No seu espaço de comentário "Global", o analista Paulo Portas descreveu a última semana como "horribilis" para o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, identificando um conjunto de reveses significativos que demonstram uma crescente resistência à sua administração, tanto no país como dentro do seu próprio partido.
Embora a imprensa tenha focado a eleição de um candidato de esquerda em Nova Iorque, Portas considera esse evento pouco representativo da "América profunda". Para o analista, o sinal político mais relevante veio das vitórias democratas na Virgínia e em New Jersey, onde as candidatas vencedoras foram "radicalmente centristas".
Segundo Portas, estas vitórias moderadas, sob o lema "Nem MAGA, nem WOKE", provam que é possível recuperar eleitores independentes, hispânicos e de classe média que se tinham afastado para o campo republicano, fazendo campanha focada na economia e na inflação.
Além disso, a semana parece ter sido marcada por forte contestação à política económica central de Trump, as tarifas. Primeiro, no Supremo Tribunal, onde juízes conservadores questionaram abertamente a legalidade de usar a "segurança nacional" como pretexto para taxar países aliados. Portas classificou esta audição como um potencial "tiro no porta-aviões" da política de Trump.
Segundo, no Senado, onde, por três vezes numa semana, um grupo de senadores republicanos juntaram-se aos democratas para votar contra as tarifas, um claro sinal de fratura na base de apoio do presidente.
A isto, soma-se o "shutdown" do governo, que se tornou o mais longo da história. Esta paralisação, segundo Portas, está a arrefecer a economia, com estimativas de que possa retirar até 1% ao crescimento por cada quatro semanas que se mantenha.
Para Portas, estes desenvolvimentos provam que a linha política e económica de Trump "não está a correr bem", ao mesmo tempo que os democratas iniciam uma "batalha pela alma" do seu partido, divididos entre a ala mais à esquerda e o centro moderado que deu provas de vida nestas eleições.