Naquele dia de 1994, Carrin deambulava pelos edifícios de pedra e pelos pátios históricos de calçada, ouvindo falar de reis e rainhas, tumultos e execuções, sem absorver absolutamente nada. Em vez disso, procurava apenas oportunidades para cruzar o olhar com o homem do blazer
Foram os Beefeaters que a levaram a fazê-lo.
Carrin Schottler estava a tentar concentrar-se nos séculos de história britânica presentes na Torre de Londres. As imponentes torres de pedra branca. As armaduras impressionantes. Os corvos a circular os torreões.
Integrava um grupo de visita com cerca de uma dúzia de pessoas. O guia falava, mas Carrin perdia constantemente o foco: havia um rapaz no grupo de quem não conseguia tirar os olhos.
"Vi aquele homem, realmente muito bonito. O meu coração disparou...", conta hoje Carrin à CNN Travel.
Desde que reparara nele, Carrin não conseguia parar de trocar olhares furtivos. Continuava a sorrir para o desconhecido. Não o conseguia evitar.
Sempre que olhava, captava um novo detalhe. Reparou na roupa: camisa branca, blazer oversized e calças clássicas.
"Ele não pode ser americano", pensou Carrin, avaliando o visual. Mesmo na Nova Iorque natal de Carrin, os rapazes na casa dos vinte anos não se vestiam propriamente assim.
Carrin tinha vindo dos Estados Unidos para estudar um semestre em Londres. Estávamos em setembro de 1994. Mais precisamente, a 30 de setembro de 1994.
"Nesse dia, estava com uma amiga e ou íamos ver o Harrods pela primeira vez, ou íamos fazer uma visita guiada à Torre de Londres pela primeira vez", recorda Carrin.
A Torre de Londres venceu. As duas amigas estavam intrigadas com a história. Esta fortaleza de pedra ocupa o mesmo local na margem do rio Tamisa desde 1066 e viu séculos de eventos tumultuosos desenrolarem-se dentro das suas muralhas.
Naquele dia de 1994, Carrin deambulava pelos edifícios de pedra e pelos pátios históricos de calçada, ouvindo falar de reis e rainhas, tumultos e execuções, sem absorver absolutamente nada. Em vez disso, procurava apenas oportunidades para cruzar o olhar com o homem do blazer.
Eventualmente, Carrin acabou por ficar ao lado dele. Olhou para cima, a sorrir. Ele sorriu de volta.
"E começámos simplesmente a falar", recorda. "Perguntámos de onde era cada um e começámos a conversar sobre as nossas vidas."
Química e ligação
O desconhecido do blazer apresentou-se como Paul Thal, um estudante sueco de 23 anos num programa de intercâmbio. Estava matriculado numa faculdade em Manchester, no norte de Inglaterra, e tinha descido a Londres para um fim de semana turístico.
Paul reparou em Carrin no início da visita à Torre de Londres.
"Vi a Carrin, observei-a um pouco", confessa Paul hoje à CNN Travel. "E depois começámos a falar e achei muito agradável. A coisa evoluiu a partir daí."
Enquanto Carrin e Paul conversavam, Heather, a amiga de Carrin, continuava a cruzar o olhar com ela e a levantar a sobrancelha de forma sugestiva. A química e a ligação eram óbvias.
Heather também deu a Paul um aceno entusiástico de encorajamento em algumas ocasiões, tentando fazer avançar as coisas. Entretanto, Paul estava consciente de que queria "estar perto, mas não demasiado perto de forma estranha" e tentava encontrar esse equilíbrio. Não queria interpretar a polidez amigável como interesse. Heather percebeu que o potencial casal precisava de algum incentivo.
"Ela não tinha problemas em virar-se, sorrir para o Paul e tornar a situação óbvia", recorda Carrin, entre risos.
E, como se veio a verificar, a ligação entre Carrin e Paul não era apenas aparente para Heather.
A Torre de Londres é a base de cerca de 35 Yeoman Warders em serviço, guardas reais conhecidos como "Beefeaters", que atuam como guardiães cerimoniais do monumento. Vestidos de vermelho e azul com chapéus tradicionais, são figuras marcantes. O nome "Beefeater" provém da ração diária de carne que lhes era tradicionalmente dada antigamente.
Para os turistas da Torre de Londres, uma fotografia com um Beefeater sorridente é uma recordação obrigatória. E Carrin e Paul não foram exceção. Perto do final da visita, ambos posaram à vez entre dois dos Yeoman Warders para tirar a fotografia da praxe.
