Fábricas ainda estão na “pré-história” e têm de acelerar aposta digital

10 nov, 14:03
Indústria

Indústria portuguesa procura aderir à transformação digital para competir a nível internacional. Parcerias são fundamentais para que esta mudança seja acessível para todas as empresas

Debate sobre a transformação digital na indústria, moderada por André Veríssimo, com a participação de José Manuel Elias (CIN), João Ricardo Moreira (NOS), Rui Veloso (Microsoft) e Paulo Morgado (Antas da Cunha)
Hugo Amaral / ECO

"Para ver o seu grau de avanço, a empresa tem de perguntar o que aprendeu hoje com as máquinas.” Paulo Morgado, sócio da sociedade de advogados Antas da Cunha, deu o mote para o debate sobre os facilitadores da transformação digital no primeiro painel da Fábrica 2030, conferência do ECO que decorre esta quinta-feira na Alfândega do Porto. Mas Portugal ainda está na “pré-história da transformação digital”, nota o ex-presidente da Capgemini para o mercado ibérico.

“Estamos muito abaixo do potencial da indústria. Há alguns anos fizeram-se algumas experiências, há experiência e conhecimento acumulado sobre a matéria, mas há muitos projetos-piloto que estão condenados a não resistir às provas de resiliência a que têm de estar sujeitos em caso de massificação”, atira João Ricardo Moreira, administrador da NOS. E a indústria portuguesa tem mesmo de se tornar numa velocista. “Há sentido de urgência em Portugal, o que pode acelerar a transformação”, acrescenta o gestor.

João Ricardo Moreira, administrador da NOS
Hugo Amaral / ECO

O administrador da empresa de telecomunicações detida pela Sonae assinala que “a maior parte das empresas industriais não tem capacidade”, de forma autónoma, “para promoverem investigação e desenvolvimento”. A solução deverá passar por “redes de soluções” porque ” as empresas beneficiam quando há uma referência”, aconselha João Ricardo Moreira.

Mantendo a toada velocista, “a evolução do produto vai passar por termos capacidades e as pessoas para nos adaptarmos rapidamente, para tomarmos ações”, considera Rui Veloso, especialista principal na área de solução da Microsoft. O responsável da gigante tecnológica atenta que uma das mudanças da 4.ª Revolução Industrial tem a ver com a entrega das soluções.

Rui Veloso, especialista da Microsoft
Hugo Amaral / ECO

“No passado, uma empresa tinha de comprar a tecnologia à cabeça. Agora, temos modelos de adoção e libertamos a solução ao longo do tempo. Há menos desperdício [e] os clientes vão adotando e pagando a tecnologia à medida do tempo”, tornando a despesa menos dolorosa para a tesouraria, salienta Rui Veloso, gestor da Microsoft em Portugal.

Fim dos stocks?

Machine learning, robótica e linguagem natural são três elementos fundamentais para que as empresas possam transformar-se e aderir a esta revolução tecnológica. Dentro de uma fábrica, a transformação será visível apenas graças ao uso da tecnologia 5G, segundo o administrador da NOS. “Em fábrica, não é possível, de forma consciente, usar o wi-fi [rede sem fios] para substituir as comunicações todas. Daí o 5G ser tão necessário para conseguir lidar com todos estes dados”, prevê João Ricardo Moreira.

Rui Veloso, da Microsoft, aponta que “a cloud está a vir para a indústria e para a inovação”. Mas tecnologia não chega. “As pessoas são o motor da 4.ª Revolução Industrial. O que mais interessa é a parte cultural, de melhoria das qualificações, de termos pessoas digitalmente nativas”, proclama José Manuel Elias, responsável tecnológico da CIN.

José Manuel Elias, diretor de tecnologia da CIN
Hugo Amaral / ECO

Para o porta-voz da líder ibérica de produção e tintas e vernizes, “é preciso usar a tecnologia que faz sentido”, com equipamentos que “sejam tecnologicamente evoluídos e sensorizados” e que tenham consumo energético “o mais eficiente possível para garantir que não há um curto-circuito nas contas”.

Graças ao processo de modernização, antecipa José Manuel Elias, “em 2030 vamos produzir em função do que vai ser consumido no momento e não vai ser necessário ter stocks“. A transformação, nesta altura, não será apenas digital, mas na forma como as empresas vão vender aos consumidores e como gerem a sua estrutura de faturação.

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