«No FC Porto o ambiente era de cortar à faca e o Villas-Boas montou um ringue de boxe»

24 mar, 09:13
Emídio Rafael

O Maisfutebol parte ao encontro de Emídio Rafael, lateral esquerdo formado no Sporting, que jogou no FC Porto e que duas gravíssimas lesões impediram de chegar mais alto. Quatro operações depois, o lisboeta está de bem com a vida e partilha boas memórias da carreira. Uma conversa cheia de histórias imperdíveis.

DESTINOS é uma rubrica do Maisfutebol: recupera personagens e memórias de décadas passadas e marcantes no nosso futebol. Viagens carregadas de nostalgia e saudosismo, sempre com bom humor e imagens inesquecíveis. DESTINOS.

Emídio Rafael teve o futebol português aos seus pés, mas foi sempre atraiçoado pelos azares. O antigo lateral esquerdo devia ser um caso de estudo: poucos jogadores terão tido lesões tão graves em momentos tão importantes da carreira. Primeiro no Sporting, quando ia subir ao plantel principal, depois no FC Porto, quando tinha agarrado a titularidade e ia estrear-se na Seleção Nacional.

Esta última lesão arrastou-se por anos e acabou por antecipar o fim da carreira. Uma carreira que, admite com toda a honestidade, lhe salvou a vida, ele que nasceu no Bairro Padre Cruz, era um miúdo traquina e facilmente podia ter seguido por maus caminhos. Hoje, aos 36 anos, vive no Algarve com a família, completamente afastado do futebol, mas próximo dos amigos que fez durante a carreira.

Em conversa com o Maisfutebol, partilhou as histórias que guarda na memória, como quando Villas-Boas puxava do cartão de crédito para pagar o jantar a todo o plantel da Académica ou quando inventava soluções para resolver os atritos de início de época do FC Porto. «Vocês querem andar à porrada porque se chatearam num exercício? Saem, vão ali para o ringue e matem-se, se quiserem. Não me f... é o treino.»

Como é que o futebol surgiu na sua vida?

Eu nasci num bairro social, o Bairro Padre Cruz, em Lisboa, e a bola andava sempre debaixo do braço. O meu pai também gostava e treinava uma equipa de futsal lá no bairro, portanto o futebol estava sempre presente, o que é normal nestes bairros.

Depois foi para o Sporting muito novo.

Sim, com nove anos. Um dia um amigo do bairro chegou ao pé do grupo: ‘Pessoal, o Sporting está a fazer captações, bora lá treinar’. Pronto, ok, vamos lá. Aparecemos no meio de centenas de crianças, o treinador era o mister Osvaldo Silva, os treinos eram no pavilhão. No final de cada treino, eles diziam o nome dos que ficavam para o dia a seguir, os outros não voltavam. Eu via os meus amigos a sair e eu ia ficando, até que comecei a ir sozinho. Houve um dia em que não fui. O meu pai chegou a casa e perguntou-me porque não fui. Disse-lhe que não ia mais, até porque os meus amigos já nem estavam lá. ‘Não, não, agora vais. Foste por tua vontade, nem sequer me perguntaste nada, agora só vens quando te mandarem embora’. Portanto, se fiz carreira no futebol, tenho de a agradecer ao meu pai.

Sendo do Bairro Padre Cruz, era um miúdo difícil?

Era, era. [risos] O futebol ajudou-me muito, porque ocupava-me o tempo e deixei de ter essa vivência toda de bairro. Mas é normal. Havia aquelas traquinices, com alguma criminalidade pelo meio. Coisas de miúdos. Ia para a escola sem dinheiro e usava, entre aspas, o dinheiro dos outros. Já se sabe como é. Na vida de bairro vale tudo.

Essa sua traquinice que trazia do bairro foi trabalhada no Sporting?

Foi trabalhada e foi amenizada. Aliás, nós éramos quase todos de bairros, eu, o Nani, o Yannick, enfim, era tudo de bairros ali à volta, Amadora, Pontinha, Carnide, e o Sporting deu sempre um grande acompanhamento e sempre foi espetacular. Sempre deu uma grande ênfase à escola e se as notas não fossem boas, se calhar não jogávamos. Como eu costumo dizer a amigos mais próximos, o futebol acabou por me salvar da vida que um bairro social oferece. Eu saía da escola, ia treinar. Vinha para casa eram dez da noite. No dia a seguir ia para a escola às oito da manhã, saía às quatro ou cinco da tarde direto para a Academia, voltava às dez da noite. Deixei de ter convivência com os amigos do bairro e passei a estar mais com os colegas do Sporting.

