Mulher morreu num parque da Disney. Viúvo quer processar a empresa. Disney alega que o caso não podia ir para tribunal devido ao contrato que o homem assinou para subscrever um trial do Disney+
Disney abdica da tentativa de bloquear ação judicial por homicídio por negligência movida por viúvo que tinha o Disney+
por Jessie Yeung e Jon Passantino, CNN
A Disney reverteu o curso de um processo de morte por negligência movido pelo viúvo de uma mulher que morreu depois de comer num restaurante de um resort da empresa. A Disney diz que o assunto pode agora ir a tribunal.
Anteriormente, a Walt Disney Parks and Resorts havia argumentado em documentos judiciais que o contrato do serviço de streaming Disney+ do viúvo significava que ele não podia processar a empresa pela suposta morte por negligência da mulher.
No processo, Jeffrey Piccolo alegou que a falecida esposa, Kanokporn Tangsuan, sofreu uma reação alérgica fatal após uma refeição que comeu num restaurante do parque em 2023. Mas a Disney tentou que o processo fosse arquivado, pedindo ao tribunal que transferisse a disputa para a arbitragem, o que significa que o caso não seria apresentado a um júri nem continuaria em tribunal.
O argumento da Disney era que Piccolo tinha alegadamente celebrado um contrato de assinante quando se inscreveu para um teste do Disney+ há anos - que exige que os utilizadores arbitrem todas as disputas com a empresa.
Os advogados da empresa também alegaram que, devido ao facto de Piccolo ter utilizado o site dos Parques Walt Disney para comprar bilhetes para o Epcot Center, a Disney está protegida de uma ação judicial no caso da falecida mulher de Piccolo.
“Na Disney, esforçamo-nos por colocar a humanidade acima de todas as outras considerações. Com circunstâncias tão únicas como as deste caso, acreditamos que esta situação justifica uma abordagem sensível para acelerar uma resolução para a família que sofreu uma perda tão dolorosa”, diz agora a empresa numa declaração.
“Como tal, decidimos renunciar ao nosso direito à arbitragem e vamos levar o caso a tribunal.”
Na semana passada, o advogado de Piccolo, Brian Denney, disse que o argumento da Disney era “absurdo de tão escandalosamente irracional e injusto que choca a consciência judicial”.
Os advogados de Piccolo também observaram que o viúvo acreditava que só tinha assinado um mês de teste gratuito de streaming - e cancelou a assinatura antes de ser cobrado.
A CNN contactou Denney para comentar o assunto.
Piccolo pretende obter uma indemnização superior 45.000 euros, nos termos da Lei da Flórida relativa à morte por negligência, bem como uma indemnização por dor e sofrimento mental, perda de companhia e proteção, perda de rendimentos e despesas médicas e funerárias.