Governo diz que diagnóstico precoce de doentes com cancro voltou aos níveis pré-pandemia

Agência Lusa , BMA
4 fev, 13:37

Número de doentes oncológicos operados cresceu 19% face a 2019 e a média do tempo de espera dos doentes inscritos baixou para 34 dias, disse Marta Temido

O diagnóstico precoce de doentes com cancro voltou em 2021 aos valores obtidos dos anos pré-pandemia, o número de cirurgias cresceu 19% face a 2019 e a média do tempo de espera dos doentes inscritos baixou para 34 dias.

Os números foram avançados pela ministra da Saúde, Marta Temido, numa sessão ‘online’ de apresentação dos Resultados dos Rastreios Oncológicos de Base Populacional 2019 e 2020, inserida nas comemorações do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, assinalado esta sexta-feira.

“Sabemos bem que a pandemia de covid-19 nos trouxe grandes desafios, sobretudo em 2020, causando disrupção em todos os sistemas de saúde na prevenção da doença, na prestação de cuidados no acompanhamento de casos, mas graças ao trabalho incansável de centenas de profissionais de saúde a recuperação tem sido conquistada diariamente”, afirmou Marta Temido.

Em 2021, o diagnóstico precoce voltou aos resultados obtidos nos anos de pré-pandemia, disse, exemplificando que, no rastreio do cancro do cólon e reto foram rastreados mais cerca de 57 mil pessoas, mais 44% face a 2019.

Por outro lado, apontou, a cobertura do rastreio foi melhorada, aumentando o número de unidades funcionais que asseguraram os três rastreios de base populacional.

Ao nível das cirurgias, Marta Temido avançou que o número de doentes oncológicos operados cresceu 19% face a 2019 e a média do tempo de espera dos doentes inscritos baixou para 34 dias.

“Foi porque unimos esforços que conseguimos estes resultados, porque foi possível manter os institutos de oncologia como hospitais ‘covid free’, porque foi possível continuar a investir na aquisição de equipamentos médicos pesados relevantes na área do cancro como os aceleradores lineares, porque foi possível contratar mais profissionais de saúde mesmo que saibamos que a área da oncologia pelo seu elevado desgaste beneficiaria de um regime diferenciado”, salientou.

Segundo Marta Temido, também foi possível “aprovar finalmente” o regulamento do reconhecimento do especialista em Física Médica e recrutar vários destes técnicos.

Assinalou ainda que a incidência do cancro tem aumentado não só em Portugal como na União Europeia. “Em 2020, 207 milhões de pessoas foram diagnosticadas com doença oncológica e 1,3 milhões perderam a vida”.

A ministra defendeu a urgência de ter uma estratégia nacional de abordagem do cancro assente em várias dimensões e alinhada com o do plano europeu contra o cancro.

“Claro que há um longo caminho percorrido na prevenção, muito se fez na atuação sobre fatores de risco, sendo exemplo as medidas contra o tabagismo ou o programa de vacinação contra o vírus do papiloma humano”, frisou.

Realçou ainda que, a nível na deteção precoce, existem há vários anos os três rastreios oncológicos de base populacional (cancros da mama, colo do útero e cólon e reto), sendo que “o Programa de Recuperação e resiliência prevê o seu alargamento de forma a assegurar uma cobertura populacional total”.

Mas, disse a ministra, “há muito caminho para continuar a percorrer” como concluir e implementar o Plano Nacional de Luta Contra o Cancro alinhado com o plano europeu construído com base em quatro pilares essenciais de abordagem desta doença: “a prevenção, a deteção precoce, o diagnóstico e tratamento e a qualidade de vida de doentes e sobrevivente”.

“Mas sobretudo importa ter bem presente que o desafio do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro é este ano o da luta contra a iniquidade no acesso e que há ainda demasiadas iniquidades para que possamos considerar que chegou o momento de descansar”, realçou Marta Temido, sustentando que este é o compromisso para continuar “a combater desigualdades também por esta via".

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