Diabéticos sem prioridade na vacinação de reforço e da gripe: associação acusa autoridades de fazerem "tábua rasa" da doença

Beatriz Céu , BCE
7 jan, 20:32
Diabetes (arquivo)
Diabetes (arquivo)

Os jovens com diabetes não foram considerados prioritárias para a terceira dose covid-19, além de não estarem a ser chamadas para a vacinação da gripe. Associação diz "não ter explicações" para mudança de estratégia

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A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) defendeu quinta-feira que as faixas etárias mais jovens com diabetes devem ser "rapidamente" vacinadas com a dose de reforço da covid-19, ao mesmo tempo que os maiores de 50 anos, afirmando que “não há qualquer explicação” para que estes doentes não mantenham uma prioridade que lhes foi concedida nas anteriores fases de vacinação.

“Consideramos fundamental que nesta fase em que já estamos a vacinar as pessoas com 50 anos de idade entrem também as pessoas abaixo dessa idade que tenham comorbilidades, como é o caso da diabetes”, afirmou o presidente da ADPD, José Manuel Boavida, em declarações à CNN Portugal.

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O responsável da associação, que esta quarta-feira emitiu um comunicado no qual apela precisamente à vacinação de crianças e adultos com diabetes, questionou “como é que a DGS, que noutras vezes considerou esta doença como um fator de risco para prioridade na vacinação, desta vez fez uma tábua rasa sobre essa mesma doença?”.

Para José Manuel Boavida, “não há explicação nenhuma” para que os diabéticos mais jovens ainda não tenham sido chamados para a dose de reforço, até porque “o fator de risco da diabetes para a covid-19 é reconhecidíssimo”, uma vez que a diabetes descompensa sempre que o organismo é exposto a uma infeção, e essa infeção, por sua vez, pode provocar uma “diminuição da imunidade”.

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Além disso, acrescentou, existem mesmo “estudos que mostraram que o vírus poderia introduzir-se no próprio pâncreas e diminuir a produção de insulina”, levando à descompensação da diabetes.

Diabéticos não estão a ser chamados para a vacina da gripe

Além de não estarem incluídos no grupo prioritário para a terceira dose, os diabéticos também não estão a ser chamados para a vacina da gripe, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores.

“Com a conjugação da vacina da gripe com a vacina da covid-19, todo o sistema dos centros de saúde deixou de funcionar para a vacinação dos diabéticos, e, como tal, os diabéticos mais jovens estão neste momento afastados da vacina da gripe”, indicou José Manuel Boavida.

Para o responsável, este problema poderia ficar resolvido “em dois ou três dias”, se as autoridades colaborassem nesse sentido e se abrissem “um espaço especial” para que esta população com comorbilidades possa ser “rapidamente vacinada”.

“Neste momento, estamos todos convencidos de que esta estirpe é menos grave, mas para as pessoas vulneráveis pode ser ainda bastante complicada, como mostram os números de pessoas internadas em cuidados intensivos”, acrescentou.

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Questionado sobre o impacto da pandemia entre os diabéticos, o presidente da APDP avançou com dados sobre a primeira fase da pandemia, relativos a 2020: “Cerca de 30 a 40% das pessoas que estavam internadas com covid-19 eram diabéticas; nos cuidados intensivos, eram cerca de um terço, (...) e um quarto das pessoas que faleceram tinham diabetes.”

Rastreio e acompanhamento dos diabéticos diminuíram com a pandemia

Além disso, o responsável indicou que, desde o início da pandemia, “há claramente uma diminuição do acompanhamento das pessoas com diabetes”, quer ao nível do rastreio da retinopatia [uma das principais causas de cegueira nos diabéticos] – que, de acordo com Manuel Boavida, “praticamente” só tem sido feita pela APDP – quer ao nível da identificação do risco de pé diabético [uma infeção no pé que pode levar à amputação].

“Na maior parte das Administrações Regionais de Saúde o rastreio da retinopatia pura e simplesmente foi suspenso. (...) Obviamente haverá outras situações com a diminuição da capacidade de acesso aos cuidados de saúde, que pode ser extremamente grave para algumas das pessoas”, salientou.

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Além de estar a fazer pressão sobre o Ministério da Saúde e sobre a DGS, a APDP apelou aos outros partidos que concorrem às legislativas para "tomar uma posição" no combate à "pandemia da diabetes", que, embora não tenha a "visibilidade nem a urgência da pandemia da covid-19", "tem uma mortalidade semelhante" e causa um "grande sofrimento" nas pessoas.

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