Enquanto Carrin e Paul trocavam as câmaras de rolo entre si, os Beefeaters juntaram-se às gargalhadas.
"Eles perceberam que havia ali uma pequena ligação", recorda Carrin. "Um dos Beefeaters disse-me: 'Oh, que homem tão bem vestido. Parece muito bem arranjado. Que homem muito bonito ele é'."
Entretanto, quando foi a vez de Paul posar entre os dois guardas, estes fizeram questão de destacar "toda aquela ligação com a Carrin", lembra Paul.
O mais velho dos dois homens, "um sujeito com barba branca... foi o instigador", acrescenta Paul. "Estava a tentar juntar-nos."
"Os Beefeaters agiram como cupidos", concorda Carrin.
Animada pelo encorajamento, e à medida que a visita terminava, Carrin decidiu ser corajosa.
"É apenas um daqueles momentos em que tens de fazer alguma coisa", diz. "Porque nenhum de nós se mexia... Então eu dei o primeiro passo."
Carrin estava em Londres há cerca de um mês naquela altura. Sabia, contudo, que Paul estava apenas de visita durante o fim de semana.
"Então disse-lhe: 'Se quiseres sair, posso mostrar-te um pouco de Londres'."
Convidar Paul para sair foi mais do que um pouco assustador para a jovem de 20 anos. Mas ela não queria deixar aquela ligação escapar sem ser reconhecida.
"Eu era uma mulher independente e convidei-o para um encontro", afirma. "Era muito invulgar eu fazer tal coisa. Sempre fui uma pessoa muito estudiosa, tímida... Fazer algo assim foi realmente fora do meu caráter."
"Mas, por alguma razão, pensei apenas: 'Não posso deixar escapar esta oportunidade. Tenho de fazer alguma coisa'. Algo dentro de mim disse isso, o que foi provavelmente a melhor decisão que alguma vez tomei."
Mal acabou de proferir as palavras, Paul aceitou com entusiasmo. Os dois caminharam, com Heather, pela Tower Bridge. Heather tirou uma fotografia aos dois na ponte.
Carrin deixou a Torre de Londres sem saber quase nada sobre o monumento londrino. Mais de trinta anos depois, confessa que realmente não se lembra de "nada sobre a Torre de Londres".
Exceto, claro, de conhecer Paul e do incentivo dos Beefeaters.
"Lembro-me de partes da visita, lembro-me dos Beefeaters e das coisas meio macabras que lá aconteceram", diz Paul, referindo-se à história sangrenta da Torre.
"Mas havia muita... como hei de dizer... emoção no ar. E estávamos mais ocupados com isso do que com todo o significado histórico dos diferentes edifícios."
Um encontro em Piccadilly Circus
Carrin e Paul combinaram encontrar-se nessa noite em Piccadilly Circus. Carrin esperou por ele debaixo dos ecrãs iluminados dos painéis publicitários. Turistas e passageiros passavam apressados por ela, circulando a Fonte Memorial de Shaftesbury, muitas vezes interpretada como representando Eros, o deus grego do amor.
Quando Carrin viu Paul caminhar na sua direção, sentiu o turbilhão de emoções de mais cedo regressar em força. Ele ainda vestia o blazer e a camisa. Ela, entretanto, tinha trocado a sua indumentária "típica americana" da Tower Bridge — calças de ganga e uma camisola normal — pela sua roupa favorita.
"Tinha uma saia curta muito bonita e um top elegante", recorda. "Nos anos 90, os saltos de bloco estavam muito na moda. Por isso, usei uns saltos grossos castanhos que tinha comprado em Londres, porque todas as mulheres os usavam lá. Achei que estava maravilhosa."
Paul também achou que ela estava maravilhosa. Abraçaram-se ao cumprimentar-se, ambos a sorrir um para o outro. Paul ofereceu um ramo de flores a Carrin.
"Fomos a um café", conta Carrin. "E o Paul, não sei se estava nervoso, mas bebeu cinco chávenas de café... Eu também estava tão nervosa."
Mas à quinta chávena, o nervosismo tinha-se desvanecido. E a camaradagem fácil e a ligação da Torre de Londres não tinham desaparecido. Pelo contrário, estavam ainda mais fortes.
"Demos-nos bem imediatamente e a conversa continuou a fluir. Ficámos acordados praticamente a noite toda a passear por Londres e vimos todas as atrações", diz Carrin. "Demos o nosso primeiro beijo perto do Palácio de Buckingham..."
"...St James’s Park", intervém Paul.
"St James’s, sim", corrige Carrin.
