"Vimos viaturas a parar na A1 para tirarem fotografias". Proteção Civil pede às pessoas para que não corram riscos em zonas de cheias
As imagens do colapso de dique no rio Mondego perto de Coimbra
"Rio Mondego corre a uma velocidade estonteante": o que se sabe depois de dique colapsar em Coimbra
Pela terceira vez na história, dique do Mondego rebentou. Área inundada deverá aumentar nas próximas horas
"Não sabemos se o dique vai rebentar noutros sítios". Câmara de Coimbra vai retirar mais pessoas de casa
Presidente da Proteção Civil faz várias recomendações para a salvaguarda de pessoas, animais e bens e lembra que o "desagravamento" do estado do tempo na quinta-feira "é só aparente"
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) pede à população que evite comportamentos de risco, nomeadamente circular nos acessos junto ao rio Mondego, em Coimbra, e que salvaguarde animais e bens, retirando-os de zonas ribeirinhas.
Numa conferência de imprensa em Coimbra, o presidente da ANEPC, José Manuel Moura, destacou que as autoridades já realizaram um conjunto de retiradas preventivas de pessoas de zonas em perigo na região de Coimbra, onde esta quarta-feira um dique colapsou na margem direita do rio Mondego, nos Casais, junto ao viaduto da autoestrada 1 (A1), agravando o risco de cheias.
José Manuel Moura recomendou aos cidadãos que evitem circular nos acessos junto ao rio Mondego, e pediu para os residentes junto à Nacional 111, que liga Coimbra a Montemor-o-Velho, estarem atentos e seguirem “aquilo que são as indicações da Proteção Civil”.
“Não atravessar a pé ou de viatura. Há pouco estávamos aqui a acompanhar em direto, viaturas a parar na A1 para tirarem fotografias. Parar numa autoestrada já é proibido, numa circunstância destas é ainda mais grave. Portanto, evitar esses comportamentos”, disse, numa conferência de imprensa onde também estiveram o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa.
“Não atravessar a pé ou em viatura estas estradas com linhas de água ou com zonas inundáveis. Não circular nem permanecer em pontes e aceder a locais inundados ou historicamente inundáveis. E evitar atividades junto às linhas de água, sobretudo em locais sujeitos a cheias rápidas”, insistiu.
José Manuel Moura pediu também para que os animais sejam salvaguardados, retirando-os de zonas suscetíveis a inundações.
Equipamentos agrícolas, industriais, viaturas e outros bens devem igualmente ser retirados das zonas ribeirinhas habitualmente inundáveis, junto aos rios Mondego, Ceira, Alva e Arunca, e levados para locais seguros.
O responsável pela Proteção Civil aconselhou ainda os cidadãos a manterem-se informados junto dos órgãos de comunicação social e junto dos agentes de Proteção Civil que estão a acompanhar a situação.
Ainda de acordo com o presidente da Proteção Civil, na quinta-feira verificar-se-á “um aparente desagravamento”, que “é só aparente”, porque as previsões apontam para um elevado valor acumulado de chuva.
“Só a partir de, porventura, sábado poderemos ter aqui algum desagravamento já efetivo”, afirmou.
O responsável destacou também que a ANEPC, em colaboração com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), está a acompanhar a evolução dos caudais no território nacional, “desde o rio Minho às ribeiras do Algarve”, o que “é um trabalho hercúleo, muito significativo”, para ajustar o dispositivo, salientando que “as grandes bacias, não só do Mondego, mas também do Douro e do Tejo” merecem especial preocupação.
