O presidente dos EUA reagiu com desagrado ao ataque israelita contra os subúrbios do sul de Beirute, ocorrido no dia em que celebrou o seu 80.º aniversário. Afirmou que a operação "não devia ter acontecido", numa altura em que os Estados Unidos asseguram estar muito próximos de alcançar um acordo com o Irão
Donald Trump esperava assinalar o seu 80.º aniversário com a perspetiva de um acordo histórico com o Irão praticamente concluído. Em vez disso, o presidente norte-americano viu o Médio Oriente voltar a mergulhar na tensão, após um ataque israelita aos subúrbios do sul de Beirute que ameaçou comprometer os delicados esforços diplomáticos em curso.
A reação de Trump não tardou. Numa mensagem publicada na rede social Truth Social, o presidente mostrou-se visivelmente desagradado com a operação israelita e lamentou que a escalada tenha ocorrido num momento que considerava decisivo para a paz regional.
"O ataque não devia ter acontecido, especialmente num dia tão especial em que estamos tão perto de um acordo de paz com o Irão", escreveu.
Trump aproveitou a mesma mensagem para apelar ao fim imediato das hostilidades, insistindo que Washington e Teerão estão "muito perto" de alcançar um entendimento.
"Não deve haver mais ataques por parte de Israel em qualquer parte do Líbano, mas também não deve haver mais ataques por parte de qualquer outra parte, incluindo o Hezbollah, contra Israel", afirmou.
O presidente norte-americano terminou com um aviso e um apelo à contenção: "Isto pode ser o início de uma paz longa e bela — não vamos estragar tudo."
Aniversário num "momento auspicioso"
A tensão surgiu precisamente no dia em que Benjamin Netanyahu lhe dirigiu uma mensagem pública de felicitações. O primeiro-ministro israelita afirmou que o aniversário de Trump ocorria "num momento auspicioso" e desejou-lhe "força e vigor contínuos na liderança da América rumo a um futuro brilhante de paz através da força".
Netanyahu acrescentou ainda que Israel e os Estados Unidos irão elevar a sua aliança "a patamares ainda mais elevados".
Contudo, poucas horas antes, o exército israelita tinha lançado ataques contra posições do Hezbollah nos subúrbios meridionais de Beirute, conhecidos como Dahiyeh, uma área considerada um dos principais bastiões do movimento apoiado pelo Irão.
Num comunicado conjunto, Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, justificaram a operação como uma resposta a disparos do Hezbollah contra território israelita.
A ofensiva levou as Forças de Defesa de Israel a reforçarem o estado de alerta. Após uma reunião com os principais comandantes militares, o chefe do Estado-Maior israelita, Eyal Zamir, afirmou que o exército acompanha "de perto os desenvolvimentos", mantendo um elevado nível de prontidão em todas as frentes.
"A realidade atual é sensível e complexa", declarou.
Segundo Zamir, "todo o exército israelita encontra-se determinado, alerta, preparado e a atuar com diferentes níveis de intensidade em todos os setores".
Embora tenha descrito o Líbano como o principal foco das operações, o responsável militar sublinhou que as forças israelitas estão preparadas para responder a eventuais desenvolvimentos noutros teatros de conflito.
Mais tarde, as IDF divulgaram um novo comunicado alertando para a possibilidade de ataques contra território israelita nas horas seguintes.
"As IDF mantêm-se em elevado estado de alerta e preparadas para uma série de cenários, tanto defensivos como ofensivos", indicou o exército, apelando à população para que permaneça vigilante e siga as orientações das autoridades.
Do lado iraniano, a resposta surgiu rapidamente. Mohammad Jafar Assadi, subcomandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, garantiu que os "crimes" cometidos por Israel nos subúrbios do sul de Beirute não ficarão sem resposta.