Depois fez toda a formação no Sporting, durante esse processo nunca mais pensou desistir?

Não, nunca pensei em desistir, pelo contrário. Logo no primeiro ano passei a ser capitão de equipa e fui sempre capitão de todas as equipas até aos juniores, ganhámos títulos, fui sendo chamado às várias seleções jovens, portanto nunca pensei em voltar para trás.

Essa era uma geração muito boa do Sporting, não é?

Não quero induzi-lo em erro, mas talvez tenha sido a geração que deu mais jogadores de futebol. Do onze inicial, que já vinha desde os iniciados, quase todos deram jogadores. Miguel Veloso, João Moutinho, Yannick Djaló, Nani, Carlos Saleiro, eu, o Mário Felgueiras, Jorge Teixeira, enfim. Esta geração de 86 deu tudo praticamente jogador de futebol.

No último ano de júnior tem a primeira contrariedade...

Fiz uma rotura de ligamentos. O Sporting tinha falado comigo, eu já tinha renovado o contrato, porque o objetivo era ir para a equipa principal. Tínhamos sido campeões de juniores.

Com o Paulo Bento.

Exato, com o Paulo Bento. No ano a seguir o Paulo Bento assumiu a equipa principal e tal como subiu o Miguel Veloso, o João Moutinho, o Nani, o Yannick, eu também ia subir. No entanto, já na fase de apuramento de campeão, vamos à seleção e na seleção eu faço uma rotura de ligamentos cruzados. Fiquei até janeiro a recuperar da lesão e acabou por ser o André Marques que subiu ao plantel principal, porque só havia o Rui Jorge para a posição. 

O André Marques foi o seu substituto?

Sim, ele era um ano mais novo e era suplente nessa equipa. Atenção, o André também grande jogador, ia sempre à seleção da idade dele e acabou por ter essa oportunidade porque me lesionei.

Ficou até janeiro a recuperar, como foram esses meses?

Nunca me fui abaixo psicologicamente. Olhei para lesão como olho para todos os desafios. Tanto assim que recuperei muito rapidamente, uma lesão destas no joelho normalmente demora seis ou sete meses, mais ou menos, e eu em quatro meses já estava a treinar. Meti na cabeça que tinha de recuperar rapidamente, esquecer a dor e vamos para a frente. Também aquela vivência de bairro, aquela garra, ajudou muito. ‘Não, isto não me vai deitar abaixo, bora lá’.

Quando regressou, foi emprestado ao Casa Pia.

Aí é que senti que a lesão cortou um bocado o trajeto excelente que estava a fazer. Quatro meses depois já estava a treinar, mas só aos seis é que comecei a competir e fui emprestado ao Casa Pia, onde também estavam o Varela e o Semedo. Na época a seguir ainda tinha contrato e fui emprestado ao Real Massamá. Correu muito bem, fizemos um campeonato muito bom e fui chamado à Seleção Sub-20 pelo José Couceiro. As coisas estavam a endireitar-se novamente. Entretanto acabei o contrato com o Sporting nesse ano, fiquei livre e fui para o Portimonense.

Na II Liga?

Sim, na II Liga. Nessa altura as pessoas pensavam que se calhar já não ia dar em nada, ia andar ali pela II Liga e tal, mas eu nunca duvidei, sempre achei que era só mais um degrau para chegar onde queria. Continuava a falar com os meus colegas, o Moutinho, o Yannick, o Miguel Veloso e eles diziam-me ‘tu tens mais do que capacidade e tu vais chegar cá acima, estás nesse patamar e agora trepa até aqui’. E eu trepei. Demorei mais dois anos do que eles, mas cheguei.

Na Académica encontrou André Villas-Boas.

