Presidente do Peru acusa manifestantes de quererem "quebrar Estado de Direito"

Agência Lusa , AM
20 jan, 06:34
Protestos no Peru (EPA)

Dina Boluarte anunciou que as autoridades agirão "com todo o peso da lei" e estão "a identificar estes maus cidadãos que estão a gerar atos de violência" e “atos criminosos de vandalismo”.

A presidente do Peru, Dina Boluarte, acusou os manifestantes que pedem a sua renúncia de quererem "quebrar o Estado de Direito", numa altura em que os protestos antigovernamentais se alastraram à capital Lima.

"Quero desmentir as notícias falsas (...) o governo está firme e o executivo mais unido do que nunca", garantiu na quinta-feira à noite Boluarte, numa declaração à imprensa, rodeada por um grupo de ministros no Palácio do Governo.

A chefe de Estado assegurou que, apesar do aumento dos confrontos, mantém o apelo ao diálogo com as forças políticas e sociais que exigem a sua demissão, a dissolução do Congresso e a convocação imediata de eleições para uma assembleia constituinte.

Boluarte dirigiu-se aos manifestantes para defender que os protestos “estão à margem da lei" e acusou-os de quererem "quebrar o Estado de Direito, gerar caos e desordem para tomar o poder da nação".

“Eles estão errados, do Governo dizemos ao povo peruano: a situação está controlada e será controlada”, prometeu a presidente.

Também na quinta-feira, o Peru alargou às regiões de Amazonas, La Libertad e Tacna o estado de emergência que já tinha sido imposto, a meio de dezembro, em sete regiões do país, para tentar conter os protestos.

Boluarte anunciou que as autoridades agirão "com todo o peso da lei" e estão "a identificar estes maus cidadãos que estão a gerar atos de violência" e “atos criminosos de vandalismo”.

Dezenas de milhares de pessoas, muitas delas de regiões pobres e remotas dos Andes, manifestaram-se na quinta-feira em Lima, com a polícia a responder disparando gás lacrimogéneo.

A chefe de Estado também elogiou o trabalho da polícia peruana, que descreveu como "imaculado", durante as manifestações de quinta-feira em Lima "e em alguns locais específicos onde ocorreram protestos violentos".

Várias organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, exortaram as autoridades a terminar com o “uso indevido da força contra a população civil” e assegurar o respeito pelos direitos humanos.

Até ao momento, pelo menos 54 pessoas, incluindo um agente policial, foram mortas durante os protestos, iniciados no início de dezembro e que registaram uma pausa no Natal e início do ano, para serem retomados nos primeiros dias do ano.

"Os atos de violência gerados ao longo destes dias, de dezembro até agora, em janeiro, não ficarão impunes, o governo agirá no quadro da Constituição e das leis", afirmou Boluarte.

A presidente acusou os manifestantes de quererem “apoderar-se de três aeroportos do interior do país” e acrescentou que o Governo tem os relatórios que indicam que a tentativa “foi preparada com premeditação, com muita antecipação”.

Centenas de manifestantes entraram na quinta-feira nas instalações do aeroporto de Arequipa, a segunda maior cidade do Peru, após derrubarem as vedações metálicas do perímetro do terminal aéreo, forçando à suspensão das operações.

A punição para os responsáveis policiais e militares envolvidos na sangrenta repressão dos protestos e a libertação do ex-presidente Pedro Castillo – acusado de promover um “golpe de Estado” constitucional e em prisão preventiva –, são outras reivindicações da população.

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