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EUA vão retirar 5.000 soldados da Alemanha ao longo do próximo ano. "Nós, europeus, devemos assumir uma maior responsabilidade pela nossa segurança", responde Pistorius

CNN Portugal , MJC - notícia atualizada às 10:25
2 mai, 08:46
Tropas americanas (GettyImages)

O anúncio surge na sequência das declarações de chanceler alemão, Friedrich Merz, que disse que os EUA estavam a ser “humilhados” pelo Irão. Na reação, o ministro da Defesa alemão considerou a ação "previsível" e afirma que o país irá trabalhar com outros aliados. "Este ajustamento sublinha a necessidade de a Europa continuar a investir mais na defesa", diz a NATO

O Departamento de Defesa dos EUA planeia retirar 5.000 soldados da Alemanha ao longo do próximo ano. “Esta decisão segue-se a uma revisão completa da presença militar do Departamento na Europa e tem em conta as necessidades e condições no terreno", afirmou em comunicado, na sexta-feira, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse que a ordem partiu do secretário da Defesa, Pete Hegseth. "Esperamos que a retirada esteja concluída nos próximos seis a doze meses".

A Alemanha reagiu esta manhã a este anúncio. O ministro alemão da Defesa afirmou que "a presença de soldados americanos na Europa, e especialmente na Alemanha, é do nosso interesse e do interesse dos EUA", mas não se mostrou supreendido com o anúncio: "Era previsível que os EUA retirem tropas da Europa, incluindo a Alemanha."

"Nós, europeus, devemos assumir uma maior responsabilidade pela nossa segurança", disse Boris Pistorius, citado pela Reuters. "A Alemanha está no bom caminho"disse Pistorius, referindo-se à expansão das suas forças armadas, a Bundeswehr, à aquisição mais rápida e em maior escala de equipamentos e à construção de infraestruturas. "Para todas as missões futuras, iremos coordenar-nos estreitamente com os nossos aliados, por exemplo, dentro do Grupo dos Cinco, que é composto pela Grã-Bretanha, França, Polónia e Itália", afirmou.

Por outro lado, a NATO diz que está a trabalhar com os Estados Unidos para compreender os detalhes da decisão norte-americana de reduzir, de forma planeada, o número de tropas norte-americanas na Alemanha, disse a porta-voz da NATO, Allison Hart, este sábado.

"Estamos a trabalhar com os EUA para compreender os detalhes da sua decisão sobre o posicionamento das forças na Alemanha. Este ajustamento sublinha a necessidade de a Europa continuar a investir mais na defesa e assumir uma maior quota-parte da responsabilidade pela nossa segurança partilhada - uma área na qual já estamos a registar progressos desde que os aliados concordaram em investir 5% do PIB na Cimeira da NATO em Haia, no ano passado", escreveu Hart no X. "Continuamos confiantes na nossa capacidade de garantir a nossa dissuasão e defesa, à medida que esta transição para uma Europa mais forte numa NATO mais forte prossegue", acrescentou.

We are working with the U.S. to understand the details of their decision on force posture in Germany. This adjustment underscores the need for Europe to continue to invest more in defence and take on a greater share of the responsibility for our shared security - where we’re…

— NATO Spokesperson (@NATOpress) May 2, 2026

Trump já tinha anunciado os cortes, depois de chanceler alemão, Friedrich Merz, ter dito que os EUA estavam a ser “humilhados” pelo Irão.

Durante a sua visita a uma escola no centro da Alemanha, no início da semana, Merz acusou as autoridades norte-americanas de entrarem numa guerra sem uma estratégia clara, afirmando que “todo o sucedido é, no mínimo, mal pensado”. “Os iranianos são obviamente muito hábeis a negociar, ou melhor, muito hábeis a não negociar, deixando os americanos irem a Islamabad e depois partirem sem qualquer resultado”, disse Merz. “Uma nação inteira está a ser humilhada pela liderança iraniana, especialmente por esta tal Guarda Revolucionária. E, por isso, espero que isto termine o mais rapidamente possível.”

Na resposta, Trump disse que Merz “não sabe do que está a falar” sobre o Irão e, no dia seguinte, anunciou que os EUA estavam a “estudar e a rever” uma possível redução de tropas.  "Os Estados Unidos estão a estudar e a analisar a possível redução das tropas na Alemanha, devendo ser tomada uma decisão nos próximos dias", escreveu o presidente americano na plataforma Truth Social na quarta-feira à noite. Na quinta-feira, alargou a sua ameaça à Itália e à Espanha.

"Quero dizer, eles não têm estado propriamente a bordo", respondeu Trump, quando questionado por jornalistas sobre a possibilidade de cortes no número de tropas nos dois países. "Sim, provavelmente fá-lo-ei», acrescentou Trump, "Porque não haveria de fazê-lo? A Itália não tem ajudado em nada. A Espanha tem sido absolutamente horrível. Sem dúvida."

Os EUA têm uma presença militar significativa na Alemanha, com mais de 36.000 militares no ativo alocados a bases por todo o país em dezembro passado.

Trump, um crítico de longa data da aliança da NATO, tem atacado os aliados pela sua recusa em participar nas operações para reabrir o Estreito de Ormuz.

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