Quando cheguei o treinador era o Rogério Gonçalves e o plantel tinha três laterais-esquerdos. Nas primeiras semanas havia partes do treino em que eu nem treinava e ficava a pensar o que estava ali a fazer. Entretanto mandaram embora o Vítor Vinha. Nos primeiros dois jogos não joguei, estreei-me à terceira jornada e não saí mais da equipa. Entretanto à quinta ou sexta jornada o Rogério Gonçalves foi despedido e veio o André Villas-Boas.

O Vilas Boas que foi importante porque o levou para o FC Porto, não é?

Foi decisivo, como é óbvio. Houve uma ligação forte entre nós, eu percebi bem aquilo que ele queria, ele viu em mim qualidade e viu que podia contar comigo. Ele foi sempre espetacular, ajudou-me e foi fundamental na minha carreira.

Lembra-se assim de alguma história que tenha vivido nessa fase com Villas-Boas?

Claro que sim, principalmente já no FC Porto. Na Académica era uma novidade, chegou cheio de força e teve duas ou três coisas espetaculares. Por exemplo, fomos ganhar a Alvalade, com uma estratégia muito bem montada, e à vinda para cima normalmente nunca se para no caminho. Ele mandou o autocarro parar na bomba de serviço, tirou do cartão de crédito e disse: ‘Comprem o que quiserem, toda a gente, pagou eu’. E nós comprámos tudo e mais alguma coisa. Também acontecia irmos jantar fora e ele pagar, coisas assim do género. No FC Porto as coisas eram mais pormenorizadas, mas também espetaculares.

Que tipo de coisas eram essas?

Ele ia para o Sporting na altura e tinha falado comigo: ‘Eu vou para o Sporting e vou levar-te comigo’. Entretanto meteu-se o FC Porto, já não foi para o Sporting, não me disse nada e eu pensei que aquela hipótese tinha ido por água abaixo. Voltei para a Académica, era o Jorge Costa o treinador e, entretanto, caiu a chamada e fui contratado pelo FC Porto. Quando cheguei estava um clima difícil, o FC Porto vinha de uma época má, tinha ficado em terceiro lugar.

No último ano de Jesualdo Ferreira.

Sim, não se apurou para a Liga dos Campeões, foi jogar a Liga Europa, enfim. Quando cheguei estava um ambiente de cortar à faca. Muita gente chegou mais tarde por causa do Mundial da África do Sul, portugueses, uruguaios e argentinos, então havia muita gente com a perspetiva de sair, outros não queriam ficar. Os treinos eram muito durinhos, com nervos à flor da pele e ele soube lidar muito bem com isso. Lembro-me, por exemplo, de haver confusões nos treinos e o pessoal quase andar à porrada, aquelas quezílias entre jogadores. Então o ambiente estava mesmo de cortar à faca e um dia chegámos para treinar estava um ringue no fundo do campo.

Um ringue?

Um ringue de boxe. Ficámos todos a olhar uns para os outros. Estava tudo montado para o treino, os pinos, os cones, tudo no seu sítio, e ao fundo do campo estava um ringue de boxe. O mister chega, ‘bom dia’ e tal, ‘o treino vai ser isto e isto, vamos fazer isto’ e depois muito sério diz: ‘Aquele ringue ali ao fundo é para quando vocês quiserem andar à porrada. Não há problema nenhum. Vocês querem andar à porrada porque se chatearam num exercício? Os dois que se chatearam saem, não prejudicam o exercício nem os vossos colegas, vão ali para o ringue e matem-se, se quiserem. Quando acabarem, podem voltar para o exercício. Não me f... é o treino’.

Genial [risos].

A malta ali caiu tudo a rir. Ele podia ter chegado e dado uma dura, mas foi muito mais criativo e desanuviou o ambiente. ‘Vocês querem andar à porrada, não precisam de dizer nada, é só sair. Mas não me parem o exercício. Quando estiverem todos negros, cheios de sangue e quiserem voltar, voltam’. Foi brutal. O pessoal todo a rir, foi espetacular. Mas ele sempre foi um grande gestor de homens, muito frontal, verdadeiro, quando havia algum problema falava à frente de todos.

E há mais alguma história dessas?

