Dívida pública dos EUA ultrapassa pela primeira vez os 40 biliões de dólares

Agência Lusa , MFP
19 ago, 23:07
Tesouro EUA Washington (Patrick Semansky/AP)
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Aceleração do crescimento da dívida deve-se principalmente ao facto de o governo de Donald Trump ter deixado de receber as taxas alfandegárias cobradas sobre importações de todo o mundo, depois de terem sido declaradas ilegais pelo Supremo Tribunal

A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou, pela primeira vez na sua história, os 40 biliões de dólares (34,2 biliões de euros), segundo dados divulgados esta quarta-feira pelo Departamento do Tesouro.

De acordo com a publicação do Tesouro - chamada "Dívida calculada ao cêntimo" - o passivo total do Governo Federal dos Estados Unidos atingiu 40,047 biliões de dólares.

O marco foi alcançado apenas cinco meses depois de o montante ter excedido os 39 biliões, mostrando que o ritmo de crescimento da dívida se acelerou recentemente.

Isto deve-se principalmente ao facto de o governo do presidente Donald Trump ter deixado de receber as taxas alfandegárias cobradas sobre importações de todo o mundo, após o Supremo Tribunal ter declarado em fevereiro que eram ilegais.

Neste momento, o nível de despesa da sua Administração ultrapassa em cerca de dois biliões de dólares anuais as suas receitas fiscais.

A isto soma-se a grande lei de reduções fiscais que Trump impulsionou no ano passado e que promete aumentar esse défice anual para mais de quatro biliões ao longo da próxima década.

Além disso, o gasto federal aumentou desde o regresso do republicano à Casa Branca em janeiro de 2025, enquanto a relação da dívida com o PIB também piorou.

Atualmente, o Governo Federal está a gastar mais de um bilião de dólares por ano em pagamento de juros, que também estão a aumentar, para financiar esta dívida, e isso já representa a segunda maior rubrica de gastos depois da destinada à Segurança Social.

Neste contexto, a rentabilidade do título de dívida norte-americano a 30 anos voltou a atingir esta semana o nível mais alto em 19 anos, perante o receio de um aumento da inflação devido à guerra no Irão.

Os Estados Unidos anunciaram que vão duplicar o volume das suas operações de recompra de títulos, até pelo menos 4.000 milhões de dólares, para "apoiar a liquidez" dos títulos a longo prazo que emitem.

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