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A depressão pós-parto também se vive no masculino: "Tenho medo de estar sozinho com o meu filho"

3 mai, 08:00
Ângelo Valente

É um problema de saúde mental associado às jovens mães, mas também afeta os pais. A coragem para assumir que não se está bem naquela que devia ser a fase mais feliz da vida de um homem é ainda mais reduzida. São poucos os que o admitem e Ângelo Valente é um deles. Diz que o facto de ser uma segunda experiência de parentalidade e já saber “ao que ia” pode ter sido precisamente o maior dos gatilhos

Todos os dias, Ângelo Valente leva alegria a dezenas de idosos, com a Associação Extragenária, de que é fundador. Quem o conhece, sabe que é o dinamismo, a alegria e a boa disposição em pessoa. Está envolvido em vários projetos, em várias instituições, coleciona amigos e pratica desporto com regularidade. É, por isso, difícil de o imaginar triste, angustiado e inseguro. Mas foi assim que começou a sentir-se poucas semanas depois de Bernardo, o filho mais novo, nascer.

A tristeza, que admite não ter razão para existir, trouxe um sentimento de culpa que não consegue sacudir dos ombros. “Ser pai dos meus dois filhos é, sem dúvida nenhuma, a maior graça e a maior felicidade da minha vida. No entanto, essa felicidade, acho que não é vivida em pleno.  Achamos que estamos preparados e eu acho que não estamos preparados para quase nada. Para o segundo estávamos mais preparados. Mas as emoções foram muito mais intensas”, admite, em conversa com a CNN Portugal.

O facto de já ter outro filho pode até ter sido, aliás, um gatilho para o que agora se está a passar. Diz que, como “já sabia ao que ia”, começou a sentir as implicações do nascimento de um filho por antecipação. À medida que a data prevista para o parto se aproximava, a ansiedade começou a tomar conta dele e a ideia de ter em casa um recém-nascido totalmente dependente dos pais começou a assustá-lo. Diz que, sem dar conta, começou a aperceber-se do que teria de abdicar após o nascimento de Bernardo e do peso que isso teria na sua vida pessoal e profissional.

“Acabei por extrapolar um bocadinho estas emoções. Aquilo que sinto, essencialmente, é que a nossa vida é muito afetada com filhos. E esta mudança drástica é uma mudança social, mas também é uma mudança física. Sou uma pessoa que adora planear, controlar, esquematizar tudo aquilo que se passa na minha vida. E a regra em ter filhos é que não há controle quase nenhum. Às vezes isso deixa-me angustiado. E é uma angústia adicional não me sentir tão feliz como acho que deveria estar”, confessa.

Um círculo vicioso

Depois vem a culpa por se sentir infeliz e a angústia por se sentir culpado. Os sentimentos entram numa espécie de círculo vicioso de que Ângelo não se consegue libertar. Reconhece que a “romantização” que a sociedade faz do nascimento de um filho também não o ajuda. “É maravilhoso. Dá sentido à vida. Dá um propósito a qualquer pessoa. Mas é uma fase que tem muitas dificuldades e temos de saber ultrapassá-las”, acrescenta.

“Na minha cabeça, penso que, nos próximos dois anos, vou estar preso numa prisão de alta segurança”, admite.

Uma “prisão” que ele próprio escolheu. Tem consciência disso. Foi ele quem decidiu, em conjunto com a mulher, Sónia, ter mais um filho. Mas os pensamentos intrusivos não pedem licença para entrar. Sente que não consegue consolar o bebé quando ele chora e invade-o um sentimento de inutilidade e de incapacidade por não ser capaz de ser uma alternativa à mãe, que amamenta em exclusivo. “O nascimento do Bernardo e a apresentação do Bernardo ao Francisco foi talvez o dia mais feliz da minha vida. Mas os dias que se seguiram foram de uma profunda angústia. O Bernardo tem agora dois meses e tenho medo de estar sozinho com ele. Acho que não consigo controlar. Afeta-me muito o chorar. Ele está a crescer imenso e a alimentar-se muito bem. Mas tem muitas cólicas e o choro dele e o facto de não conseguir ser alternativa à mãe aumenta muito a minha angústia. Não consigo ser alternativa à Sónia porque ela amamenta, mas sobretudo porque me sinto assim”, diz Ângelo Valente.

