Caso Gisèle. Dominique condenado a pena máxima de prisão. Todos os arguidos foram considerados culpados por abusar de Gisèle

19 dez 2024, 08:57

Penas - algumas suspensas - vão dos três aos 20 anos de prisão

Dominique Pelicot, o francês acusado de drogar e violar a então mulher Gisèle Pelicot, foi considerado culpado de todas as acusações durante o julgamento desta quinta-feira e condenado à pena máxima de 20 anos de prisão. O arguido ouviu a acusação curvado e a chorar.

Para além de ter sido considerado culpado de todas as acusações contra a ex-mulher, Dominique foi também considerado culpado das acusações contra a filha e as noras - Pelicot divulgou imagens de caráter sexual da filha Caroline e de duas noras.

À saída do tribunal, a advogada de Dominique, Béatrice Zavarro, afirmou que a defesa vai ponderar se apresenta ou não recurso da pena do seu arguido.

“Não temos autoridade para criticar uma decisão judicial, apenas para recorrer. Vamos aproveitar os dez dias que nos foram concedidos para decidir se vamos recorrer desta decisão”, afirmou a advogada, acrescentando que ainda não foi tomada qualquer decisão.

Zavarro disse ainda que Dominique foi considerado o "bode expiatório" do processo.

"No início deste julgamento, eu disse que o Sr. Pelicot não era o maestro desta operação e que os outros homens não eram os músicos. Penso que, ao anunciar este veredicto, o tribunal condenou o chefe desta orquestra, diferenciando-o dos diferentes homens que a compõem", finalizou.

Todos os arguidos condenados

Todos os 51 arguidos - com idades entre os 27 e os 74 anos - foram considerados culpados: 47 de violação, dois de tentativa de violação e dois de agressão sexual. As penas variam entre os três anos de prisão e os 20 anos. Alguns dos homens reconheceram ter cometido o crime, enquanto outros disseram acreditar que Gisèle Pelicot tinha consentido no ato sexual.

Quatro arguidos foram condenados a cinco anos de prisão por violação ou tentativa de violação (pena suspensa). Há ainda penas de três anos de prisão, duas das quais suspensas.

Jacques C. foi condenado a uma pena suspensa de cinco anos de prisão, Cyprien C. foi condenado a 6 anos de prisão, Cyrille D, Lionel R e Boris M - para quem o Ministério Público tinha pedido 12 anos  - foram condenados a oito anos de prisão. Christian L. foi condenado a nove anos de prisão.

Já Redouan A. foi considerado culpado pelo crime de violação, mas viu o tribunal atribuir-lhe uma pena reduzida depois de ter sido diagnosticado como esquizofrénico e o juiz ter considerado que o seu "discernimento estava comprometido".

No entanto, segundo o jornal Le Monde, o tribunal não reconheceu a incapacidade de discernimento solicitada por Charly Arbo, que se deslocou seis vezes a Mazan. Na primeira vez que violou Gisèle tinha 22 anos. Foi condenado a 13 anos de prisão. 

Já Romain V., que violou Gisèle seis vezes, foi condenado a 15 anos de prisão.

Cinco dos homens acusados de violação agravada de Gisèle Pelicot vão sair em liberdade do tribunal, uma vez que alguns deles já cumpriram pena de prisão e outros foram condenados a penas suspensas. A maior parte dos arguidos foi condenada a menos de 10 anos de prisão.

“Vários dos condenados não serão imediatamente levados para a prisão devido ao seu estado de saúde. Mais alguns dias de liberdade até encontrarmos uma prisão adequada”, declarou o juiz presidente Roger Arata durante a leitura das sentenças.

Discípulo de Dominique condenado a 12 anos de prisão

O único arguido acusado do crime de agressão sexual e não de violação foi considerado culpado. Os juízes tinham pedido uma pena de quatro anos de prisão para Joseph C., de 69 anos.

Outro dos arguidos, Jean-Pierre Marechal, também foi condenado a 12 anos de prisão pela violação agravada e submissão química da mulher, Cilia M. De acordo com os documentos do tribunal, Pelicot deu a Marechal, de 63 anos, instruções sobre a forma de drogar a mulher tal como fazia com Gisèle.

O tribunal tinha pedido uma pena de 17 anos para o único arguido que não foi ouvido pelos atos cometidos contra Gisèle, mas sim contra a própria mulher.

Gisèle Pelicot, que assistiu à leitura da sentença ao lado da tribuna de acusação - e em frente ao ex-marido, Dominique Pelicot - acompanhada pelos três filhos e uma das noras, saiu da sala em silêncio.

Dominique Pelicot, que admitiu ter violado e drogado com ansiolíticos a vítima durante anos para ser violada por dezenas de desconhecidos, que recrutava através da internet, foi condenado com a pena máxima em França, a primeira sentença do caso proferida contra 51 arguidos, com idades compreendidas entre os 27 e os 74 anos, acusados de agressão sexual e violação.

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