O mistério do avião da TAP. O que aconteceu à aeronave que falhou a aterragem em Copenhaga?

14 abr, 19:04
Airbus 320 da TAP, semelhante ao que foi implicado num "incidente grave" em Copenhaga (fonte: Getty)

Na reação ao incidente que aconteceu no dia 8 de abril, a companhia aérea portuguesa anunciou que o aparelho regressaria a Portugal na segunda-feira. Mas, o A320 permanece no Aeroporto Internacional da Dinamarca

“As verificações técnicas foram devidamente efetuadas no avião, que já foi libertado e voltará a voar para Lisboa”, as declarações são da TAP e foram feitas na passada segunda-feira. Mas, desde então, a aeronave não regressou a Portugal. Passadas mais de 130 horas desde o incidente, o avião, segundo apurou a CNN Portugal, continua em solo dinamarquês.

Contactada pela CNN Portugal, esta quinta-feira, a TAP esclarece que a previsão inicial para o regresso da aeronave a Portugal não se cumpriu por falta de certificação das autoridades dinamarquesas para a viagem.

De acordo com o site especializado em acidentes e incidentes aéreos The Aviation Herald, o Airbus A320-200 da companhia aérea portuguesa, com a matrícula CS-TNV, que transportava 102 passageiros e sete elementos da tripulação, foi obrigado a abortar a aterragem na passada sexta-feira quando já estava próximo da pista, depois de a aeronave ter perdido drasticamente velocidade sobre o solo.

Cerca de 20 minutos depois, a aeronave da TAP efetou uma nova tentativa de aproximação à pista e desta vez a aterragem foi bem sucedida.

O A320 encontra-se Aeroporto de Copenhaga, onde estará a ser sujeito a verificações do Havarikommissionen da Dinamarca (AIB DK), conselho de investigação de acidentes aéreos dinamarquês, da própria Airbus e de uma empresa subcontratada pela TAP. Este é um procedimento comum sempre que existe algum tipo de avaria numa aeronave, quer em Portugal como na maioria dos outros países do mundo.

Contactada pela CNN Portugal, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) diz que o processo está a cargo do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que é "organismo do Estado Português que tem por missão investigar acidentes e incidentes graves na aviação civil e no transporte ferroviário". Também a ANAC considera este atraso como comum, uma vez que a libertação da aeronave só é feita quando estiverem garantidas todas as condições de segurança, o que pode demorar diferentes períodos de tempo consoante o tipo de avaria.

"A manutenção tem que verificar e liberar o avião. Isto pode demorar algum tempo, mais ou menos dependendo do tipo da avaria detetada", explica a ANAC.

Quanto ao regresso da aeronave a Portugal, o responsável português diz que este “é um assunto que transcende o GPIAAF”. A CNN Portugal sabe, no entanto, que o avião não deverá voltar a aterrar a solo nacional antes do início da próxima semana.

GPIAFF foi imediatamente notificado e tem estado a colaborar com as autoridades dinamarquesas

O GPIAFF explica à CNN Portugal que foi notificado ainda na sexta-feira e que imediatamente desencadeou todas ações e entrou em contacto com a autoridade de investigação dinamarquesa, “a quem compete a primazia do direito e obrigação de investigação”. A autoridade portuguesa esclarece ainda que tem estado desde então a colaborar no processo de averiguação.

“No âmbito do processo de investigação aberto por esse organismo homólogo, e conforme previsto no Anexo 13 da ICAO e no Regulamento (EU) 996/2010, o GPIAAF enquanto representante do Estado de registo e do Operador, está a colaborar com a investigação”, explica o GPIAFF.

Perante as questões da CNN Portugal, O GPIAFF remeteu a resposta para o comunicado da própria AIB DK, onde se pode ler que na “sexta-feira, 8 de abril, às 12:05 um incidente sério ocorreu com um avião Airbus A320-200 durante a aterragem no Aeroporto Internacional de Copenhaga, Kastrup”.

O documento descreve ainda o incidente em detalhe: “A tripulação abortou a aterragem e iniciou uma manobra de go-around. Durante o processo, o reversor do motor esquerdo da aeronave não estava fechado corretamente, o que afetou a capacidade de ganhar altitude e reduziu o controlo dos pilotos sobre o avião. As asas ou motores da aeronave não entraram em contacto com o solo durante a aterragem abortada ou, subsequentemente, na manobra de go-around”.

Na imagem é possível verificar-se que o reversor do motor esquerdo da aeronave permanecia aberto. Foto: The Aviation Herald

“Não foram reportados ferimentos entre os 109 ocupantes”, aponta o comunicado da autoridade dinamarquesa.

Os responsáveis dinamarqueses salientam que o “incidente grave” ocorreu em plena luz do dia e sob condições meteorológicas adversas, garantido que as investigações de segurança continuam em andamento.

Esta ocorrência colocou os passageiros em perigo? 

Pilotos contactados pela CNN Portugal explicam que esta manobra de go-around, ou borregar, consiste em descontinuar uma aproximação à pista por qualquer razão e que é uma das manobras mais comuns da aviação civil.

Os especialistas garantem que ninguém esteve em perigo e destacam o modo como a tripulação lidou com toda a ocorrência perante as condições meteorológicas adversas, os ventos cruzados que se faziam sentir e a avaria inesperada no motor principal da asa esquerda. Os passageiros terão estado sempre a par da ocorrência, porque, de acordo com os aviadores, ou o comandante ou um membro da tripulação faz sempre um discurso para avisar o resto dos ocupantes da aeronave.

Os pilotos entrevistados, que preferiram não ser identificados, acreditam que o voo de retorno a Portugal poderá ser feito já com passageiros a bordo da aeronave, de modo a minimizar os prejuízos da ocorrência para a companhia aérea nacional.

Na segunda-feira, a TAP revelou que tinha conhecimento da ocorrência, garantindo que não tinha “qualquer relatório com danos em qualquer parte da aeronave relacionada com o contacto com o solo”, como avançaram as primeiras notícias.

Quanto à trajetória e parâmetros do voo, a TAP garantia que “os dados de voo serão analisados durante o processo de investigação de segurança” que estaria a ser levado a cabo pelas autoridades dinamarquesas.

“Nesta fase, é demasiado cedo para tirar conclusões precipitadas antes do final da investigação”, explicou a TAP em resposta por escrito enviada à CNN Portugal.

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