Na fotografia de capa deste artigo, um visitante explora a Bell Witch Cave [Gruta da Bruxa da Família Bell] em Adams, Tennessee, Estados Unidos da América. Esta gruta foi, supostamente, a casa de uma bruxa malvada
O medo é algo que vende. Tenha a sua natureza a carne que tiver, os espíritos dos mortos geram lucros bem verdadeiros quando falamos de turismo.
Os turistas gastam dinheiro nas casas assombradas que surgem a cada outono nos subúrbios, com esqueletos e insufláveis assustadores. Fazem-no em busca de uma experiência emocionante. Mas, em última instância, segura. Os destinos apresentados abaixo na nossa lista têm, contudo, pouco a ver com o tipo de susto que pode comprar nas atrações mais típicas de épocas como o Halloween.
São a verdadeira experiência, pura e dura. Estes locais são genuína e involuntariamente estranhos, macabros e misteriosos.
Ossário de Sedlec – Sedlec, República Checa
O Ossário de Sedlec é uma pequena capela católica romana em Sedlec, na República Checa. Contém os restos mortais de cerca de 40 mil seres humanos, espalhados por todo o interior, em arranjos artísticos.
As mais notáveis criações feitas de ossos humanos são o lustre no centro da sala e, à esquerda, o brasão da família Schwarzenberg, que era aquela com mais ‘sangue azul’ entre a aristocracia boémia.
É impossível não dar largas à imaginação e ponderar sobre que tipo de mente doentia concebeu estes objetos, como um lustre de ossos humanos.
Contudo, o verdadeiro motivo por detrás disto tudo é bastante prosaico: era pura e simplesmente uma questão de poupança de espaço.
Estes ossos foram doados, por livre vontade, por devotos católicos romanos de toda a Europa, que pediam para ali serem sepultados, depois de o Abade de Sedlec ter feito uma peregrinação a Jerusalém em 1278, de onde trouxe terra do local onde Jesus terá sido crucificado.
Havia tantas pessoas a desejarem ser sepultadas nesta terra sagrada que a capela foi transformada num ossário. Os restos mortais dos que estavam ali sepultados foram exumados e reorganizados no século XVI. Foi, assim, uma forma prática e económica, ainda que perturbadora, de utilizar o espaço, que era limitado, como sepultura.
Bell Witch Cave – Tennessee
O espírito gótico no sul dos Estados Unidos da América pode ser vivido com uma visita à arrepiante Bell Witch Cave [Gruta da Bruxa da Família Bell], que terá sido a antiga morada de uma malvada bruxa, que terá atormentado a família Bell, no Tennessee, durante o século XIX.
Conta que este espírito malvado envenenou e matou o patriarca John Bell, causando o caos na família, em particular na filha Betsy. Diz-se que a bruxa era, nada mais nada menos, do que uma vizinha vingativa, Kate Batts.
Esta história é uma lenda local no Tennessee. Foi imortalizada em romances e no cinema. Corre o rumor de que o presidente Andrew Jackson visitou a propriedade, mas que terá fugido depois de apanhar um susto.
“Prefiro enfrentar todo o Exército Britânico a ter de passar mais uma noite com a Bruxa da Família Bell”, terá dito.
Se estiver com vontade de caçar fantasmas, pode visitar a cabana de John Bell e explorar a gruta. Quem sabe se a bruxa ainda frequenta esta gruta assustadora…
A Ilha das Bonecas – Lago Teshuilo, México
A Isla de las Muñecas, ou Ilha das Bonecas é uma criação tão incrível quanto mórbida, vinda de um homem chamado Don Julian Santana, que viveu sozinho numa ilha durante cerca de 50 anos, até à sua morte, em 2001.
Nesse tempo, acumulou uma coleção impressionante e macabra de bonecas desmembradas e partidas. Pendurou-as em ramos de árvores à volta da ilha, onde permanecem até hoje, como se fossem sacrifícios.
A história parece cruel e perturbadora. Contudo, quando revelado o contexto, mostra-se surpreendentemente amorosa.
Apesar de existirem várias versões da lenda, todas convergem para a ideia de que Don Julian dedicou estas bonecas ao espírito de uma menina que se afogou no canal.
