Sporting "tem ligeiro favoritismo", mas Benfica "só tem uma tarefa: impor-se”

CNN Portugal , MMC
25 mai 2025, 08:00
Liga: Benfica-Sporting (LUSA)
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O analista e comentador Tomás da Cunha explica o que pode acontecer no relvado do Jamor. E dá-nos a sua aposta para os onzes iniciais

Benfica e Sporting voltam a encontrar-se este domingo, duas semanas depois do empate no Estádio da Luz. Desta vez, para uma competição que foge a 'encarnados' e 'verdes e brancos' há oito e seis anos, respetivamente. A final da Taça de Portugal conta, assim, mais um capítulo do 'dérbi eterno'.

No que confere à quantidade de troféus conquistados, há clara vantagem para o Benfica: 26, contra os 17 conquistados pelo Sporting. Mas quando a bola começar a rolar, não há vantagem ou desvantagem que dê 'spoiler' ao que se pode passar nos 90 ou, quiçá, 120 minutos seguintes.

A CNN Portugal falou com Tomás da Cunha - analista de futebol - para entender o que nos pode esperar no relvado do Jamor, em mais uma página de história da Taça de Portugal. 

Sobre quem pode partir mais forte para este dérbi, Tomás da Cunha adianta que o Benfica pode estar a jogar 'sobre brasas', destacando a importância que o título de campeão - conquistado pelo Sporting - pode ter, no 'desenrolar' do jogo: "O título tem peso, sem dúvida alguma. Mais do lado anímico do que propriamente do lado tático, porque houve bastante equilíbrio ao longo da temporada nos jogos entre o Sporting e o Benfica, mas podemos dizer que a equipa de Rui Borges tem ligeiro favoritismo pelo momento de forma em comparação com o Benfica, até porque o jogo da equipa de Bruno Lage contra o Braga não foi nada positivo e até acabou por separar as equipas pontualmente, na luta pelo título".

A última vez que o Benfica venceu a 'prova rainha' foi na época 2016/2017, com Rui Vitória, depois de ter batido o Vitória SC por duas bolas a uma, com golos do mexicano Raúl Jiménez e do argentino Eduardo Salvio. Pelos vitorianos, marcou Bongani Zungu. 

Até essa final, no caminho do Benfica, cruzaram-se, por esta ordem, 1º de Dezembro (1-2), Marítimo (6-0), Real SC (0-3), Leixões (6-2) e, nas meias-finais, com um agregado de 5-4 a favorecer as 'águias', o Estoril. 

Apesar de uma "sensação de folga", Tomás da Cunha acredita num Sporting motivado e a tentar alcançar um feito que foge aos leões desde a época 2001/2002: "Mesmo que aliviados, não quer dizer que o Sporting não tenha ambição de vencer a Taça Portugal. Até porque a dobradinha também é um objetivo estrutural para o clube. Há mais de 20 anos que isso não acontece, mas há esse ligeiro favoritismo da equipa verde e branca, não por haver uma superioridade tática clara, porque não houve ao longo da temporada, mas porque individualmente e em termos mentais pode haver alguns fatores desequilibradores nesse jogo".

A última vez que o Sporting conseguiu a 'dobradinha', foi há 23 anos, com Lazlo Bölöni. Os leões ficaram cinco pontos à frente do Boavista, para a Liga, e venceram o Leixões na final da Taça, com (mais) um golo de Mário Jardel.

A última vez que o Sporting venceu a Taça, em 2018/2019, ultrapassou o GS Loures (1-2), o Lusitano de Vildemoinhos (1-4), o Rio Ave (5-2), o Feirense (0-2) e nas meias, com papel de destaque para Bruno Fernandes, o Sporting bateu o seu rival Benfica, depois de um empate no resultado agregado a duas mãos de 2-2, com vantagem para os 'leões', por terem sofrido menos golos em casa (neste caso, nenhum). 

