Começar o ano a perder peso

10 jan, 10:58
Rita Rodrigues

A pivô da CNN Portugal Rita Rodrigues escreve sobre a dieta tantas vezes prometida para o início do ano

É daqueles clássicos, ano após ano: uma semana depois do ano novo sentimos o botão das calças mais apertado do que é costume. Balança? Passamos bem longe dela, porque não há necessidade de sermos confrontados com números indesejáveis, apenas alguns dias depois de termos reservado uma das dozes passas para aquele desejo de que neste ano é que vamos mesmo levar uma vida mais saudável.

Atiramos logo a culpa às sobras da passagem de ano (já para não falar das do Natal que ficaram pela mesa até dia 30, quando as tirámos porque tínhamos de a preparar para o fim de ano). E depois quem teve de ficar por casa em teletrabalho ou porque os miúdos não tinham aulas, estava constantemente a dar de caras com o queijo da serra que sobrou e a mousse de chocolate e o presunto e a torta de laranja.

Já quem voltou ao trabalho, decidido a almoçar uma sopa e mais nada, chegou ao escritório e tinha os ovos moles que o colega trouxe de Aveiro e a torta de amêndoa que a colega decidiu levar para partilhar. Possivelmente, a expressão ‘empurrar com a barriga’ foi inventada na primeira semana de um qualquer ano, sobre a forma como vamos adiando o início da dieta. E ‘cereja no topo do bolo’ (outra expressão que também fica aqui muito bem) chega o Dia de Reis e o patrão oferece bolo rei, ainda por cima com fios de ovos.



“A melhor dieta é não fazer dieta”

Enfim, não vale a pena chorar sobre leite derramado, mas sim ouvir quem pode ajudar-nos. E trago uma boa notícia, ou melhor quem a traz é a nutricionista Mariana Abecasis: “A melhor dieta é não fazer dieta”. Terei ouvido bem? “Temos de descolar da ideia de que para emagrecer é preciso fazer dieta”.

Podíamos ficar já por aqui e voltar à cozinha onde ainda devem estar algumas sobras das festas, mas… adivinharam… há um ‘mas’ no argumento de @mariana_abecasis_nutricionista. “O que é preciso, sim, é um base alimentar equilibrada para atingir e depois manter um peso saudável”.

“Infelizmente, ainda não existe uma poção mágica para emagrecer, nem uma dieta que sirva para todos. Daí a importância de se consultar um nutricionista, que implementa um plano personalizado às necessidades, rotinas, hábitos e preferências de cada pessoa. Só assim conseguimos construir um plano alimentar que seja viável a longo prazo”. E além do plano adaptado à pessoa, a nutricionista Lillian Barros sublinha outro trabalho fundamental: a reeducação alimentar.

Foi exactamente o que fez Weza Silva, muito conhecida nas redes sociais, mas também nos escaparates das livrarias, porque com o seu exemplo já inspirou muitas pessoas que precisam ou simplesmente querem perder peso. E @mrspreta perdeu 35 quilos como conta no livro ‘Emagrecer como a Weza’. “Eu costumo dizer que não fiz nem faço dietas. Mudei a minha alimentação, apenas isso. Quem está a fazer dieta pode ter resultados, mas se não mudar os hábitos definitivamente, volta à estaca zero”.

Sem ser tabu, dieta é palavra que a nutricionista Mariana Abecasis prefere não usar. “A pessoa não deve ficar com a sensação de que está toda a vida a fazer dieta. Deve antes adoptar uma plano equilibrado e saudável para toda a vida. Dessa forma conseguiriam estabilizar o peso, em vez do conhecido efeito io-io”.

É que o peso que se perde, facilmente se ganha de novo e, defende Lillian Barros, se há uma forma de evitar essa marcha-atrás é consciencializar as pessoas de que não podem voltar a comer tudo o que comiam. “Na fase de manutenção, o maior desafio é mesmo tornar os hábitos saudáveis numa rotina e não em algo passageiro. Nesta fase, o mais importante é fornecer ao indivíduo conhecimento que lhe permita fazer as suas próprias escolhas alimentares saudáveis, sem ter de depender sempre de um plano alimentar.” E @nutricionistalillian dá um exemplo: “É crucial saber interpretar rótulos alimentares, para perceber quais os produtos alimentares que são mais adequados, os que deve privilegiar e quais é preferível nem ter em casa, por serem muito tentadores.”

Esse conhecimento sobre o que se come foi um dos aspetos que Weza Silva considera mais importante no sucesso da sua perda de peso. “Foi um processo que envolveu pesquisa e busca de informação. Além de ter procurado um profissional, li muito sobre alimentação. O segredo foi perceber os alimentos. Fugir ao óbvio que são as dietas da moda e escolher entre os alimentos mais saudáveis, os que gosto mais”.

E por falar em segredos ou dicas, Lillian Barros preparou alguns: “Respeitarmos o nosso corpo, definirmos metas realistas e valorizarmos cada conquista. Planear as refeições e, no caso do trabalho presencial, preparar marmitas para levar. E procurar o apoio da família e/ou amigos“. Esse apoio pode ser fundamental para aqueles momentos em que as pessoas que estão a tentar emagrecer começam a vacilar. E eles existem, como se recorda Weza Silva: “Houve momentos em que era chato levantar cedo todos os dias para ir treinar e preparar refeições com alimentos novos. Mas depois também pensava que era chato voltar a olhar para o meu corpo e não gostar dele. E entre um chato e outro, escolhi o primeiro”.



E quando chegamos ao peso desejado?


Quando chegamos à balança e percebemos que atingimos o número que queríamos, entramos noutra fase.

“Numa fase de perda de peso temos de ser um pouco mais restritivos, enquanto que numa fase de manutenção temos uma base saudável que permite fazer alguns disparates”, autorizam as nutricionistas. “Não significa que não possamos comer um doce de vez em quando, significa é que quando o consumirmos o faremos de forma consciente e moderada. Se, por ventura, comermos mais do que tínhamos estipulado, não encaremos como se estivesse tudo perdido. Devemos, sim, retomar o mais rapidamente possível a rotina saudável”.

É a essa rotina que Weza volta quando foge do peso ideal. “Noto que basta descuidar-me um pouco e o corpo reage logo. Mas não me incomoda porque já o conheço e sei que voltando aos hábitos, ele volta ao normal.”

Ou seja, saber que depois de uma fase de descuido ou exagero é necessário regressar à rotina saudável. Como diz Lillian Barros, “o plano alimentar deve continuar a existir como orientação e ‘porto de abrigo’ mas já com esta maior liberdade”.  E quando a pessoa sabe usar de forma equilibrada essa liberdade, uma boa parte do trabalho está feita, porque é sinal que as prioridades estão enraízadas. “Só quando a pessoa encara isto como um hábito para a vida toda é que o plano resulta” conclui Mariana Abecasis.
 

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