Há mais controvérsia sobre se a menina afogada realmente existiu ou sobre se este homem comunicou com o espírito dela.
Ainda assim, Don Julian só queria dar alguns brinquedos à sua amiga fantasma.
Ilha do Couraçado – Nagasaki, Japão
A Ilha Hashima - também conhecida como Gunkanjima, que significa Ilha do Couraçado, uma vez que a ilha se assemelha a um navio de guerra - é um conjunto de ruínas de betão, com 60 mil metros quadrados, no mar, perto de Nagasaki, no Japão.
Na década de 1950, servia de casa a milhares de trabalhadores das minas de carvão. A Ilha Hashima está abandonada desde 1974, quando as minas de carvão fecharam.
Há sempre algo um pouco sinistro nas ilhas desertas.
O isolamento é uma faca de dois gumes: estar rodeado de mar pode significar uma excelente escapadinha… ou ficar preso sem ter para onde fugir.
Dá mais a sensação de ser o segundo cenário quando se visita a Ilha Hashima. Os edifícios abandonados, bem como os pertences abandonados dos antigos mineiros, fazem com que este local pareça a ilha mais desoladora à face da Terra.
Embora Hashima tenha permanecido totalmente encerrada até 2009, pode agora ser visitada. Foi reconhecida pela UNESCO em 2015.
A ilha serviu também de quartel-general secreto do vilão de James Bond, Raoul Silva, interpretado por Javier Bardem, no filme "Skyfall", de 2012.
Catacumbas – Paris, França
Já imaginou ir ao subsolo de Paris, para deambular pelas Catacumbas, uma rede sinistra de antigos túneis e grutas, repletos de ossos de pessoas falecidas?
Agora pode. É uma das atrações mais assustadoras da capital francesa, que abriga os ossos de quase seis milhões de pessoas. Fica localizada mais abaixo da superfície do que o metro ou o sistema de esgotos.
As Catacumbas foram criadas para dar resposta aos cemitérios sobrelotados do século XVIII.
Todavia, fica o conselho: não se afasta dos percursos turísticos. No verão de 2017, dois adolescentes perderam-se nesta rede subterrânea durante três dias.
Devido à sua popularidade, o local está prestes a sofrer uma grande renovação. Estará fechado durante os próximos meses, reabrindo em 2026.
Ilha de Poveglia – Veneza, Itália
Esta bela ilha é assombrada pelo seu sinistro passado. No final do século XVIII, foi uma zona de quarentena para as vítimas da peste.
Mais tarde, na década de 1920, tornou-se um asilo para pessoas com doença mental.
Pelo que se conta, esta ilha está assombrada pelos espíritos dos doentes do hospital psiquiátrico. Conta a lenda que um médico sádico, atormentado por visões dos doentes que tinha torturado, se atirou do campanário.
Resta o edifício, que é uma estrutura abandonada e enferrujada. Dá arrepios.
Em 2014, quase se transformou num hotel de luxo. Só que o negócio não se concretizou. Assim, permanece como uma macabra recordação do seu terrível passado.
Não é suposto que a ilha seja visitada por alguém, muito menos por turistas. Mas sabe-se que os operadores de barcos em Veneza fazem esta viagem.
A Cratera de Darvaza ou “Porta para o Inferno” – Turquemenistão
Sim, existe mesmo uma cratera no meio do deserto do Turquemenistão, que é um inferno em chamas há mais de 50 anos.
Oficialmente chamado de Cratera de Darvaza, este incrível cenário também é conhecido como “Porta para o Inferno”.
Não há registos rigorosos do que terá acontecido ao certo , o que torna esta gruta em chamas ainda mais intrigante.
Diz-se que se formou em 1971, quando os geólogos soviéticos, que procuravam petróleo, se aperceberam de que tinham encontrado uma caverna de gás natural. Incendiaram-na, para evitar a propagação do gás metano.
É agora um local incrível, no meio de um verdadeiro deserto. Ainda assim, os cientistas dizem que os incêndios estão a começar a dissipar-se, segundo a BBC Wildlife. Tem sido uma verdadeira atração turística, mesmo que o Turquemenistão não seja o local mais fácil de visitar, à custa das rigorosas políticas de vistos.