Na final, o Sporting de Marcel Keizer empatou por 2-2 com o FC Porto, nos primeiros 120 minutos, mas venceu nas grandes penalidades, depois de Renan Ribeiro ter defendido o pontapé do castigo máximo de Fernando Andrade e Luiz Phellype ter marcado o penálti que carimbou a conquista da 17ª Taça de Portugal para os leões. Durante o jogo 'corrido', os autores dos golos dos 'verde e brancos' foram Danilo Pereira (na própria baliza) e Bas Dost, enquanto, pelos 'dragões', marcaram Tiquinho Soares e Felipe, aos 120+1'. 

Colocando os holofotes para esta temporada, Benfica e Sporting 'derrubaram' cinco adversários para estar no Jamor. 

Entre adversários de maior ou menor dificuldade teórica, o conjunto de Bruno Lage eliminou o Pevidém (0-2), o Estrela da Amadora, com triunfo por 7-0, o Farense (1-3), o Braga (1-0) e o Tirsense, com triunfos por 0-5 e 4-0. 

Do outro lado da Segunda Circular, o conjunto de Rui Borges (e, também, de João Pereira e Ruben Amorim) venceu o Portimonense (1-2), com o atual técnico do Manchester United no banco de suplentes leonino; o Amarante por 6-0, na estreia de João Pereira como técnico da equipa principal do Sporting, que ainda levou o Sporting ao triunfo por 2-1, na fase seguinte, frente ao Santa Clara. A partir daí, foi Rui Borges que assumiu os comandos da equipa de Alvalade, tendo vencido o Gil Vicente por 0-1 e nas duas mãos da meia-final frente ao Rio Ave, por 2-0 e 1-2, respetivamente.  

Quanto aos protagonistas que poderão alinhar de início no próximo domingo, Tomás da Cunha acredita que "nesta altura, não há espaço para grandes surpresas", destacando, no Sporting, o regresso de Morten Hjulmand e da dúvida à volta de Geny Catamo: "Hjulmand vai voltar, depois de ter falhado, por castigo, o jogo da última jornada contra o Vitória. Do meio-campo para a frente não há grandes dúvidas também. A única diferença, até porque Diomande em princípio vai falhar o jogo, é mesmo a entrada de St. Juste. Creio que para central do meio, mantendo Gonçalo Inácio à esquerda e Eduardo Quaresma à direita. De resto, uma ligeira dúvida no lado direito entre Geny Catamo e Geovany Quenda, mas Geny Catamo tem parecido a preferência de Rui Borges". O analista revela, ainda, que "sem Diomande, o papel de Pavlidis pode ser altamente relevante" uma vez que "St. Juste não é um jogador tão habituado a lidar com pontas de lança, enquanto central do meio". 

No onze do Benfica, "o ponto de interrogação está, mais uma vez, em Di María", afirma Tomás da Cunha: "Não sabemos ao certo, também, se Aursnes está disponível. Se estiver, será titular. Não estando, parece-me difícil que Bruno Lage repita a aposta em Barreiro, porque não foi bem-sucedida no jogo contra o Braga. Depois, com a questão do contrato e da saída de Di Maria, também pode ser mais complicado ver o argentino a titular. Talvez fique guardado para uma segunda parte ou para a eventualidade de o Benfica precisar de crescer no jogo para chegar a um empate ou à vitória". 

O último embate entre os dois conjuntos, deu vantagem madrugadora à equipa de Rui Borges, depois de um remate de Francisco Trincão, à passagem do quarto minuto de jogo. Até ao fim da primeira parte, os leões ainda conseguiram, mais uma vez, colocar a bola dentro da baliza adversária, mas o lance acabaria por ser anulado, além de conseguirem efetuar mais dois remates à baliza de Anatoliy Trubin. O Benfica chegou ao intervalo sem qualquer tento à baliza de Rui Silva, apesar de um remate perigoso de Di María que passou perto da trave da baliza do Sporting.

Na segunda parte, o Sporting desceu no terreno e viu o seu rival chegar com maior perigo à baliza contrária, tendo sofrido o golo do empate aos 63', por Aktürkoğlu, que selou o resultado, depois de uma segunda parte em que o Benfica terminou com 61% de posse de bola, contra os 39% do Sporting e que efetuou nove remates, contra dois, do Sporting.

