“O mais importante” é que Jota vai estar no próximo jantar. E no jantar a seguir a esse. E no jantar depois desse. Porque o mais importante não é um passe, um remate, um golo: o mais importante é chegar à mesa para se jantar e querer que Jota esteja lá. No dia do funeral dele e do irmão André Silva foram dadas lições sobre o que é mesmo mais importante. E isso é profundamente bonito mas intimamente doloroso
O funeral de Diogo Jota e do irmão André Silva realizou-se este sábado na Igreja Matriz de Gondomar. A cerimónia começou pouco depois das 10:00 horas, com Rúben Neves, internacional português, a ajudar a transportar o caixão de Diogo Jota, acompanhado da mulher. Já a urna de André Silva foi levada até à igreja pelo plantel do Penafiel. A missa foi presidida pelo bispo do Porto, Manuel Linda. Terminou perto das 11:00 horas, tendo o cortejo fúnebre seguido para o cemitério de São Cosme, onde decorreu a cerimónia privada.
No final da cerimónia, Roberto Martinez deixou uma curta declaração em português e em inglês aos jornalistas presentes. "Hoje foi uma demonstração para o Diogo Jota e para o André Silva de que somos uma família, de que estamos juntos e que somos Portugal", disse o selecionador, agradecendo a presença de todos os que vieram prestar uma última homenagem ao internacional português e ao irmão. "Estamos com o Diogo Jota e com o André Silva todos, todos juntos".
Rúben Neves e João Cancelo, que jogaram às 20:00 pelo Al-Hilal nos quartos de final do Mundial de Clubes, que se joga nos Estados Unidos, conseguiram chegar a tempo da cerimónia. Horas antes, emocionaram-se durante o minuto de silêncio, imagens que correram pelo mundo, tendo sido amparados pelos colegas de equipa. Pedro Neto, que também esta sexta-feira jogou pelo Chelsea, protagonizou outra forte homenagem, transportando consigo uma camisola com o nome dos dois irmãos.
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— DAZN Portugal (@DAZNPortugal) July 5, 2025
Também entre os presentes, está o selecionador nacional Roberto Martínez, que chegou acompanhado de algum staff da Seleção, bem como dos ex-jogadores Abel Xavier e Ricardo Carvalho. Martínez, que foi recebido com aplausos pela população que está à porta, chegou momentos antes de vários companheiros de seleção do internacional português, que morreu num despiste automóvel na madrugada de quinta-feira. Marcaram presença nomes como Rúben Dias e Bernardo Silva, que chegaram com flores, Nélson Semedo, Bruno Fernandes, ou Danilo.
No grupo estavam incluídos muitos atletas que partilharam balneário com Diogo Jota - João Félix, José Fonte, André e Ricardo Horta eram alguns dos integrantes.
À chegada, Bernardo Silva falou sobre a perda de um amigo. Jota, garantiu, "foi pelos caminhos mais difíceis" para construir uma brilhante carreira. "Não consigo sequer imaginar a dor da família, da Rute, dos filhos, dos pais. Pelo André e pelo Jota. Devo falar um bocadinho sobre o Jota, que era um grande amigo de todos nós. A sua carreira, ainda não sendo o mais importante, fala por si. Não fez formação em nenhum dos grandes e foi pelos caminhos mais difíceis. A sua paixão, vontade e garra fez com que ele conseguisse triunfar na vida e tivesse feito uma carreira brilhante. Mais importante do que isso, como pessoa… as memórias que ficam… o Jota ficará para sempre no nosso coração. Estará sempre presente em todos os pequenos-almoços, almoços, jantares, convívios de Seleções, jogos de PlayStation ou de cartas", disse o jogador do Manchester City à TVI.
A equipa do Liverpool, clube que Diogo Jota representava, também regressou a Gondomar para o funeral, um dia depois de jogadores como Virgil van Dijk, Curtis Jones, Andrew Robertson, Alexis Mac Allister e Chiesa terem marcado presença no velório do avançado português, onde, juntamente com o treinador Arne Slot, prestaram homenagem ao internacional português.
Esta manhã, liderados pelo capitão de equipa, os jogadores dos 'reds' protagonizaram um momento arrepiante, ao levarem consigo uma réplica da camisola de Jota composta por flores encarnadas. Igualmente, antigos jogadores do emblema britânico, como o inglês Jordan Henderson e os brasileiros Fabinho e Thiago Alcântara, estiveram presentes no último adeus a Jota.
Quem não conseguiu estar presente foi o guarda-redes Alisson que, nas redes sociais, recordou o “grande amigo” Diogo Jota, com quem partilhou balneário nas últimas cinco temporadas. “Normalmente, faço publicações com lógica, mas hoje nada faz sentido. Uma vez mais, um oceano impede-me de dizer adeus a alguém que amo. Mas eu sei que estou bem representado pelos meus colegas de equipa”, escreveu o internacional brasileiro no Instagram. “Para ti, minha amiga Rute Cardoso, quero apenas que saibas que nunca caminharás sozinha [‘you will never walk alone’, o lema do Liverpool], estaremos contigo tão rápido quanto possível”, disse, dirigindo-se à mulher de Diogo Jota.
O guarda-redes dos ‘reds’ vai lembrar-se do antigo colega como “um grande amigo, pai e marido”.
Também Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, esteve presente no último adeus aos dois jogadores. Paralelamente, nas redes sociais, a FPF deixou uma homenagem ao avançado português. "Serás para sempre recordado. Descansa em paz, Diogo Jota".
Serás para sempre recordado. Descansa em paz, Diogo Jota. 🤍
You will always be remembered. Rest in peace, Diogo Jota. 🤍 pic.twitter.com/VMCSlQ6c8A
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Diogo Jota, de 28 anos, e o irmão André Silva, de 25, morreram na quinta-feira de madrugada, num acidente de viação na A52, em Cernadilla, Zamora, em Espanha.
O avançado internacional português jogava no Liverpool, emblema que representava há cinco épocas e pelo qual venceu uma Liga inglesa, uma Taça de Inglaterra e duas Taças da Liga, sagrando-se ainda campeão do Championship, o segundo escalão inglês, com o Wolverhampton.
Depois da formação no Gondomar e no Paços de Ferreira, o avançado representou por uma época o FC Porto, por empréstimo do Atlético de Madrid, sendo depois cedido pelos espanhóis ao Wolverhampton, no qual esteve três temporadas.
Na principal seleção portuguesa, Diogo Jota somou 49 internacionalizações e 14 golos, tendo conquistado duas edições da Liga das Nações, a mais recente no mês passado, em Munique.