Por exemplo, no estágio de pré-época, também. Um dia disse: ‘Amanhã três treinos, o primeiro às sete da manhã. Vocês querem andar à porrada, não pode ser assim, às sete da manhã estejam prontos. E podem vir de ténis, nem precisam de vir de botas’. E o pessoal todo lixado, que íamos levar uma coça. No dia seguinte chegámos às sete da manhã, tínhamos o autocarro pronto para nos levar para a cidade. Não havia treino, era folga e íamos passear. ‘Pessoal, folga para todos, não quero saber, vão fazer o que vocês quiserem, só não me venham bêbados. De resto, vão desanuviar e não me chateiem a cabeça, que já não vos posso ver à frente’.

Preferia ter ido para o Sporting nessa altura, em vez do FC Porto?

Sinceramente, não. Eu sempre gostei muito do FC Porto, o meu pai era portista, então eu preferia o FC Porto. Já tinha estado no Sporting e não me deram aquele real valor depois da lesão, por isso quando apareceu o FC Porto não pensei duas vezes.

Entretanto o tratamento do Villas-Boas deu frutos, porque o FC Porto nessa época ganhou tudo. E começou a ganhar numa final da Supertaça em que venceu o Benfica em Aveiro...

Lembro-me perfeitamente que durante a semana levamos uma lavagem cerebral, aquilo que o pessoal costuma chamar de injeção. No balneário tínhamos as televisões sempre a passar vídeos do Benfica, ou o Benfica a festejar, ou entradas mais duras a jogadores nossos na época passada, e aquilo foi ali fabricando na nossa cabeça. Quando chegámos à Supertaça nós atropelámos o Benfica. Ele dizia muito: ‘Temos que dar o grito de revolta pelo que se passou o ano passado’.

É nesse jogo que ele conquista definitivamente o plantel?

Sem dúvida, sem dúvida. A pré-época foi mais ou menos e nesse jogo vimos que tudo o que ele dizia e tudo o que ele treinava, dava resultado. Atenção que o Benfica vinha de uma época muito forte com Jorge Jesus, tinha Saviola, Pablo Aimar, vencia tudo e todos. E nós cilindrámos o Benfica. A confiança aí ficou em alta. ‘Ok, nós somos melhores e vamos bater em toda a gente’.

Para o Emídio Rafael, na fase em que as coisas estavam a correr melhor, até tinha sido convocado para seleção, acontece aquela terrível lesão, não é?

É, mais uma vez, mais uma vez. A época estava a correr bem, eu sabia que o titular era o Álvaro Pereira, mas estava ali na deixa, à espera de uma oportunidade. Entretanto o Álvaro Pereira partiu a clavícula na seleção e surgiu a oportunidade. Na altura havia muita pressão da imprensa para entrar o Fucile para a esquerda, mas o André Villas-Boas chamou-me e disse: ‘Há muita pressão para meter o Fucile, mas confio em ti e és tu que vais jogar’. O meu primeiro jogo é em Moreira de Cónegos, para a Taça, e depois vamos a Alvalade. Lembro-me até que o meu pai e o meu irmão, como eu sou de Lisboa, foram ao hotel ter comigo e não se acreditavam que era eu que ia jogar. ‘Olha que a imprensa está a dizer que é o Fucile que vai jogar’. Não, pai, sou eu que vou jogar. A partir da lesão do Álvaro Pereira surgiu a minha oportunidade e as coisas correram muito bem. Agarrei bem a titularidade, ganhei a confiança dos meus colegas, da equipa técnica e até da direção.

Como assim?

Eu não tinha sido inscrito na Liga Europa. O mister disse-me que não me conseguia incluir-me e eu tudo bem, sou parte da solução, não sou parte do problema. Depois quando estava a jogar, o Antero e o Villas-Boas vieram falar comigo: ‘Estás muito bem, excelente, o Álvaro Pereira vai voltar, mas és tu que vais continuar a jogar, vamos também inscrever-te na Liga Europa e vamos assinar um novo contrato'. Na altura nem percebi, tinha acabado de assinar há seis meses. ‘Não, não, vamos assinar um novo contrato’. Entretanto caiu a convocatória para seleção, o selecionador ligou-me a dizer que estava convocado, lembro-me que era para um jogo amigável na Alemanha contra a Argentina. No sábado fomos jogar para a Taça da Liga a Barcelos e na segunda-feira íamos para a Seleção. Era um jogo da Taça da Liga e estávamos no banco, até porque a seguir à seleção ia haver um jogo com o Benfica no Dragão, para a Taça de Portugal. Então aqueles que estavam a jogar normalmente ficaram no banco, eu, o Moutinho, o James, o Hulk, o Falcao, o Varela. O Fucile não queria jogar aquele jogo e o mister estava a refilar com ele, que não se mexia e tal. Nervoso, virou-se para trás: ‘Rafa, vai aquecer, que este gajo está a brincar com isto, não quer nada com isto, vai aquecer’. Estava muito, muito frio, e eu a pensar: caraças, estava tão quentinho no banco. Bem, fui aquecer, na esperança que o mister não me pusesse a jogar.

