O que se passa no Báltico? Há danos "sem precedentes" no Nord Stream após Dinamarca e Suécia relatarem fugas de gás

27 set, 11:10
Mancha provocada pela fuga de gás no Nord Stream (Forças Armadas da Dinamarca)

Gasoduto que liga Rússia à Europa Central teve uma queda abrupta da pressão. Ainda não se sabem as causas, mas as autoridades dos países escandinavos já pediram que os navios fiquem longe da zona afetada

As autoridades de Dinamarca e Suécia estão a investigar fugas de gás nos gasodutos Nord Stream 1 e 2, que ligam a Rússia à Europa através do Mar Báltico, transportando por ali gás natural. Tudo isto depois de quedas abruptas da pressão no gasoduto número 2, que passou de 105 bares para apenas 7 de forma inesperada. Para já ainda não se sabem as causas deste incidente.

A agência de energia da Dinamarca começou por relatar uma fuga de gás no Nord Stream 2, cuja finalização foi suspensa por causa da invasão russa da Ucrânia, perto da ilha de Bornholm. Mais tarde, já esta terça-feira, a Autoridade Marítima da Suécia detetou duas fugas de gás no Nord Stream 1, uma perto da sua costa e a outra igualmente junto à ilha de Bornholm.

Para já, as autoridades de ambos os países estão a pedir aos navios que evitem aquela área, pelo menos enquanto decorrer a investigação para apurar a causa das fugas de gás. Adicionalmente, a Autoridade Marítima da Suécia pediu ainda aos aviões que mantenham uma “altitude de segurança” de mil metros à passagem por aquela zona.

Entretanto as Forças Armadas da Dinamarca divulgaram as primeiras imagens do local, que mostra uma mancha de grande dimensão.

Mancha provocada pela fuga de gás no Nord Stream (Forças Armadas da Dinamarca)

As primeiras deficiências no gasoduto Nord Stream 2, que funciona em paralelo com o Nort Stream 1, foram detetadas na noite de domingo.

“As autoridades já foram informadas de que se registam dois pontos de fuga no gasoduto Nord Stream 1, que também não está operacional, mas que contém gás”, disse o ministro dinamarquês para o Clima e a Energia através de um comunicado citado pela agência France Press.

Na mesma nota, o governo da Dinamarca diz que o país está a “incrementar o nível de preparação do setor de eletricidade e do gás” mas não forneceu mais detalhes.

Danos "sem precedentes"

Já esta terça-feira, a empresa que gere a infraestrutura confirmou "quebras de pressão” no Nord Stream 1 após as deficiências verificadas no Nord Stream 2, bloqueado após a invasão russa da Ucrânia.

Num comunicado citado pela agência Reuters, a Nord Stream AG, com sede na Suíça, referiu que três linhas do gasoduto que passa no Mar Báltico tiveram danos "sem precedentes" num dia. De resto, a empresa responsável não conseguiu adiantar uma estimativa para que a total capacidade do gasoduto seja reposta.

"A destruição que ocorreu no mesmo dia simultaneamente em três cadeias de gasodutos offshore do sistema Nord Stream não tem precedentes. Ainda não é possível estimar o momento da restauração da infraestrutura de transporte de gás", indicou a empresa.

O Nord Stream 1, com capacidade para enviar 55 mil milhões de metros cúbicos de gás russo por ano, está parado depois de a Rússia ter comunicado uma fuga de óleo numa estação de compressão que ainda se encontrava a funcionar.

Moscovo afirma que a turbina afetada pela avaria, tal como outras que têm verificado falhas, não pode ser reparada pela empresa Gazprom, que controla a infraestrutura, devido às sanções internacionais.

Esta posição de Moscovo é encarada pela União Europeia como “uma desculpa” que funciona como chantagem contra a Europa usando o “gás como uma arma”.

Kremlin admite sabotagem

A presidência russa reagiu às mais recentes notícias de fugas de gás, numa situação que considera "muito preocupante". Citado pela agência Reuters, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o caso requer uma investigação imediata.

De resto, o responsável acrescentou que não pode ser deixada de lado a hipótese de as fugas de gás serem resultado de uma sabotagem, não indo mais longe nesta suposição.

"Chegou-nos informação da Gazprom e do operador. São notícias perturbadoras, estamos a falar da destruição de um tubo", acrescentou.

Comissão Europeia acompanha situação

A Comissão Europeia garantiu que está a acompanhar a situação com os gasodutos no Báltico, dizendo que não houve nenhum impacto em relação à segurança no local.

"A esta altura é muito prematuro especular causas", disse um porta-voz à Reuters, acrescentando que a situação vai continuar a ser acompanhada.

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