Nas primeiras horas da manhã, Paul acompanhou Carrin a casa, à sua residência universitária perto de Regent’s Park.
"Têm lá um jardim de rosas, um jardim de rosas lindo", descreve Carrin. "Ele deixou-me na universidade nessa noite e disse 'Adeus'."
Carrin associa sempre aquele momento, aquela noite, ao cheiro de rosas bonitas. Sempre que vê rosas, pensa em apaixonar-se por Paul.
"Leva-me de volta àquele tempo, exatamente ali, em Regent’s Park. Tão agradável. Um lugar lindo."
Os dois prometeram encontrar-se novamente algumas horas depois. Passaram todo o dia de sábado juntos, e todo o domingo, antes de Paul ter de apanhar o comboio de regresso a Manchester.
Na estação de Euston, Paul e Carrin prometeram encontrar-se todos os fins de semana, fosse em Manchester, em Londres ou noutro local novo para ambos. Trocaram moradas, jurando escrever cartas entre as visitas.
Carrin regressou ao seu quarto na residência em êxtase.
"Liguei à minha mãe e ao meu pai nessa segunda-feira", recorda.
A mãe detetou logo que se passava alguma coisa.
"Disse-lhe: 'Tive o fim de semana mais maravilhoso'. E ela pergunta: 'Quem conheceste?'... E eu respondi: 'Conheci um homem da Suécia'... Os meus pais ficaram do género 'Uau, o que aconteceu?'"
"Pareceu natural"
A partir daí, Carrin e Paul foram fiéis à sua palavra. Nesse outono, encontraram-se todos os fins de semana.
"Viajávamos de um lado para o outro aos fins de semana e fazíamos viagens juntos a diferentes locais no Reino Unido", diz Paul.
O marido recorda uma viagem favorita a Edimburgo, na Escócia, onde os dois subiram o Arthur’s Seat, o vulcão extinto que domina a cidade, para admirar a vista e fazer um piquenique. Riram-se juntos durante todo o caminho.
"Encontras alguém com um temperamento semelhante e não tens de fingir", explica Paul. "Podia falar livremente. Não foi um namoro em que tivéssemos de manter algum tipo de aparência. Pareceu natural, se é que posso dizer assim, desde o início. E depois estávamos ambos num lugar que nenhum de nós conhecia realmente, e era divertido explorar juntos."
Em novembro de 1994, Carrin sentiu "saudades de casa porque estava a perder o nosso Dia de Ação de Graças". Então, Paul encarregou-se de encontrar um peru e preparar um jantar de Ação de Graças para Carrin no seu minúsculo quarto em Salford, Manchester.
O quarto ficava numa antiga moradia, que partilhava com vários outros rapazes.
"O peru tem de estar no forno durante horas e horas. Então coloquei-o lá e disse aos rapazes: 'Tenho de ir buscar a Carrin à estação de comboios. Daqui a uma hora, podem tirar o peru?' Eles disseram: 'Sim, claro, nós tratamos disso...' Mas não o fizeram. Portanto, o peru ficou uma coisa encolhida e seca. Tivemos um jantar de Ação de Graças naquele quartinho, pusemos uma pequena toalha no chão e sentámo-nos a comer aquele peru muito seco."
"Eu achei maravilhoso", garante Carrin, comovida pelo esforço que Paul fez por ela.
Mas dezembro aproximava-se e o regresso de Carrin aos Estados Unidos estava iminente. Entretanto, Paul ficaria no Reino Unido por mais alguns meses.
Antes de Carrin regressar a Nova Iorque, Paul convidou-a para ir com ele à Suécia. O casal viajou de barco do leste de Inglaterra até à segunda maior cidade sueca, Gotemburgo.
"Fui conhecer a família dele e ver de onde o Paul era. Apanhámos o ferry de Harwich para Gotemburgo — porque é de lá que o Paul é — e conheci a família dele."
"E apesar disso, ela ficou comigo", brinca Paul.
Carrin desvaloriza a piada. Adorou a família dele de imediato. Criou logo uma ligação com a mãe dele e gostou de ver Paul a interagir com os seus entes queridos.
"Fico um pouco emocionada", admite, recordando essa visita. "Acho que o momento em que soube que queria casar com ele foi quando vi o quão gentil ele era com a avó. Conhecemos a avó dele e levámo-la a passar o Natal... ele foi tão gentil, cuidou tão bem dela. E eu disse: 'É com este homem que eu quero casar'."
