Bernardo Gonzalez, jornalista automóvel desde 1996, explica à CNN Portugal as condições de segurança do modelo do veículo que transportava Diogo Jota e o seu irmão, André Silva
“Todos os sistemas de segurança que o Lamborghini Huracán aporta estão pensados para proteger devidamente os seus ocupantes em caso de acidente”, começa por dizer Bernardo Gonzalez, jornalista automóvel desde 1996 e apresentador do GTI Plus da CNN Portugal. Fala em concreto sobre a causa provável para o acidente que matou Diogo Jota e o irmão, André Silva: o rebentamento de um pneu.
Muitas das dúvidas sobre a morte dos dois irmãos serão esclarecidas com a autópsia e muitas outras surgem sobre o Lamborghini Huracán EVO em que os dois irmãos seguiam, e que, segundo a revista Sábado, foi alugado por Diogo Jota para seguirem até Santander e apanharem um ferry até Inglaterra.
Referindo-se a este e a outros modelos da marca, Bernardo Gonzalez aponta que são estes automóveis “equipados com um ‘sem-número’ de sistemas ativos de prevenção de acidentes, exigidos por lei”, mas não garante a sua suficiência face a certas “circunstâncias” em que o carro se possa encontrar. “Cada ocorrência tem uma dinâmica própria. Desde a velocidade às características da via, tudo dita resultados potencialmente diferentes”.
A propósito de circunstâncias diferentes, o jornalista recorda um episódio em que um pneu rebentou quando seguia num carro de alta cilindrada: “Estávamos num evento internacional no Algarve e circulávamos a velocidade elevada na Via do Infante, ao volante de um desportivo alemão conduzido por um colega meu, na altura em que uma pedra rasgou tanto o pneu, como a própria jante. Apesar de tudo, conseguimos parar a viatura sem dramas numa zona de descanso”.
As razões para Bernardo e o seu colega conseguirem parar a viatura foram, assegura o jornalista, as “condições da via”, além da “estabilidade geral do modelo em causa e os seus sistemas eletrónicos de segurança”.
Sobre a especial atenção de que este tipo de veículos carece na sua condução, Bernardo Gonzalez afirma que “os modelos superdesportivos têm capacidades muito superiores face a automóveis que podemos chamar de ‘correntes’”. Nesse sentido, estes carros “têm uma condução muito mais exigente e requerem uma habilidade de condução bem acima da média”, uma vez que “as reações perto do limite são muito mais bruscas e a margem de erro torna-se muito menor”, embora possuam “uma aerodinâmica concebida para garantir maior controlo a velocidades elevadas”.
Sem querer entrar em conjeturas sobre que aconteceu na província espanhola de Zamora, mas sem ignorar o universo de possibilidades que poderão ter tido lugar no quilómetro 65 da A-52, o jornalista lembra que “os automóveis foram pensados para circular na estrada, para transportar pessoas e bens e não para bater”.
Sobre o posicionamento do motor e do seu depósito, aliados ao combustível (gasolina), Bernardo Gonzalez alerta para o facto de o derrame de gasolina apresentar “mais perigos, principalmente por ser mais inflamável”. Mas o jornalista automóvel assegura que “os riscos são diminutos”, uma vez que “tudo é estudado para comportar embates de determinada dimensão e severidade. Caso contrário, o modelo não estaria em conformidade com a legislação”.
O Huracán EVO - carro em que Diogo Jota e André Silva, seu irmão, seguiam - é um modelo da Lamborghini que tem 640 cavalos de potência, com um motor V10 de 5.200 centímetros cúbicos e uma aceleração dos zero aos 100km/h em 2,9 segundos.