, Nigel Farage.

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