A visita à Suécia fortaleceu a relação, mas Carrin e Paul encontravam-se agora numa encruzilhada. Ela estava de partida para os Estados Unidos para continuar os estudos. Carrin planeava ser médica e a sua formação era longa e agitada. Entretanto, Paul estava preso à universidade no Reino Unido e na Suécia.
"Foi um pouco assustador", confessa Paul. "Não sabíamos realmente o que ia acontecer."
"Ainda me lembro de levantar voo de Gotemburgo e de ver o Paul cá em baixo a observar", recorda Carrin. "Vi o casaco vermelho dele enquanto o avião subia... e pensei: 'Não sei o que vai acontecer connosco'."
"Não havia um grande plano para o futuro", admite Paul. "Era apenas uma espécie de esperança."
"Não sei se alguma vez nos voltaremos a ver"
De volta a casa, em Nova Iorque, Carrin lembra-se de "chorar compulsivamente".
"Não sei se alguma vez nos voltaremos a ver", pensou na altura.
Mas alguns meses depois, em abril de 1995, Paul visitou Carrin nos Estados Unidos e conheceu a família dela. Depois, nesse verão, durante as férias da faculdade, Carrin passou um mês com Paul na Suécia. Este padrão de viagens continuou durante algum tempo.
"Entre dezembro de 94 e outubro de 96, andámos para trás e para a frente tantas vezes quantas as que podíamos pagar", diz Paul.
Entre as visitas, o casal manteve o contacto através do Atlântico. Era uma era pré-smartphone e Carrin e Paul tiveram de ser criativos. Enviavam cassetes um ao outro, gravando os seus pensamentos, sentimentos e contando como tinham sido os seus dias.
"As contas de telefone eram tão caras", explica Carrin. "Por isso, pegávamos nestes pequenos gravadores com minicassetes, gravávamos conversas e enviávamo-las para o outro lado do oceano."
No verão de 1996, o casal viajou junto para a Noruega, caminhando de mãos dadas por paisagens espetaculares.
"Estávamos perto de — não sei se era um glaciar — um local coberto de neve. E foi aí que decidimos, na Noruega, mesmo junto a uma cascata...", começa Paul.
"...Foi aí que decidimos que nos queríamos casar", continua Carrin. "E na tradição sueca, ambas as pessoas recebem anéis. Por isso decidimos trocar anéis. E depois anunciámos às nossas famílias que nos queríamos casar."
Durante esse tempo, começou a formar-se uma espécie de plano: Paul tentaria arranjar emprego nos Estados Unidos. Embora Carrin adorasse a Suécia, os seus estudos de medicina prendiam-na à sua terra natal, enquanto as ambições de Paul na área de TI eram mais flexíveis.
Este plano acabou por se concretizar.
"Em outubro de 96 mudei-me para os Estados Unidos. Fui transferido através de uma empresa", conta Paul. "Tinha acabado de me licenciar, consegui um emprego e consegui convencê-los a enviar-me para Nova Iorque."
Um novo capítulo juntos
Paul começou a trabalhar na cidade de Nova Iorque. Dois anos depois, em julho de 1998, Carrin e Paul casaram-se na cidade natal de Carrin, no norte do estado de Nova Iorque. A noiva incorporou o apelido de Paul no seu, tornando-se Carrin Schottler-Thal.
A família de Paul voou para as celebrações, tal como muitos velhos amigos dos seus dias de serviço militar.
"As minhas amigas americanas viram aqueles homens bonitos e ficaram encantadas", ri-se Carrin. "Todos aqueles homens suecos simpáticos e charmosos convidaram-nas para dançar, o que foi muito agradável. Foi uma festa muito divertida e passámos um excelente momento."
A banda sonora foi uma mistura de clássicos de casamento americanos, pop sueca e canções britânicas.
E quando estava a escolher as flores, Carrin recordou a primeira noite com Paul, o momento em que se despediram em Regent’s Park, por entre as rosas.
"Por isso tive um buquê cheio de rosas amarelas, porque me lembrava daquelas lindas rosas amarelas de Regent’s Park", diz.
Houve várias outras alusões ao encontro de Carrin e Paul em Londres. As mesas não tinham números, por exemplo. Em vez disso, cada uma tinha o nome de diferentes destinos no Reino Unido para onde Carrin e Paul tinham viajado durante os seus primeiros três meses juntos.
"A minha irmã Tammy fez um discurso e falou sobre como nos conhecemos", acrescenta Carrin.
"A Heather, a rapariga que estava na visita guiada, também veio ao casamento. Foi muito, muito fixe ter toda a gente lá."
