Uma delegação norte-americana visita a partir de quinta-feira a Gronelândia sem qualquer convite por parte dos governos da ilha ou da Dinamarca
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou esta terça-feira que os Estados Unidos estão a exercer “uma pressão inaceitável” sobre a Gronelândia. A declaração foi feita antes da visita de uma delegação de alto nível dos EUA àquele território dinamarquês, prevista para esta semana.
“Tenho de dizer que é uma pressão inaceitável que está a ser colocada sobre a Gronelândia e a Dinamarca nesta situação. E é uma pressão a que iremos resistir,” afirmou Frederiksen à TV2.
A visita, que deve ocorrer entre quinta e sábado, será liderada por Usha Vance, segunda-dama dos EUA, e contará com a presença do conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Mike Waltz, e do secretário de Energia, Chris Wright.
A delegação norte-americana não foi convidada pelos governos da Gronelândia ou da Dinamarca.
Brian Hughes, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, explicou que a delegação visa "conhecer a Gronelândia, a sua cultura, história e população".
No entanto, Frederiksen rejeitou a ideia de que a visita seja de caráter privado: “Não se pode fazer uma visita privada com representantes oficiais de outro país”.
Antes da sua chegada à Casa Branca, Donald Trump afirmou que pretendia comprar a Gronelândia e que não excluiria o recurso à força militar ou a sanções económicas para se apoderar da ilha.
Os EUA têm uma base no norte da ilha ao abrigo de um acordo de defesa alargado com a Dinamarca, assinado há sete décadas, que inclui a possibilidade de uma maior presença militar americana.
A ilha, com dois milhões de quilómetros quadrados (80% cobertos de gelo) e uma população de apenas 56 mil habitantes, tem um novo estatuto desde 2009 que reconhece o seu direito à autodeterminação.