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Trump prometeu 200 acordos até agora. Conseguiu três, e está perto de alcançar mais um

CNN , Phil Mattingly e David Goldman
12 jul 2025, 22:00
Um trabalhador regista bobinas de aço acabado na fábrica de aço da Thyssenkrupp. Sean Gallup/Getty Images

No final dos seus primeiros 100 dias no cargo, no final de abril, o presidente norte-americano Donald Trump fez uma declaração surpreendente sobre o progresso nas negociações de tarifas: afirmou ter concluído acordos comerciais com 200 países. Mais de dois meses depois, Trump anunciou apenas três desses acordos – com a China, o Reino Unido e o Vietname.

Então, o que aconteceu?

Esta quarta-feira assinala o dia que Trump tinha estabelecido, há três meses, como prazo para todos os países chegarem a um acordo ou enfrentarem tarifas “recíprocas” mais elevadas. Desde então, Trump reconheceu publicamente que suspender essas tarifas do “Dia da Libertação” até 9 de julho deixou tempo insuficiente para negociar com praticamente todos os países do mundo.

Trump esperava inicialmente concluir mais acordos comerciais até ao prazo desta quarta-feira, mas nas últimas semanas foi convencido de que alcançar esses acordos não seria tão rápido, segundo fontes próximas do assunto disseram à CNN. Por isso, a sua retórica pública mudou nas últimas semanas, passando a dizer que enviaria cartas com tarifas mais altas para os parceiros comerciais dos EUA, conseguindo assim mostrar resultados enquanto as negociações prosseguem.

Trump concordou então em adiar o prazo para 1 de agosto, dando mais tempo para negociações com países que estão próximos de fechar acordos – particularmente com a União Europeia, que está prestes a anunciar um acordo comercial com os Estados Unidos.

Progresso nas negociações com a UE

Negociadores comerciais da UE e dos EUA estão perto de alcançar um acordo de princípio que estabelecerá tarifas de 10% e definirá os parâmetros para discussões comerciais mais alargadas no futuro, segundo três responsáveis familiarizados com o processo.

O progresso nas negociações com a UE, em particular, foi um fator determinante na decisão de prolongar o prazo para além de 9 de julho. O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, apontou as conversações com a UE, bem como a perceção de que várias outras negociações importantes estavam na fase final, como razões para pedir mais tempo, segundo duas fontes próximas do assunto.

Trump ainda precisa de aprovar qualquer acordo final e as conversações continuam, mas os responsáveis indicaram que o acordo deverá ser anunciado antes do final da semana. Olof Gill, porta-voz comercial da Comissão Europeia, confirmou numa conferência de imprensa na quarta-feira que os negociadores europeus estão em discussões ativas com o Secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e com o Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, e que um acordo deverá ser anunciado nos próximos dias.

Este progresso marca uma viragem dramática face ao desdém prolongado e público de Trump pela UE, uma postura que foi pano de fundo para meses de discussões comerciais frustrantes e difíceis este ano.

Mas o tom de Trump – e, nos bastidores, o ritmo e o espírito das negociações – mudou drasticamente nas semanas desde que ameaçou impor tarifas de 50% à UE numa publicação nas redes sociais, no final de maio. Essa ameaça inesperada e dramática provocou uma resposta imediata da UE e deu início a um esforço urgente para alcançar algum tipo de acordo antes que as tarifas “recíprocas” de Trump entrassem em vigor.

Responsáveis europeus têm estado a informar os países-membros sobre o enquadramento e o processo negocial proposto, referiu um dos responsáveis da UE, acrescentando que, apesar dos interesses por vezes divergentes dos Estados-membros, o acordo foi apresentado como a melhor – e provavelmente única – forma de evitar uma escalada dramática das tarifas a partir de 1 de agosto.

Os negociadores de Trump mantiveram uma posição firme relativamente à tentativa da UE de obter isenções às tarifas setoriais já em vigor ou previstas, disseram os responsáveis. Por exemplo, uma das prioridades atuais é a tentativa de reduzir a tarifa de 25% de Trump sobre os automóveis, assim como o esforço para reduzir os impostos de 50% sobre o aço.

Os negociadores norte-americanos demonstraram alguma abertura para considerar reduções tarifárias em sectores-chave da UE, como aviões, bebidas alcoólicas e alguns produtos agrícolas. Mas será necessária a aprovação final de Trump, disseram as fontes.