“Ando menos feliz e não tenho nenhuma razão concreta para estar assim. E esta é talvez a minha grande angústia”, resume.

A hora da "bruxa"

Quando para para pensar, reconhece que “o Universo foi muito bom” com ele. Não se pode queixar da saúde física, os filhos são os dois saudáveis: “Eu nasci com uma deficiência e tinha muito medo de que isso acontecesse a alguns dos meus filhos. E o universo deu-me dois filhos maravilhosos. Muita saúde. E, mesmo assim, ando deprimido”.

Entrega-se ao trabalho a “200 por cento”, mas até essa entrega sente que está a ser afetada. “Hoje estive numa conferência em Pombal. E, de certa forma, hoje... Aquela vontade de ir a um palco e falar com as pessoas mais velhas... Ela está lá. E aconteceu. Mas sim, às vezes, falta-me a energia que era habitual”, conta. “E algumas pessoas à minha volta já sentiram isso”.

Ângelo repete várias vezes, ao longo da conversa que “adora ser pai”. E, embora sejam 15:00 e a linguagem corporal indique ansiedade e insegurança, garante que “durante o dia é maravilhoso”. Mas, com dois meses, Bernardo ainda tenta lutar contra as cólicas e estas agravam com o cair da noite. “Quando o pôr-do-sol começa... Chamam-lhe a hora da bruxa. Também acontece nas pessoas mais velhas com demência. Há vários estudos que refletem sobre isso. Com o pôr-do-sol, há muitas manifestações nas crianças e nas pessoas mais velhas de alguma instabilidade. A ‘hora da bruxa’ é mais ou menos das sete até às dez da noite. Às cinco ou seis da tarde, eu já começo a ficar ansioso, porque sei que vou para casa e ele vai chorar e eu vou sentir esta impotência. Falo mesmo do não querer, às vezes, voltar para casa”, conta.

Sente também a falta dos momentos a sós com Sónia. Diz que há dois meses que não sabe o que é ter a mulher “só para” ele. “Falo disto abertamente. É preciso falarmos disto para desmistificar essa ideia romantizada da paternidade e para acabar com os tabus em torno da saúde mental. Estou diariamente com idosos de Norte a Sul do país. Contei isto a um grupo de idosos de Vila do Conde e eles disseram: ‘O que tens, Ângelo, é ciúmes dos teus filhos. Os teus filhos roubaram a tua mulher. E tu estás triste por causa disso’”, revela.

Acha o que sente “muito absurdo”, mas é real. “Também é uma coisa que acontece. Com dois filhos, efetivamente, falta muito tempo para nós sermos casal”, admite.

Impacto na família

A depressão de Ângelo afeta toda a família. Há “menos paciência” para o Francisco, menos capacidade de apoiar Sónia e isso reflete-se na dinâmica e nas rotinas familiares. “Gostava de ter mais apoio dele, para poder dar também mais atenção ao Francisco. Nos primeiros dias, ainda tentámos que fosse eu a dar banho ao Francisco para ter também esses momentos a sós com ele. Mas o Ângelo tinha muita dificuldade em acalmar o Bernardo e em lidar com o choro dele”, confessa Sónia Prior.

“E claro que eu, enquanto mãe e enquanto mulher, também gostava de ser cuidada e precisava desse apoio. Mas compreendo que é uma coisa que ele não consegue controlar”, acrescenta.

Ângelo sabe que, à medida que vai crescendo, Bernardo vai conquistar independência e isso vai ajudar a restabelecer a ordem na família, no seu coração e na sua alma. “Quero muito que o tempo passe rápido. Então, vivo nesta ansiedade do tempo passar. Sei que os próximos dois anos vão ser terríveis. Esta falta de viver o aqui e o agora, aumenta também o meu sentimento de angústia, de tristeza…”, tenta justificar.

