Sete mentiras das dietas que prometem preparar o corpo para o verão

8 mai, 15:00
Dieta (Pexels)

Cortar nos hidratos de carbono, apostar no chá verde ou adotar uma dieta líquida. As opções são muitas, assim como as promessas… e a probabilidade de o resultado ficar aquém do esperado. A CNN Portugal falou com duas nutricionistas sobre o tema.

Preparar o corpo para o verão soa a tema de capa de revista dos anos 1990, mas a verdade é que continua a ser uma preocupação generalizada à medida que a temperatura vai subindo e as férias de verão se aproximam. Resulta? Nem sempre. E muito por culpa das dietas adotadas, muitas vezes pobres nutricionalmente e demasiado restritas, o que faz aumentar não só a taxa de desistência, como a vontade de compensar depois do verão.

À CNN Portugal, Rita Soares, nutricionista na Gastroclinic, afirma que “existem inúmeras dietas da moda”, mas deixa claro que “apenas 20% das dietas de emagrecimento têm sucesso”. 

As dietas que são demasiado restritivas acabam por ter o efeito oposto porque há um aumento das hormonas da fome e a pessoa acaba sempre com mais peso do que começou. Só mudanças no estilo de vida sustentáveis podem a longo prazo ter um efeito positivo e duradouro”, destaca Rita Soares.  

Então, faz sentido preparar o corpo para o verão? Para a nutricionista Bárbara Oliveira, “não, de todo”. “Nunca faz sentido preparar o corpo para o verão. O nosso corpo deve ser o nosso corpo o ano inteiro, devemos estar preocupados com a nossa saúde e bem-estar o ano inteiro, o aspeto físico acaba por ser uma consequência desse cuidado que temos todos os dias”, reforça Bárbara Oliveira.

“O ideal será sempre realizar uma alimentação saudável ao longo do ano, todo acompanhada de prática de exercício físico para que não sintam esta necessidade antes do verão” frisa Rita Soares.

Bárbara Oliveira defende que “devemos ter cuidado com a nossa alimentação durante todo o ano”. E dá dicas do que pode ser feito: “Beber água, praticar uma alimentação equilibrada, completa, variada. Isso é, sem dúvida, o mais importante”.

A nossa saúde deve estar em primeiro lugar, até para que a nossa saúde mental esteja trabalhada, pois se temos aquele pensamento de ficar magro para o verão acabamos por começar a descuidar porque, no fundo, fazer essas dietas restritivas é descuidar da alimentação”, enaltece Bárbara Oliveira.

Uma vez que as dietas de preparação para o verão são, na sua génese, dietas restritivas, pouco planeadas e de curta duração, as duas especialistas explicam as mentiras que cada uma esconde e quais os riscos.

7 mentiras das dietas que prometem preparar o corpo para o verão

1. A dieta detox/líquida ajuda a perder os quilos a mais antes das férias

De facto, “a dieta detox faz-nos perder peso rapidamente, mas esse peso perdido é mais à base da perda de massa muscular, porque se faz uma restrição calórica muito severa”, começa por explicar Bárbara Oliveira, que continua: “Depois também o recuperamos rapidamente porque comprometemos a nossa taxa metabólica basal”.

“Com a dieta detox perde-se peso muito rapidamente através da massa muscular, o que não é benéfico, porque a nossa massa muscular é o que ajuda a “queimar” mais calorias, isto é, ajuda a que o nosso metabolismo basal seja mais elevado e a taxa calórica que perdemos quando estamos em repouso é mais elevada se tivermos uma maior massa muscular”, reforça Bárbara Oliveira.

Também a nutricionista Rita Soares mostra reservas quanto a esta dieta, uma vez que “ a evidência deste tipo de dietas é limitada e a maioria dos estudos são realizados em animais”. Embora defenda que “qualquer pessoa pode beneficiar de aumentar a ingestão de legumes e frutas”, o que facilmente se consegue nestes sumos detox, importa fazê-lo “sem ter que recorrer a algo mais extremo e que pode levar a deficiências vitamínicas e proteicas”.

2. Banir os hidratos de carbono ajuda a emagrecer

Não é de todo mentira, mas há uma ratoeira (e consequências). E tudo começa no verbo banir, que desde logo deve ele próprio ser banido de qualquer plano alimentar. “Restringir completamente estes alimentos num curto espaço de tempo pode promover o emagrecimento, mas a longo prazo poderá levar à compulsão e ao aumento de peso mais descontrolado”, alerta Rita Soares.

Diz a especialista que “é possível fazer uma dieta equilibrada que seja mais pobre em alimentos ricos em hidratos de carbono, mas que ao mesmo tempo garanta todos os nutrientes sem excluir completamente este grupo alimentar”. 

3. Beber água morna com limão todas as manhãs ajuda a emagrecer

“Infelizmente é apenas um mito, não tem qualquer impacto no emagrecimento, mas é uma boa fonte de vitamina C, compostos antioxidantes e potássio”, destaca Rita Soares.

4. Mesmo quem não é celíaco deve cortar o glúten

“Não devemos cortar o glúten só porque sim”, começa a nutricionista Bárbara Oliveira. “Não é isso o que nos vai ajudar a perder peso”, frisa, A especialista diz que se “pode reduzir, mas não é necessário, sobretudo se a pessoa não é intolerante”. Porém, destaca que mais do que cortar no glúten - hábito que se tornou tendência nos últimos anos - as pessoas devem apostar em reduzir o consumo de “bolos de pastelaria, pão branco com farinha refinada, sobremesas”.

“O glúten é uma proteína que confere propriedades elásticas aos alimentos, dá aquela fofura extra aos alimentos, mas não é ela que faz propriamente aumentar o peso”, explica.

5. Cortar no consumo de alimentos com lactose ajuda a desinchar a barriga

“Aqui, a história da lactose é a mesma do glúten. Não ajuda a desinchar a barriga, só se a pessoa for intolerante à lactose”, esclarece Bárbara Oliveira.

6. Substituir a água por chá verde faz perder peso

“Não”, apressa-se a dizer Bárbara Oliveira. A nutricionista afirma que “o chá verde pode ter efeitos a nível da perda de peso, mas não são efeitos que tenham resultados imensos, tem de se beber muito chá verde para que isso aconteça, mas a água nunca deve ser substituída”. 

7. Substitutos de refeições são a melhor aposta

“Não, de todo”, diz Bárbara Oliveira. Esta é também uma mentira das dietas que prometem resultados rápidos. Mas a verdade é que não são duradouros e podem mesmo ser enganadores. “Não vale a pena substituir as refeições por aqueles batidos que muitas vezes têm adição de açúcar”, além de que podem não ser tão saciantes como uma refeição que implica o ato da mastigação, frisa a nutricionista.

Um estudo publicado em 2019 na revista Nutrition Journal revela que, no caso de pessoas com obesidade, a perda de peso em 16 semanas pode ser "significativamente melhor" com substitutos de refeições do que com uma dieta à base de alimentos, no entanto é maior a probabilidade de recuperar "significativamente mais peso" após apostar em substitutos de refeição.

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