Sporting mais agressivo e Benfica com entrada mais forte

Em relação às diferenças que poderão existir entre o dérbi da Luz e o próximo, no Jamor, Tomás da Cunha acredita num Sporting com uma postura diferente, face ao que fez no último jogo contra o Benfica: " A principal diferença é que o Sporting também terá uma postura mais agressiva e mais ambiciosa, depois dependerá sempre do resultado. O Sporting marcou muito cedo na Luz, mas esse jogo foi lançado numa base diferente: o Benfica tinha de vencer, o Sporting jogava para dois resultados - o que não vai existir nesta final. As duas equipas partem em igualdade de circunstâncias, nesse aspeto".

Se o golo madrugador do Sporting se repetir, Tomás da Cunha não tem grandes dúvidas: "Se o Sporting marcar primeiro, reforça, seriamente, o favoritismo. Se isso acontecer, pode assumir o tal jogo de bloco mais compacto, explorando, depois, as características de Gyökeres como avançado, e a fragilidade mental a que o Benfica seria sujeito a partir daí. Estando a perder e tendo perdido o campeonato, deixariam o Sporting num papel muito confortável". 

Ainda na Luz, dos 14 remates que o Benfica fez, apenas um - o golo de Aktürkoğlu - foi enquadrado com a baliza de Rui Silva. Tomás da Cunha aponta causas e soluções para aquela que poderá ser a melhor via para o Benfica melhorar seu critério de decisão e da ocupação de espaços, quando tiver bola: "Tendo em conta todos os dados que Bruno Lage tem à disposição e ao contrário do que aconteceu no dérbi, não agarrar a equipa a Di María - que tem o seu estatuto e o seu lugar no plantel, mas a situação contratual talvez altere essa lógica - e confiar no talento de Schjelderup e até de Dahl, que não jogaram como titulares, pode ser o melhor caminho para o Benfica conseguir, desde o início e não apenas num lado reativo, a partir de uma segunda parte, também conseguir impor-se no relvado do Jamor". 

Entre o último dérbi e o próximo, Tomás da Cunha aborda os erros que foram cometidos pelo Sporting na Luz, e como poderão ser retificados no Jamor: "A tendência do Sporting nesta altura, até para jogar com Gyökeres, é muitas vezes baixar as linhas. Assumir um ritmo mais baixo do jogo, para tentar atacar as costas do adversário com o avançado sueco. E isso aconteceu muito na Luz. Pedro Gonçalves e Trincão disseram, nas entrevistas que têm dado recentemente, que o Sporting baixou um pouco em demasia nesse jogo da Luz. E a forma como a equipa pode jogar com Gyökeres, por vezes também convida a isso. Nesse sentido, o Sporting deve tentar contrariar ao máximo essa tendência que se tem visto, não apenas nesse jogo da Luz, mas também noutros momentos ao longo da temporada".

Do conjunto de Bruno Lage, o analista tira, também, algumas ilações quanto ao que o Benfica pode corrigir para o próximo domingo: "Para o Benfica, a principal dificuldade, até tendo em conta a exigência de vencer a Taça de Portugal, será conseguir ter uma entrada muito mais forte do que aquela que teve no jogo da Luz, e que até se perspetivava que pudesse acontecer. Mas não, quem entrou melhor foi o Sporting e passou a intranquilidade para o Benfica. Se houver algum tipo de adversidades logo nos primeiros 15, 20 minutos para a equipa de Bruno Lage, pode ser muito complicado, mentalmente, a equipa dar resposta".

Ainda sobre as águias, Tomás da Cunha conclui, dando uma receita curta e clara sobre o que o Benfica deve emendar: "Quer taticamente, quer no plano da ambição, o Benfica só tem uma tarefa: chegar para se impor e não para especular no relvado do Jamor".

À espera do apito inicial de Luís Godinho, as águias querem vingar o campeonato e os leões reforçá-lo com a conquista da 'prova rainha', alcançando uma dobradinha que lhes foge há 23 anos. A questão sobre quem erguerá o troféu na tribuna presidencial, só será respondida depois de a bola já ter rolado num relvado que terá, certamente, uma grande moldura humana, atenta a cada acontecimento deste encontro.  

Benfica e Sporting marcam presença na final da Taça de Portugal, este domingo, às 17h:15, no Estádio Nacional do Jamor.

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