Covid-19: "Seriam precisos pelo menos 302 médicos só para fazer o acompanhamento dos novos casos"

30 dez 2021, 19:32

O presidente do Sindicato Independente dos Médicos e o Bastonário da Ordem dos Médicos alertam que a pressão sobre os médicos de família para fazerem o acompanhamento dos novos casos prejudica os utentes "não-covid"

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Seriam precisos pelo menos 302 médicos de família para fazer exclusivamente o acompanhamento dos mais de 70.000 novos casos de covid-19 registados nos últimos três dias. Quem o diz é o Presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, em entrevista à CNN Portugal, esta quinta-feira.

"O ministério da Saúde e a Diretora-Geral de Saúde manda os médicos telefonarem todos os dias para estes novos casos. Só nestes dias, eram precisos cerca de 12.000 horas se cada telefonema demorar dez minutos - que não demora, demora mais - e seriam necessários 302 médicos", afirma Roque da Cunha.

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Face às críticas de Graça Freitas, o médico acusa a DGS de "em vez de procurar soluções, sacudir a água no capote" no que diz respeito ao caos criado nas urgências dos hospitais.

"Temos vindo a alertar há vários meses que o facto de retirarem os médicos de família dos seus locais de trabalho para a vacinação e para áreas dedicadas ao respiratório, na prática, estão a fazer com que haja mais de dois milhões de portugueses que não tenham acesso a médico de família", alerta o presidente do SIM.

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Também Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos, afirma que os médicos de família estão atualmente a seguir mais de 143 mil pessoas com sintomas e sugere que se crie uma linha semelhante ao SNS24 exclusivamente para o acompanhamento de utentes em isolamento.

" A maioria destas pessoas não precisam de contactos diários, mas sim de uma linha própria caso tenham dúvidas. Se fizermos isto vamos ter muito mais possibilidades de tratar doentes não-covid", sugere o Bastonário.

O Bastonário concorda com a alteração do período de isolamento para um período inferior a 10 dias, mas não defende uma aposta na imunidade natural, como outros especialistas. Miguel Guimarães acredita que, no futuro, a covid-19 será controlada com uma vacinação anual.

Na mesma ótica, Roque da Cunha deixa duras críticas à "sapiência" de Francisco George: “O combate à pandemia não pode ser desvalorizado”, afirma o médico, lembrando que os doentes não-covid também precisam de ser tratados.

Recorde-se que Francisco George afirmou na quarta-feira à CNN Portugal que "os 20 mil não são casos, são infeções" e que "os portugueses têm de perceber que não há nenhum alarme".

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Perante a avalanche de casos positivos de covid-19 que Portugal tem registado ao longo dos últimos dias, o Sindicato Independente dos Médicos lamenta que se coloque em cima dos médicos de família a responsabilidade pelo caos nas urgências dos hospitais.

Esta reação surge depois de uma carta enviada pela Diretora-Geral da Saúde aos presidentes das Administrações Regionais de Saúde a pedir para aumentar a capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários aos doentes com suspeita de covid-19. Nessa carta, Graça Freitas escreve que a ausência de uma resposta adequada tem motivado uma excessiva afluência às urgências.

Em resposta, o sindicato liderado por Jorge Roque da Cunha diz que não se pode "arranjar bodes expiatórios para a incompetência de quem gere a pandemia".

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