Testemunhas oculares que falaram à CNN no sábado descreveram uma cena horrível após um tiroteio no comício do ex-presidente Donald Trump em Butler, Pensilvânia, em que uma pessoa foi morta e duas outras ficaram feridas no que está a ser investigado como uma possível tentativa de assassínio.
Um homem que falou antes de Trump no comício de sábado disse à CNN que saltou por cima de uma barricada para confortar um indivíduo que estava a sangrar depois de ter sido baleado.
Rico Elmore falou à CNN enquanto se afastava do palco do comício. A camisa branca que vestia estava manchada com o sangue da vítima, que ele disse não conhecer.
"Tudo o que sabemos é que foram disparados tiros, e depois saltei a barreira e pus a mão na cabeça do tipo que estava a sangrar profusamente", contou Elmore à CNN, garantindo que não conhecia o participante e que se tratava "apenas de um estranho".
Elmore estava visivelmente abalado, mas não foi ferido. Só viu um participante ser atingido e não viu o que aconteceu com Trump, que também foi ferido numa orelha, segundo o próprio.
O ex-presidente disse na Truth Social que tinha sido baleado no ouvido, mas a sua campanha afirmou que, de resto, estava bem. Horas depois do tiroteio, os serviços secretos informaram que um participante no comício morreu e dois outros ficaram gravemente feridos. O atirador disparou do exterior do comício e foi "neutralizado" pelas autoridades, disse o porta-voz Anthony Guglielmi.
Uma fonte policial e um agente da polícia no local disseram à CNN que o atirador estava posicionado no telhado de um edifício mesmo à saída do local do comício. A mesma fonte confirmou que o edifício era o mesmo onde a CNN tinha visto uma forte presença policial após o tiroteio. O edifício estaria à direita de Trump enquanto este falava.
De repente, foi o caos
O candidato republicano ao Senado, Dave McCormick, estava sentado na primeira fila do evento.À CNN revelou que viu o "ataque imediato ao presidente" e uma pessoa atrás dele que parecia estar gravemente ferida.
McCormick contou à CNN que Trump tinha acabado de o anunciar e de o convidar a subir ao palco, quando cerca de um minuto depois ouviu "uma série de tiros - cerca de sete ou oito tiros - apenas 'pop, pop, pop'".
"De repente, foi o caos. Os serviços secretos cobriram imediatamente o presidente, saltaram para cima dele e a multidão foi imediatamente para o chão", disse McCormick.
O candidato a senador olhou por cima do ombro atrás de si e "era evidente que alguém tinha sido atingido". As pessoas à volta do homem estavam a tentar prestar os primeiros socorros, uma vez que a assistência médica demorou vários minutos a chegar à multidão, devido à grande densidade.
"Mas, como se pode imaginar, com este tipo de incidente, é muito difícil saber o que está para vir. ... parecia que os tiros vinham da minha frente - ou seja, da esquerda do presidente - o que faz sentido porque a pessoa atrás de mim foi atingida. Mas não tenho a certeza se também havia tiros vindos da outra direção, por isso, como podem imaginar, foi caótico e confuso no momento", disse McCormick, acrescentando que, como ele, todos os cerca de 15 mil participantes na multidão passaram pelo detetor de metais antes de entrarem no comício.
O representante republicano Dan Meuser revelou à CNN que estava sentado na primeira fila com McCormick e com o também representante da Pensilvânia Mike Kelly, com o espectador que foi mortalmente baleado "a não mais de seis metros atrás" deles.
"Toda a gente começou, certamente, a gritar, a pedir um médico e, honestamente, foi uma cena sangrenta", disse Meuser.
"Começou como um comício normal. O presidente Trump entrou, tirou fotografias e passou algum tempo. Saiu, não falou mais do que seis ou sete minutos e, quando demos por isso, havia fogo rápido. Era bastante óbvio, após o segundo ou terceiro tiro, o que estava a acontecer", continuou o congressista.
"Não tínhamos a certeza se havia outros. Quer dizer, quando se ouvem tiros assim, parece que não se sabe de onde vêm", acrescentou Meuser. "Muitas pessoas estavam em pânico, mas, felizmente, acalmaram-se passado algum tempo, sobretudo quando o presidente Trump, honestamente, se levantou e fez um sinal de positivo. Isso acalmou um pouco a multidão".
Em conversa com a CNN, o congressista também fez um apelo à civilidade no futuro, dizendo: "Temos realmente que remover a hostilidade. Acho que toda a gente concorda - precisamos de acalmar as coisas".
Pura insanidade
Joseph Meyn disse à CNN que um homem perto dele foi baleado.
"Muito chocante... muitas pessoas pensaram que era fogo de artifício a rebentar, eu soube imediatamente que era um tiroteio", revelou o cirurgião de Grove City, Pensilvânia, que ajudou a carregar o homem para fora das bancadas.
"Eu estava na ponta direita do pódio, onde as pessoas se sentam na frente. Estava a filmá-lo [Trump] a falar no meu telemóvel. Quando estava a fazer a panorâmica para trás, ouvi sete tiros em sucessão rápida, em menos de dois ou três segundos", contou Meyn, que olhou para trás, na direção de onde tinham vindo os tiros. "Vi que um homem nas bancadas foi atingido diretamente na cabeça e morreu instantaneamente. ... havia uma mulher que foi atingida na mão e no antebraço, um ferimento não crítico".
O cirurgião disse que se aproximou para ver se podia prestar algum auxílio, mas outro médico já estava a ajudar a mulher baleada.
"Ajudei a carregar o corpo do homem para fora das bancadas. Levaram o corpo para a tenda atrás das bancadas", acrescentou Meyn.
A CNN contactou Meyn quando o homem estava à espera de prestar depoimento como testemunha ao FBI. "Eles querem os dados do meu telemóvel", confirmou. "Este é o primeiro comício de Trump a que vou. ... Não se espera que estas coisas aconteçam, é pura insanidade".