Abaixo-assinado de 130 chefias intermédias alerta para falência operacional da Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental
Alegações de humilhação, intimidação e até de uma tentativa de prender uma funcionária com fita-cola a uma cadeira estão a abalar a Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental (ULSLO). Uma carta ao Conselho de Administração, subscrita por 130 diretores de serviços médicos, responsáveis de enfermagem, coordenadores e técnicos denuncia uma “preocupante degradação do clima organizacional”, com custos para os profissionais, mas também para os doentes.
A denúncia mais grave consta de uma participação disciplinar apresentada por uma assistente técnica do Serviço de Recursos Humanos da ULSLO contra o diretor do serviço, André Coelho Dias.
“Agarrou-me fisicamente pelos braços e, fazendo uso de fita cola que se encontrava na minha secretária, começou por colar o meu braço direito à minha cadeira, com o instituto de me manietar, situação que não foi totalmente concluída em virtude de a fita cola ter acabado”, descreve a trabalhadora.
Segundo a participação, o episódio ocorreu a 12 de Maio, pelas 10h45, nas instalações da unidade hospitalar. A vítima relata ainda que o diretor de recursos humanos lhe terá gritado: “Não se levanta desta cadeira enquanto não terminar a tarefa que lhe dei há mais de dois meses”.
A trabalhadora afirma que o ato foi presenciado por nove testemunhas e diz ter sofrido “constrangimento e humilhação”, além de crises de ansiedade, medo e receio de represálias.
André Coelho Dias recusou os pedidos da TVI/CNN Portugal para prestar esclarecimentos, quer presencialmente quer por escrito.
Chefias protestam em bloco
A denúncia surge num contexto de forte contestação interna à gestão dos recursos humanos da ULSLO.
Numa carta enviada ao Conselho de Administração, subscrita por 130 diretores de serviços médicos, diretores de enfermagem, enfermeiros gestores e coordenadores de unidades funcionais, os signatários denunciam “uma evidente e preocupante degradação do clima organizacional”.
O abaixo-assinado fala em “desrespeito e desconsideração pelos profissionais”, “níveis elevados de insatisfação” e “possibilidade concreta da saída de mais profissionais”.
As lideranças clínicas alertam ainda para “encerramentos efetivos de camas de internamento” e acusam a gestão de recursos humanos de excessiva burocratização e de interferência na autonomia das estruturas clínicas.
“Todos os problemas até aqui elencados estão intimamente relacionados com uma preocupante erosão de canais eficazes de comunicação e auscultação dentro da instituição”, refere o documento.
Os signatários pediram uma reunião urgente com a administração da ULSLO.
Questionado pela TVI/CNN Portugal, o Conselho de Administração respondeu, através da assessoria de comunicação, que o Serviço de Gestão de Recursos Humanos “tem estado a liderar o processo de atualização do programa de registo da assiduidade”, bem como a “modernizar a forma de contacto dos colaboradores”.
A administração admite que o processo trouxe “constrangimentos acrescidos”, mas sustenta que foram emitidas “diversas circulares informativas” e realizadas reuniões com sindicatos.
Relativamente à intervenção da Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS), a ULSLO refere que “revelou publicamente, em março deste ano, a receção de denúncias anónimas sobre o SGRH”, acrescentando que o Conselho de Administração “desde o primeiro momento se mostrou disponível para colaborar com a IGAS - ou com outras instituições”.
