Eliminação das desigualdades de género levará 132 anos ao ritmo atual

Agência Lusa , AM
13 jul, 06:06
Trabalho

Islândia é o primeiro classificado pelo décimo terceiro ano consecutivo, seguido desta vez pela Finlândia, Noruega, Nova Zelândia, Suécia, Ruanda e Nicarágua

O processo global em direção à paridade na economia, educação, saúde ou participação política é tão lento que, ao ritmo atual, serão necessários 132 anos para eliminar as desigualdades de género, alertou hoje o Fórum Económico Mundial.

O relatório sobre as disparidades de género, que a instituição organizadora do Fórum de Davos prepara anualmente há 16 anos, indica que nos últimos 12 meses houve um ligeiro avanço face aos 136 anos calculados em 2021 o que, no entanto, não compensa os recuos ocorridos nos primeiros dois anos da pandemia de covid-19.

O índice global de disparidade de género, no qual uma percentagem de 100% significaria paridade total entre géneros e 0% a disparidade completa, ficou nos 68,1% em 2022.

No domínio da participação política (parlamentares, ministros e chefes de Estado segundo o género) é onde a diferença é maior (22%), o que significa que a presença dos homens é quase quatro vezes superior à das mulheres a nível mundial, um problema que no ritmo atual levará 155 anos para ser resolvido.

Na participação económica (igualdade salarial, presença na população ativa, trabalhadores especializados...) o índice também é relativamente baixo, em 60,3% e o Fórum Económico Mundial calcula que faltam 151 anos para a paridade ser alcançada.

Já no campo educacional (índices de alfabetização, escolaridade, etc.), o índice está mais próximo da paridade, com um subíndice de 94,4%, embora o relatório calcule que ainda faltam 22 anos para que seja alcançado.

Por fim, no que diz respeito à saúde e sobrevivência (esperança de vida e percentagens de homens e mulheres à nascença), a taxa é a mais elevada (95,8%) e, portanto, a diferença é menor, embora o relatório alerte que neste domínio tem havido um retrocesso geral que poderá levar a uma reversão.

“Corremos o risco de refazer permanentemente o caminho das últimas décadas e perder os retornos económicos futuros da diversidade”, realçou a diretora-geral do Fórum Económico Mundial, Saadia Zahidi, durante a apresentação do relatório.

O estudo elabora, como todos os anos, uma classificação dos países mais e menos iguais, sendo que a Islândia é o primeiro classificado pelo décimo terceiro ano consecutivo, seguido desta vez pela Finlândia, Noruega, Nova Zelândia, Suécia, Ruanda e Nicarágua.

Portugal ocupa a 29.ª posição, os Estados Unidos a 27ª e a Espanha a 17.ª, sendo que os países asiáticos ocupam geralmente posições na metade inferior, incluindo potências como China (102ª), Japão (116ª) ou Índia (135ª).

Numa classificação que engloba 146 estados, a República Democrática do Congo, Paquistão e Afeganistão ocupam os últimos lugares.

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