Os responsáveis europeus comprometeram-se ainda a aumentar significativamente as compras de energia e bens do sector da defesa aos EUA.

Se não for alcançado um acordo, a UE prometeu aplicar contramedidas que visam exportações norte-americanas no valor de milhares de milhões de dólares para o bloco europeu.

Essas medidas retaliatórias estavam previstas para entrarem em vigor a 14 de julho. Ainda não está claro se a UE irá adiar essa data para acompanhar a extensão do prazo das tarifas “recíprocas” de Trump até 1 de agosto.

“Se não for alcançado um acordo até à data indicada, a UE está preparada para ativar contramedidas proporcionais e específicas para defender os seus legítimos interesses”, lembrou Marie Bjerre, ministra dos Assuntos Europeus da Dinamarca, ao Parlamento Europeu na quarta-feira, salientando que a paciência do bloco tem limites.

Outros acordos ainda estão em negociação

Trump tem demonstrado frustração com a falta de progresso nas negociações comerciais. Durante uma reunião de gabinete na terça-feira, disse que as suas ameaças tarifárias conseguiram trazer os parceiros comerciais à mesa de negociações – mas que os acordos propostos por outros países aos EUA são inaceitáveis.

“Eles dizem… ‘Damos-vos acesso total, e vocês não pagam nenhuma tarifa, mas por favor, não nos cobrem tarifas’, e nós não gostamos desse acordo”, disse Trump. “Não somos intransigentes, mas já era tempo dos Estados Unidos da América começarem a cobrar dinheiro a países que nos têm explorado – explorado – e que se riam nas nossas costas por sermos tão estúpidos.”

Esta semana, Trump enviou várias cartas com novas tarifas, incluindo tarifas de 25% sobre o Japão e a Coreia do Sul. Outras cartas deverão ser divulgadas esta quarta-feira.

Outros acordos têm sido mais difíceis de concretizar.

A Índia tem sido há muito considerada o parceiro de maior dimensão mais provável para assinar um acordo com os EUA. Mas os negociadores indianos endureceram recentemente as suas posições, segundo responsáveis norte-americanos. A Índia também é membro do grupo BRICS, pelo que não é claro o impacto da ameaça de Trump de impor tarifas de 10% aos países BRICS, feita no domingo, sobre as negociações com a Índia.

A Coreia do Sul também parecia, há semanas, próxima de um acordo, mas as tarifas de Trump sobre os automóveis continuam a ser um obstáculo importante, e a carta enviada por Trump na segunda-feira pode ter complicado as conversações.

O Japão tem-se afastado de um possível acordo nas últimas semanas, e Trump manifestou dúvidas sobre as negociações que antes pareciam bem encaminhadas. Os negociadores japoneses, que há poucas semanas ainda se apressavam a preparar um anúncio para a cimeira do G7 do mês passado, têm agora transmitido mensagens mais pessimistas nas suas declarações públicas.

O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, afirmou na terça-feira que, apesar de “discussões honestas e sinceras”, o Japão não conseguiu alcançar um acordo, segundo declarações traduzidas pela CNN. “Lamentamos profundamente que o governo dos EUA tenha imposto tarifas adicionais e anunciado planos para aumentar ainda mais as tarifas”, disse Ishiba.

A Indonésia, o Camboja e a Tailândia apresentaram propostas substanciais aos seus homólogos norte-americanos nas últimas duas semanas, numa tentativa de garantir um lugar prioritário para um acordo, e são candidatos prováveis para acordos a curto prazo nos próximos dias, disseram responsáveis dos EUA.

O Brasil intensificou os seus esforços para conseguir um acordo, incluindo negociações bilaterais no final da semana passada para desenvolver uma proposta anterior que previa uma redução acentuada de tarifas sobre certos produtos norte-americanos, segundo responsáveis da administração dos EUA.

O ponto de discórdia mais comum entre as equipas de negociação estrangeiras tem sido a falta de clareza sobre o que os seus homólogos dos EUA pretendem com os acordos finais.

Mas o maior obstáculo nas negociações mais amplas tem sido a existência – ou a promessa de imposição – das tarifas setoriais de Trump sobre automóveis, aço e produtos farmacêuticos, disseram os responsáveis norte-americanos.

CNN: Alayna Treene, James Frater e Anna Cooban contribuíram para este artigo.

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