Trump recebeu o líder da África do Sul na Sala Oval e confrontou-o com um tema bastante empolado pela extrema-direita a nível mundial: as alegações de que está a haver um genocídio contra os Afrikaners
Foi tensa a reunião desta quarta-feira entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa. A CNN Internacional fala mesmo num cenário de "emboscada".
Trump recebeu o líder da África do Sul na Sala Oval e confrontou-o com um tema bastante empolado pela extrema-direita a nível mundial: as alegações de que está a haver um genocídio contra os Afrikaners, população branca residente na África do Sul.
O presidente americano exibiu uma compilação de vídeos que, segundo a administração Trump, comprovam a ocorrência de crimes contra a população branca do país africano. Tudo isto perante um presidente sul-africano que é negro.
WATCH: @POTUS shows South African President Cyril Ramaphosa a video compilation of what's taking place against white farmers in South Africa pic.twitter.com/80rQqiT2qi
— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) May 21, 2025
“Temos centenas de pessoas, milhares de pessoas a tentar entrar no nosso país porque sentem que vão ser mortas e que as suas terras vão ser confiscadas, e têm leis que foram aprovadas que vos dão o direito de confiscar terras”, disse Trump a Ramaphosa na Sala Oval.
Na verdade, o primeiro grupo de sul-africanos brancos a chegar aos EUA com o estatuto de refugiados era de apenas 59 pessoas.
O presidente dos EUA prosseguiu e perguntou ao líder sul-africano se concorda com a linguagem utilizada nos vídeos que mostrou.
“Opomo-nos totalmente a isso. Em 1995, adotámos um documento que diz que a África do Sul pertence a todos os que lá vivem”, disse Ramaphosa.
“Mas porque é que não prenderam aquele homem? Aquele homem disse 'matem os agricultores brancos' e depois dançou”, retorquiu Trump. “Vocês permitem que eles confisquem as terras e, depois, quando as confiscam, matam o agricultor branco, e quando matam o agricultor branco nada lhes acontece”.
Cyril Ramaphosa tentou aliviar o ambiente com uma piada. “Lamento não ter um avião para lhe oferecer”, brincou o presidente sul-africano, recordando o avião que o Catar ofereceu aos Estados Unidos, e que vai ser transformado para ser o próximo Air Force One. Trump respondeu, com um ar sério, dizendo que aceitaria uma hipotética oferta.
RAMAPHOSA: I am sorry I don't have a plane to give you
TRUMP: I wish you did. I'd take it. If your country offered the US Air Force a plane, I would take it
RAMAPHOSA: Okay pic.twitter.com/TgvODTok9P
— Aaron Rupar (@atrupar) May 21, 2025
Porque é que alguns Afrikaners estão a fugir para os EUA?
Os Afrikaners são os descendentes dos colonos predominantemente holandeses da África do Sul, representando os sul-africanos brancos cerca de 7% da população do país em 2022 - uma percentagem que diminuiu em relação aos 11% registados em 1996, segundo os dados dos censos locais. O governo discriminatório do apartheid, liderado pelos Afrikaners, perdeu o poder em meados da década de 1990, sendo substituído por uma democracia multipartidária dominada pelo Congresso Nacional Africano.
De acordo com a Câmara de Comércio Sul-Africana nos EUA (SACCUSA), pelo menos 67 mil sul-africanos mostraram interesse em pedir o estatuto de refugiado nos EUA.
Nos comentários que justificaram a sua decisão de acolher os Afrikaners nos EUA, Trump citou alegações de que “está a ocorrer um genocídio” na África do Sul, acrescentando que “os agricultores brancos estão a ser brutalmente mortos e as suas terras confiscadas”.
As autoridades sul-africanas negaram veementemente tais alegações. Numa declaração de fevereiro, a polícia da África do Sul afirmou que “apenas um agricultor, que por acaso é branco”, tinha sido morto entre 1 de outubro e 31 de dezembro, e instou o público “a desistir de suposições que pertencem ao passado, em que os assassinatos de agricultores são iguais aos assassinatos de agricultores brancos”.