Trump sobe para 25% tarifas à Coreia do Sul por "não cumprir" acordo comercial "excelente"

CNN , Elisabeth Buchwald
27 jan, 09:38
Veículos da Hyundai Motor Co. destinados à exportação aguardam embarque num porto perto da fábrica da empresa em Ulsan, Coreia do Sul. (SeongJoon Cho/Bloomberg/Getty Images)

Donald Trump anunciou um aumento das tarifas sobre bens da Coreia do Sul de 15% para 25%, alegando que o país não cumpriu um acordo comercial. A decisão provocou reações cautelosas em Seul, instabilidade nos mercados e poderá enfrentar limites legais, dependendo de um processo em curso no Supremo Tribunal dos EUA

O Presidente Donald Trump anunciou, na segunda-feira, que vai aumentar as tarifas sobre os bens provenientes da Coreia do Sul de 15% para 25%.

“Como a Assembleia Nacional da Coreia não aprovou o nosso Acordo Comercial Histórico, o que é prerrogativa deles, determino assim o aumento das TARIFAS sul-coreanas sobre Automóveis, Madeira, Produtos Farmacêuticos e todas as restantes TARIFAS RECÍPROCAS, de 15% para 25%”, escreveu Trump numa publicação na rede social Truth Social.

Não é claro quando é que as novas tarifas entrarão em vigor. A Casa Branca não respondeu de imediato ao pedido de comentário da CNN.

Seul planeia “responder com calma” e transmitir “a sua vontade de cumprir o acordo tarifário” aos Estados Unidos, afirmou a porta-voz presidencial Kang Yoo-jung, numa declaração divulgada na terça-feira.

Mas os responsáveis sul-coreanos estão agora a apressar encontros presenciais com elementos da administração Trump. O ministro do Comércio do país antecipou uma viagem previamente agendada aos Estados Unidos e irá reunir-se, nos próximos dias, com o representante para o Comércio, Jamieson Greer, esclareceu Kang, enquanto o ministro da Indústria também irá acrescentar uma deslocação aos EUA para se encontrar com o secretário do Comércio, Howard Lutnick, assim que concluir a sua atual visita ao Canadá.

O principal índice bolsista da Coreia do Sul, o Kospi, caiu mais de 1% antes de recuperar nas primeiras horas da sessão de terça-feira. A Hyundai, o gigante automóvel do país, desceu mais de 2,2% às 9:47 da manhã, hora local.

A Coreia do Sul é uma das principais origens de bens estrangeiros importados pelos Estados Unidos, tendo exportado mercadorias no valor de 132 mil milhões de dólares para o país em 2024, de acordo com dados do Departamento do Comércio. Entre as principais exportações para os EUA estão automóveis e peças automóveis, bem como semicondutores e produtos eletrónicos. Estes bens correm o risco de se tornarem mais caros com o aumento das taxas.

Trump anunciou, em julho, um acordo comercial com a Coreia do Sul que impediu que as tarifas sobre os bens do país passassem de 10% para 25%. O acordo previa também taxas preferenciais sobre automóveis importados, entre outros produtos.

A capacidade de Trump para aumentar tarifas generalizadas sobre bens da Coreia do Sul ou de outros países poderá ser condicionada pelo desfecho de um processo histórico sobre tarifas que se encontra atualmente no Supremo Tribunal.

O caso irá determinar se Trump tinha autoridade legal para impor tarifas abrangentes e específicas por país. Se os juízes decidirem contra a administração, Trump provavelmente não poderá alterar de imediato as taxas aduaneiras sobre todos os bens provenientes de países específicos.

O anúncio de Trump surge após uma série de ameaças tarifárias recentes, incluindo uma tarifa de 100% sobre bens canadianos e uma taxa adicional de 10% sobre países que se opõem às suas ambições relativamente à Gronelândia, esta última entretanto recuada.

Gawon Bae e John Liu da CNN contribuíram para a reportagem.

E.U.A.

Mais E.U.A.