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Head of Communications & Market Relations - DFK Portugal

Mixed feelings sobre o Dia da Mulher

10 mar, 11:32

O Dia da Mulher não é uma celebração que me entusiasme particularmente, mas o rescaldo deste dia ajudou-me a organizar meia dúzia de ideias sobre o que me leva a ter mixed feelings sobre esta data.

Em primeiro lugar, porque a “luta pela igualdade de direitos” e o “combate à discriminação” são motes nos quais não me revejo, desde logo porque não sou fã de lutas e combates, nem tão pouco acho que a igualdade de género (ou a vida em geral) seja uma batalha.

Em segundo lugar porque embora a intenção seja a melhor, não me revejo em muitas das formas tradicionais de comemoração desta data. Acho, no entanto, que todos os esforços e iniciativas são válidos. É preferível assinalar de alguma forma esta data, do que ignorá-la. Mas muitas das iniciativas correm o risco de ser redutoras por pecarem por excesso na forma como acentuam detalhes ou características típicas do género feminino. Postais cor-de-rosa, flores e corações são elementos redutores para distinguir aquilo que somos como Mulheres.

Em terceiro lugar, a grande maioria das comemorações para a inclusão tendem a não ser inclusivas. Considero difícil que a mudança no sentido da igualdade de oportunidades seja feita a partir de salas cheias de mulheres. Quanto mais os homens forem excluídos destes debates e contributos, mais difícil fazermos este caminho em conjunto, e parece-me razoavelmente evidente que juntos chegaremos mais longe.

E finalmente, porque não acredito na “eliminação das diferenças de género”. Acho que os géneros são objetivamente diferentes e isso é uma bênção, e não algo que queiramos eliminar. Preferia que celebrássemos as diferenças de género, até que as acentuássemos. O debate seria bem mais enriquecedor se falássemos do reconhecimento e otimização das diferenças de género, do que da neutralização das características das mulheres. Prefiro acreditar que temos espaço para aprender como tirar mais partido das características de cada um. E claro, assegurar que essas diferenças não prejudicam nenhum dos géneros.

Preferia educar os meus filhos a tirar o máximo partido daquilo que eles têm, do que ensiná-los a comportarem-se como outro género (ou outra pessoa).

Se temos espaço e caminho para crescermos na igualdade de oportunidades? Claro que sim. Nos modelos de educação, no convívio social, nas relações profissionais em geral, e nas relações profissionais entre mulheres em particular. Imenso espaço para crescer, e isso é muito motivador.

A quem cabe este papel? A todos claro. Mas muito há a fazer dentro das empresas e por parte das empresas.

Desde logo conseguir ter um diagnóstico claro da maturidade do “pensamento” e das práticas dentro das organizações sobre o reconhecimento da diversidade e igualdade de oportunidades.

Depois, transversalmente, da educação para a inclusão, do estímulo às vocações profissionais, sendo que esta é uma das áreas onde as empresas podem e devem intervir se quiserem contribuir para a mudança de paradigma – esta não é uma responsabilidade exclusiva dos Pais ou do Ministério da Educação.
O desenvolvimento de soft skills para a otimização das diferenças de género seria também um trabalho de enorme valor acrescentado, para cada um de nós como pessoas (e logo, como profissionais).

E se conseguirmos dar passos em cada um destes eixos, já teremos dado um importante contributo para que o Dia da Mulher se eleve da luta e do combate, à celebração da diferença, na medida em que esta diferença nos beneficia todos. 
 

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