E, na era das redes sociais, vem a inevitável comparação. Ver as publicações de pais e filhos num clima de aparente felicidade agudiza-lhe a tristeza. “Há uns dias, tirei uma foto maravilhosa da Sónia com o Bernardo. Quando a ia publicar, com texto todo bonito, percebi que não estava a ser sincero. Defendo a verdade para tudo e eu não estava a ser verdadeiro. Ia publicar aquela foto e ela ia transparecer que estava tudo bem. E não estava”, conta.

Foi então que decidiu publicar a fotografia, mas com a legenda a revelar o que o atormentava. “Nunca tinha dito aquilo que sentia. E foi aí que muitas pessoas me mandaram mensagens e se identificaram com aquilo que estava a sentir. E esta normalização do imperfeito, de que as coisas não são sempre espetaculares, é muito importante”, defende.

Depressão pós-parto ou burnout parental?

A ideia pré-concebida de que a doença só afeta as mulheres, a vergonha em admitir que não se está bem e o estigma social impedem muitos homens de pedir ajuda. Afinal, a sociedade encara o homem como aquele que não chora. E se se está a viver, supostamente, um dos momentos mais felizes da vida, não há razões para se estar triste. Mas o homem também chora, também sofre a privação do sono, também tem sentimentos de impotência. Estima-se que a depressão pós-parto afete um em cada dez pais.

“A depressão pós-parto paterna pode se desenvolver até seis meses após o nascimento do bebé. É importante termos isto em conta, porque muitas vezes a sociedade e até mesmo a família vai normalizando, vai até julgando um bocadinho alguns sinais dos pais, como falta de interesse pelo bebé ou pela vida familiar”, alerta a psicóloga Isa Silvestre.

De acordo com a psicóloga, há sintomas específicos associadas à depressão pós-parto no masculino. “O que é que os pais podem apresentar? Irritabilidade, comportamentos de risco para com eles, como por exemplo a falta de autocuidados, o consumo excessivo de álcool ou de outras substâncias, até mesmo refugiarem-se em videojogos, por exemplo, em comportamentos de risco impulsivos, episódios de raiva, terem o sentimento de que estão a falhar e que também não se estão a adaptar bem no papel de pai e sentirem que não há aqui uma conexão emocional”, enumera.

A psiquiatra Maria Moreno admite o conceito de depressão pós-parto paterna, mas prefere chamar-lhe outra coisa: “Na minha clínica, no meu dia-a-dia, na consulta, eu nem sempre lhe chamo depressão pós-parto. Porquê? Porque, para mim, é muito importante separar o que é a depressão pós-parto na mãe da depressão pós-parto no pai. A depressão pós-parto na mãe é muitíssimo biológica”.

“No pai, nós sabemos que a depressão pós-parto está do outro lado da barreira. Ela é muitíssimo ambiental. Está muito ligada aos fatores externos. Mais do que uma depressão habitualmente teria. Portanto, nós temos duas doenças em cada lado da barreira e, na verdade, faz-me sentido distingui-las. A depressão pós-parto do homem é uma depressão muito mais parecida com um burnout. Com um burnout parental”, acrescenta a psiquiatra.

O "cambalacho de hormonas"

A depressão pós-parto não é um problema exclusivamente feminino, mas a realidade é que atinge muito mais mulheres do que homens. Em Portugal, estima-se que atinja uma em cada cinco mães. As alterações hormonais provocadas pela gravidez e pelo parto são um fator relevante. “Nós estamos nove meses com um cambalacho de hormonas a fazer um bebé. Se pensarmos bem, fazer um bebé é uma coisa extraordinária. As nossas hormonas sobem, sobem, sobem até níveis nunca antes vistos e, de repente, com o parto, em 48 horas essas hormonas voltam a cair a pique”, justifica a psiquiatra Maria Moreno.

“As principais causas que fazem com que as mulheres estejam mais vulneráveis podem começar logo no processo de gravidez. Como é que foi o processo de gravidez, se houve ou não apoio familiar, como é que decorreu até em termos médicos e em termos psicológicos a adaptação da mulher ao novo estado, se existiram complicações que depois também podem prolongar-se para a fase do parto. Muitas vezes, estes fatores de risco associados a partos complicados, um eventual internamento do bebé ou até situações de saúde da mãe podem espoletar uma depressão pós-parto”, acrescenta a psicóloga Isa Silvestre.

