Colômbia quis enviar o seu próprio avião para acolher deportados dos EUA, Trump acusa-o de pôr "em risco" segurança nacional

Agência Lusa , BCE
26 jan 2025, 20:06
Donald Trump assina ordens executivas na sala oval da Casa Branca (AP Photo/Evan Vucci)

Trump considera que de decisão de Gustavo Petro, “coloca em risco” a segurança nacional nos EUA

O governo colombiano anunciou este domingo o envio do avião presidencial para facilitar a saída de imigrantes deportados dos EUA, provocando a ira do presidente norte-americano, Donald Trump, que promete retaliar com sanções.

"O Governo da Colômbia, sob a liderança do presidente Gustavo Petro, disponibilizou o avião presidencial para facilitar o regresso digno dos cidadãos que deveriam chegar ao país esta manhã, em voos de deportação", informou o gabinete presidencial da Colômbia, num comunicado.

Em resposta, Trump anunciou que irá aplicar tarifas, restrições de vistos e outras medidas de retaliação contra a Colômbia, depois de as autoridades colombianas terem rejeitado receber dois voos que transportavam migrantes, no âmbito de uma operação de deportação em massa de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

O presidente norte-americano explicou que estas medidas são necessárias porque a decisão de Gustavo Petro, “coloca em risco” a segurança nacional nos EUA.

“Estas medidas são apenas o início”, avisou Trump na rede social Truth Social, acrescentando que não permitirá que “o Governo colombiano viole as suas obrigações legais no que diz respeito à aceitação e ao regresso dos criminosos que forçaram a entrada nos Estados Unidos”.

Horas antes desta declaração, o presidente colombiano explicou por que razão iria enviar o avião presidencial para transportar os migrantes deportados.

“Um migrante não é um criminoso e deve ser tratado com a dignidade que um ser humano merece”, disse Petro, acrescentando que o seu país receberia os cidadãos em “aviões civis”.

No âmbito da operação de deportação em massa decratada por Trump, o governo norte-americano está a utilizar meios materiais e humanos das Forças Armadas para ajudar no repatriamento de imigrantes e para proteger a fronteira.

Dois aviões de carga C-17 da Força Aérea que transportavam migrantes retirados dos EUA aterraram na manhã de sexta-feira na Guatemala.

No mesmo dia, as Honduras receberam dois voos de deportação transportando um total de 193 pessoas.

Petro diz que Colômbia deixa de olhar para Norte e impõe taxas recíprocas aos EUA

Gustavo Petro anunciou que vai avançar com reciprocidade nas taxas que Washington venha a impor, realçando que doravante Bogotá deixa de olhar para Norte.

Num texto carregado de referências históricas e culturais, publicado na rede social X, Petro afirmou que “não apertava a mão a esclavagistas brancos”, mas sim a “brancos libertários herdeiros de Lincoln e dos rapazes camponeses negros e brancos dos EUA".

“A Colômbia agora deixa de olhar para o Norte, olha para o mundo”, escreveu o oresidente colombiano, antes de acrescentar: “O seu bloqueio não me assusta, porque a Colômbia, para além de ser o país da beleza, é o coração do mundo”.

Petro realçou que se Trump coloca o “fruto do trabalho humano” da Colômbia com 50% de taxas alfandegárias para entrar nos Estados Unidos, então fará o mesmo.

“Os produtos norte-americanos cujo preço subir dentro da economia nacional deverão ser substituídos por produção nacional e o Governo ajudará neste propósito”, escreveu o chefe de Estado colombiano.

Relacionados

E.U.A.

Mais E.U.A.

Mais Lidas