"Na realidade, o avião em que viajei estava em maior risco": Trump admite que usou avião militar na fuga secreta da Turquia

12 ago, 06:29
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Questionado sobre a operação depois de a história ter sido revelada pelo The Washington Post, Trump considerou que o avião em que acabou por viajar poderia ter representado um alvo mais provável

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a aeronave em que viajou depois de abandonar secretamente a Turquia no mês passado estava, na sua opinião, exposta "a um risco ainda maior". A declaração surge depois de ter sido revelado que o líder norte-americano mudou de avião devido a uma ameaça de morte alegadamente credível relacionada com o Irão.

"[Essas decisões] dependem apenas dos Serviços de Secretos. Limito-me a seguir o que eles gostariam de fazer", começou por explicar aos jornalistas em Maryland, nos EUA. "Queriam que eu apanhasse um voo diferente, num avião diferente com o mesmo nível de segurança. Por isso fi-lo. Eu faço o que eles dizem", acrescentou.

A operação envolveu uma troca discreta de aeronave. Depois de ser visto a embarcar no antigo Air Force One, Trump foi transportado num camião de catering até um C-32A da Força Aérea dos Estados Unidos. A manobra procurava impedir que fosse possível determinar publicamente em que avião seguia o presidente.

Questionado sobre a operação depois de a história ter sido revelada pelo The Washington Post, Trump considerou que o avião em que acabou por viajar poderia ter representado um alvo mais provável.

"Penso que, na realidade, o avião em que viajei estava em maior risco", sublinhou. "Penso que estava em maior risco porque esse seria o avião que, provavelmente, eles teriam mais tendência para atacar".

Questionado sobre o motivo para mudar de avião, Trump salientou que recebe muitas ameaças. "Recebo muitas ameaças que vocês desconhecem. Qualquer presidente importante recebe muitas ameaças. Os presidentes que não são importantes não recebem ameaças. E acho que recebo mais ameaças do que ninguém em quase seis anos".

A reconstrução da operação contou com uma pista encontrada pela conta ‘La Nueva Fuerza Aérea 51’, na rede social X, especializada no rastreamento de aeronaves militares. Dan Lamothe, jornalista do The Washington Post e um dos autores da investigação, destacou a importância dessa informação para perceber como Trump deixou a Turquia sem que a sua verdadeira localização fosse conhecida.

Ao acompanhar os movimentos das aeronaves entre Ancara e o Reino Unido, a conta identificou um C-31A da Força Aérea norte-americana, com os radares desligados, que aterrou junto ao avião presidencial na noite de 8 de junho, numa base da Força Aérea britânica em Suffolk, perto de Mildenhall.

Enquanto Trump seguia noutro avião, o Air Force One continuou a viagem com jornalistas e parte dos funcionários da Casa Branca, que desconheciam a troca. O Boeing 747 passou, assim, a funcionar como isco, desviando a atenção de possíveis atacantes da verdadeira localização do presidente norte-americano.

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