Uma cliente do Record Store Day celebra a descoberta de álbuns de vinil de edição limitada na Easy Street Records, a 12 de abril de 2025, em West Seattle, Washington
Os discos de vinil estão novamente em alta, mas não são apenas os audiófilos ou os baby boomers nostálgicos que impulsionam este ressurgimento.
A Geração Z está a desempenhar um papel fundamental na revitalização das vendas de vinil, que têm crescido em média 18% ao ano nos últimos cinco anos. Cerca de 60% da Geração Z afirma comprar discos, de acordo com o relatório Audio Tech Lifestyles da Futuresource Consulting.
Mas a Geração Z não está necessariamente a comprar discos pelo seu som único. Cerca de 40% dos compradores de discos nos Estados Unidos não possuem um gira-discos, de acordo com James Duvall, analista principal e responsável pela área de entretenimento da Futuresource Consulting.
Segundo um inquérito da Vinyl Alliance, 56% dos fãs da Geração Z gostam de discos de vinil pela sua estética, enquanto 37% utilizam-nos como decoração em casa. Esta tendência faz parte daquilo que Jared Watson, professor assistente de marketing na Universidade de Nova Iorque, designa por “consumo simbólico”.
“[Comprar um vinil] Pode demonstrar que é um fã maior ou que aprecia mais o artista”, observa Jared Watson, acrescentando que os álbuns são “arte acessível”.
As variantes coloridas e exclusivas
O ressurgimento do vinil pode ser atribuído em grande parte a Taylor Swift, que promoveu os seus álbuns como artigos de coleção artísticos, por vezes incluindo música adicional, cartazes ou poemas para a sua dedicada base de fãs.
E cada uma das suas variantes é “uma peça diferente da história” que Taylor Swift seleciona, o que “elevou o padrão para todos” outros artistas, como as cantoras Lana Del Rey e Olivia Rodrigo, indica Jeffrey Smith, vice-presidente de marketing da Discogs.com, um banco de dados e mercado para música física.
Cinco dos álbuns de Taylor Swift estiveram entre os 10 álbuns de vinil mais vendidos no ano passado nos EUA, de acordo com o relatório de 2024 do grupo de investigação de entretenimento Luminate.
Isto inclui “The Tortured Poets Department”, que vendeu 1,48 milhões de cópias, segundo a Luminate, e “Midnights”, que vendeu 188 mil cópias. Atualmente, Taylor Swift tem à venda quatro variantes de “Midnights” no seu site oficial nos EUA. Quando as partes de trás das quatro são colocadas juntas, formam um mostrador de relógio.
Erin Davila, de 28 anos, de Orlando, Florida, admite comprar uma edição especial do álbum da Taylor Swift, mas, no final do dia, diz que prefere discos com a capa tradicional.
Erin começou a colecionar discos no liceu, quando colecionar era popular no Tumblr, uma rede social de blogues.
“O disco físico era quase como um troféu de toda a música que adoras, simplesmente ali na tua estante”, explica Erin.
A entusiasta programou alarmes para os lançamentos em vinil de Taylor Swift, Sabrina Carpenter e Kacey Musgraves, enquanto o seu marido, Peyton, programou um alarme para o lançamento em vinil de The Weeknd. A coleção de ambos, em conjunto, soma quase mil discos.
Erin e Peyton estão entre os jovens adultos que partilham nas redes sociais a sua coleção de vinil e a rotação dos discos que decoram as suas paredes.
Dexter Phuong, um criador de conteúdos e coordenador de redes sociais de 25 anos, da Carolina do Norte, também utiliza discos de vinil como decoração de parede, trocando os álbuns de acordo com a estação do ano. Durante o outono, pode colocar o álbum "Red" da Taylor Swift ou uma versão da Phoebe Bridgers que combine com a estética laranja e verde da estação.
Dexter diz que tem quase todos os discos de vinil de Lana Del Rey, incluindo cerca de 10 versões diferentes do seu último álbum.
"Na verdade, não ouço muito as versões alternativas, a não ser que incluam uma faixa bónus", admite à CNN. "Normalmente, guardo-as como arte."
Comprar com consciência
Os jovens da Geração Z apreciam pequenos prazeres - seja um café caro, roupa ou um bilhete para um concerto, indica Jared Watson. Isto deve-se, em grande parte, ao facto de marcos importantes - como a compra de uma casa ou o casamento - terem sido adiados, fazendo com que os jovens adultos procurem gratificação noutros locais, explica o professor da NYU.
“Há esta ideia de dizer: ‘Porque é que não nos podemos presentear hoje com pequenas recompensas?’ É aí que vemos um aumento no mercado de artigos de coleção”, refere Jared Watson.
Algumas pessoas estão a dedicar mais tempo a comparar preços de diferentes vendedores ou a comprar cada vez mais em lojas de discos locais à procura do melhor negócio. Comprar numa loja de discos local pode evitar que paguem o preço de venda ao público de um vinil, que custa em média 33 dólares, mas pode chegar aos 70 dólares para edições limitadas.
É o caso de Tony Baker, um jovem de 27 anos, de Orlando, que compra qualquer disco pelo preço certo e “resolve o resto depois”. Comprou o álbum homónimo de Toni Braxton por 100 dólares, o máximo que está disposto a pagar no momento.
O jovem de Orlando publicou recentemente um vídeo no TikTok onde mostra a sua coleção de vinil, com mais de 20 álbuns, alguns com preços a chegar aos 42 dólares.
Segundo Jeffrey Smith, da Discogs, um disco em condições quase perfeitas é vendido no site por cerca de 15 dólares em média, ou seja, 45% abaixo do preço de venda ao público.
“Entrar numa loja, comprar um disco e pesquisar no mercado, e encontrar algo com mais de 70% de desconto, pode ser uma grande vantagem”, observa Jeffrey Smith.
Independentemente de ouvirem o disco ou não, os jovens da Geração Z tendem a encontrar valor sentimental na compra de discos usados que tenham a “essência” de já terem sido usados, além do benefício ambiental de evitar o consumo excessivo, explica o professor Jared Watson.
Peyton Davila, colecionador de vinil de Orlando, compara a compra de discos em lojas locais por apenas 5 dólares com a compra de roupa em lojas de segunda mão.
“Ao optarmos por comprar em lojas locais, estamos a ser mais sustentáveis e não contribuímos para o excesso de discos que são prensados em excesso”, sublinha.