Após o casamento, Carrin e Paul estabeleceram-se em Albany, no norte do estado de Nova Iorque. Paul deslocava-se diariamente para trabalhar na cidade de Nova Iorque.
Este período das suas vidas foi feliz, mas agitado. Estavam finalmente no mesmo lugar, mas o trabalho de Paul envolvia muitas viagens, enquanto Carrin estava ocupada com a formação médica.
Quando a empresa de consultoria de TI de Paul faliu — consequência do rebentamento da bolha das "pontocom" no final dos anos 90 —, pareceu uma oportunidade para fazer algo diferente. Paul decidiu tirar outro mestrado.
Depois, em setembro de 2001, Paul fez 30 anos e o casal viajou para São Francisco para celebrar este novo capítulo das suas vidas.
"Estávamos em São Francisco durante o 11 de Setembro", conta Carrin. "Alguns colegas do antigo emprego dele perderam a vida nessa altura, no World Trade Center. Foi um período muito difícil para nós."
Nos meses seguintes, de luto e em choque, Paul e Carrin decidiram, juntos, que Paul não regressaria ao trabalho na cidade após a graduação. Também não queriam que o futuro trabalho de Paul envolvesse tantas viagens. Queriam que a sua vida, trabalho e família fossem em Albany.
"Ele tirou o mestrado e já teve vários empregos aqui em Albany; eu fiz a minha residência e tenho sido médica aqui; e temos conseguido manter-nos juntos aqui", diz Carrin.
Hoje, Carrin e Paul continuam a viver em Albany, agora com o filho de 16 anos. São um trio muito unido.
"Adoramos estar juntos. Somos muito, muito próximos", diz Paul. "Se eu tiver um dia difícil, o meu filho percebe antes de eu saber."
A família também tem passado muito tempo na Suécia ao longo dos anos.
"O nosso filho já lá foi muitas, muitas vezes", refere Paul. "E nós misturamos tradições suecas e norte-americanas, as coisas que realmente valorizamos da nossa infância e que trazemos connosco de casa."
Durante as festas, por exemplo, a família celebra o Natal sueco a 24 de dezembro e o Natal americano a 25.
"Por isso, o nosso filho é muito sortudo, porque tem dois Natais pelo preço de um", brinca Paul.
O filho de Carrin e Paul é autista e, na escola, comunica através de um iPad usando palavras suecas e inglesas.
"O que é maravilhoso", diz Carrin. "Quando ele quer estar calmo, diz a palavra sueca e os assistentes dizem a palavra sueca para calmo: lugna. Ele entende sueco e tentamos incorporar isso na vida dele também, o que é muito interessante."
"Uma espécie de magia"
Há alguns anos, Carrin e Paul levaram o filho a Londres para refazer os passos da sua juventude.
"Fomos a Piccadilly Circus e almoçámos", conta Carrin. "E levámo-lo a passear pelos mesmos locais onde caminhámos naquela noite."
A família não conseguiu ir à Torre de Londres nessa visita, mas Carrin e Paul esperam regressar um dia. Questionam-se muitas vezes se os Beefeaters que os incentivaram ainda andam por lá.
"Achávamos que eles eram tão velhos na altura, não é?", diz Paul.
Mas hoje, quando folheiam as fotografias coladas num álbum, o casal percebe que os Yeoman Warders cupidos provavelmente não eram assim tão velhos como os jovens Paul e Carrin assumiram.
Esses guardas podem ainda viver na Torre e podem gostar de saber como a sua intromissão resultou num amor duradouro.
"Eles mudaram as nossas vidas", afirma Carrin.
"Fizeram parte disso", concorda Paul. "Quando pensamos na vida, em diferentes coisas, um comentário aqui e ali pode desencadear reações em cadeia."
Olhando hoje para os primeiros dias juntos em Londres, Paul chama-lhe um "tempo especial".
"Para mim, foi uma espécie de magia", concorda Carrin. "Uma época mágica. Adoro que a história seja contada. Acho que é apenas uma história doce e realmente feliz."
O casal mantém-se próximo de Heather, a amiga que viu a sua história de amor começar.
"E ainda temos, no nosso sótão, todas aquelas caixas de cassetes que enviámos há tanto tempo", diz Carrin.
Aquele período das suas vidas foi preenchido com "muita incerteza, mas ainda assim foi emocionante", reflete Paul.
"E havia um certo grau de calma em torno disso", acrescenta. "Não sei como explicar emocionalmente. Era quente, calmo... Penso nisso como um tempo muito quente, calmo e emocionante. E parecia o certo."