Votação foi de sete pessoas a favor desta decisão e de uma pessoa contra
Uma comissão de alto nível do Vaticano votou contra a possibilidade de as mulheres católicas servirem como diáconos, mantendo a prática da Igreja global de um clero exclusivamente masculino, segundo um relatório entregue ao Papa Leão e divulgado esta quinta-feira, informa a agência Reuters.
A comissão, numa votação de 7-1, disse que a investigação histórica e teológica "exclui a possibilidade" de permitir que as mulheres sirvam como diáconos neste momento, mas recomenda um estudo mais aprofundado da questão.
"O status quaestionis da pesquisa histórica e da investigação teológica, bem como as suas implicações mútuas, excluem a possibilidade de avançar na direção da admissão de mulheres ao diaconado entendido como um grau do sacramento da Ordem. À luz da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério da Igreja, esta avaliação é fortemente mantida, embora não permita atualmente formular um juízo definitivo, como é o caso da ordenação sacerdotal." Esta é, segundo o jornal oficial do Vaticano, a conclusão a que chegou a segunda comissão presidida pelo cardeal Giuseppe Petrocchi, arcebispo emérito de L'Aquila, Itália, que - a pedido do Papa Francisco - examinou a possibilidade de se proceder à ordenação de mulheres como diáconos. Isto é explicado no relatório de sete páginas que o cardeal enviou ao Papa Leão XIV a 18 de setembro e que agora é tornado público a pedido do Papa.
O relatório resume os argumentos a favor e contra. Os apoiantes argumentam que a tradição católica e ortodoxa de reservar a ordenação diaconal (bem como a ordenação sacerdotal e episcopal) apenas aos homens parece contradizer “a igual condição do homem e da mulher como imagem de Deus”, “a igual dignidade de ambos os géneros, com base nesta referência bíblica”; a profissão de fé de que “já não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois ‘um’ em Cristo Jesus” (Gálatas 3: 28); e desenvolvimentos sociais "que promovem a igualdade de acesso de ambos os géneros a todas as funções institucionais e operacionais."
Do lado oposto, foi apresentada a seguinte tese: "A masculinidade de Cristo e, portanto, a masculinidade de quem recebe a Ordem, não é acidental, mas é parte integrante da identidade sacramental, preservando a ordem divina da salvação em Cristo. Alterar esta realidade não seria uma simples adaptação do ministério, mas uma rutura do sentido esponsal da salvação."
Apesar de tudo, a Comissão expressou a esperança de que "o acesso das mulheres aos ministérios instituídos para o serviço da comunidade possa ser alargado (...), assegurando assim um reconhecimento eclesial adequado da diaconia dos batizados, particularmente das mulheres". "Tal reconhecimento será um sinal profético, especialmente onde as mulheres ainda sofrem situações de discriminação de género".