E depois?

Fomos para o intervalo e o profe, que estava comigo, perguntou: mister, como é que é? ‘Bora, bora, bora, vais entrar’. Entrei, correu muito bem porque marquei um golo e a seguir parti o pé. Já não fui à seleção e pronto, foi tudo por água abaixo. Aí sim, foi tudo por água abaixo.

A reação a essa lesão foi também...

Foi dura. Foi dura porque sei o que tinha à minha frente. Estava a Seleção, que na altura era tudo o que queria, ainda por cima o selecionador era o Paulo Bento, que me conhecia bem dos juniores do Sporting. Estava uma renovação de contrato, estava a perspetiva do Álvaro Pereira sair no final da época, enfim, a carreira podia ter sido outra e ali puxaram-me o tapete. Fui operado, a recuperação não correu nada bem e estive dois anos sem jogar.

Ainda lhe acontece olhar para trás e pensar ‘caramba, se não tivesse entrado naquele jogo...’

Sim, claro que sim. Claro que sim. Claro que podia ter acontecido noutro jogo qualquer, podiam ter acontecido mil e uma coisas. Mas o azar também acontece, estarmos na hora errada, no sítio errado. Às vezes quando olho para trás penso: poças, claro que a carreira não foi má, mas poderia ter sido muito melhor. Os amigos mais próximos, amigos do futebol, dizem-me: ‘Tu és dos gajos mais azarados, podias ter sido tu e o Fábio Coentrão na seleção durante dez anos'. Claro que penso nisso. Na altura não pensei muito, porque foquei-me na recuperação. Disse para mim mesmo: eu vou conseguir voltar a jogar. Lembro-me até, depois de já sair, jogar contra o FC Porto e o Dr. Puga, ou os fisioterapeutas Braga e João Mário, virem ter comigo e dizerem: ‘Como é que tu consegues jogar? Estás de parabéns. Como nós sabemos que tens o pé, e tu jogas e jogas bem’.

O que é que sentiu quando voltou a jogar, depois da lesão, no Sp. Braga?

Aí é que eu digo que poderia ter tido a oportunidade de voltar a jogar pelo FC Porto. Merecia isso. Pelo que tinha passado e pelo que tinha dado mesmo lesionado. Sei que fui uma pessoa importante no balneário naquela altura em que o Villas-Boas foi embora e ficou o Vítor Pereira. Senti que recuperei e podia ter sido inscrito, mesmo que não jogasse no campeonato, podia jogar na Taça ou na Taça da Liga.

Mas isso não aconteceu.

Não. Chegou janeiro e saí para o Sp. Braga. E aí eu sinto que o FC Porto podia ter dito: ‘Não, não vais sair para o Sp. Braga. Vais ficar aqui mais estes seis meses até ao final do campeonato e é aqui que tu vais jogar novamente. Nem que só faças quatro ou cinco jogos, não importa, é aqui que vais voltar a jogar’.  

Depois ainda foi para a Grécia, fez dois anos no Estoril e acabou na Académica. Hoje ainda tem sequelas da lesão?

Hoje não. Quando estava na Académica ainda ia quase todos os dias ao Olival fazer tratamento, porque tinha dores, e quando deixei de jogar, aí sim, tinha muitas dores e coxeava na minha vida normal. Já tinha sido operado no Porto novamente, pelo Dr. Hélder Pereira e pelo Niek Van Dyjk, que operou o Cristiano Ronaldo quando estava no Real Madrid. Aí fiquei impecável. Foram eles que me permitiram voltar a jogar. Após o final da carreira voltei a ser operado, desta vez pela companhia de seguros, e agora estou bem. Não coxeio, vou ao ginásio e consigo correr.

 

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