E depois vêm outras dificuldades próprias da maternidade - o cansaço, a privação de sono, as dores de um pós-parto, os desafios da amamentação, por exemplo – que deixam as mulheres mais vulneráveis. Quase todas experimentam uma tristeza inicial, a que os médicos chamam ‘baby blues’.

“A diferença entre o baby blues, que dura entre uma semana e 15 dias, e a depressão pós-parto é quando essa tristeza se prolonga para além das quatro semanas. Estes sintomas de tristeza persistente, irritabilidade, episódios de raiva, impulsividade, sentimentos de culpa, o sentimento que não somos mães suficientemente boas, a falta de ligação ao bebê ou, por outro lado, uma atitude muito perfecionista e muito obsessiva no cuidado com o bebê em que a mulher exclui outros intervenientes, outros papéis fundamentais para o desenvolvimento emocional e até para o bem-estar e para o equilíbrio da relação familiar. É muito importante estarmos atentos a estes sinais, compreendendo e ajudando a mulher porque o bem-estar emocional, quer da mãe quer do pai, e o equilíbrio na relação familiar, será essencial para o desenvolvimento emocional e do bebé e para o seu crescimento”, reforça a psicóloga

A história de Núria

Núria Viana tinha 36 anos quando engravidou da terceira filha. Já tinha duas crianças de seis e quatro anos. Foi uma gravidez desejada e os puerpérios dos dois filhos mais velhos não tinha sido difícil.

É empresária e garante que sempre foi uma mulher muito dinâmica, muito ativa e muito alegre. Já tinha tido os seus “temas” no que diz respeito à saúde mental, mas nunca se tinha sentido deprimida. Dá a cara para desmistificar que a doença só afeta mães de primeira viagem, para reforçar a importância de pedir ajuda e a importância da atenção que uma equipa médica tem na vida da mãe de um recém-nascido. Se não fosse a enfermeira do centro de saúde, talvez se tivesse deixado cair até a um ponto em que levantar-se podia ter sido mais difícil.

“Na verdade, não me apercebi muito bem [que estava doente]. Aperceberam-se por mim. Felizmente, era acompanhada no centro de saúde por uma equipa espetacular composta por um médico de família e uma enfermeira, que me acompanharam nos três pós-partos. A enfermeira já me conhecia um pouco e começou a perceber que eu não estava bem, por comparação com as outras duas gravidezes que tinha tido e aos acompanhamentos do pós-parto que tinha feito”, começa por contar.

A importância do centro de saúde

Diz que se sentia “a sobreviver em muita coisa”, mas não valorizou. Afinal cuidar de três crianças pequenas, de uma casa e das empresas implicava um trabalho árduo. “Achei que era normal e acabei por não me aperceber que estava nessa situação. Foi a enfermeira que se apercebeu e falou com o médico de família”, revela.

Juntos, enfermeira e médico, falaram com Núria sobre a possibilidade de estar a atravessar uma depressão pós-parto. Inicialmente, recusou a ideia: “achava que isso era impossível de me acontecer”. “Sempre fui uma pessoa muito dinâmica, muito ativa, bem-disposta, alegre… a visão que tinha era que isso poderia acontecer a pessoas que tinham quadros psicológicos, eventualmente, psicológicos um bocadinho mais difíceis, ou temas anteriores, etc. Nunca achei que poderia desenvolver uma depressão, muito menos uma depressão pós-parto. Quando eles me disseram, a minha resposta foi negação”, assume.

O médico prescreveu-lhe a medicação indicada, mas Núria recusou-se a tomá-la. Acabou por reconhecer que não estava bem, mas não se sentia capaz de enfrentar sessões de psicoterapia. “Estando já debilitada emocionalmente, senti que não conseguia enfrentar uma psicoterapeuta. Sabia que precisava de me mover em direção a alguma coisa e acabei por procurar uma coach, que me ajudou nesse sentido. Optei por uma mulher, porque também já tinha sido mãe e acabava por haver uma afinidade maior. E, sendo uma mulher mais velha, acabou por me ajudar em muita coisa”, revela.

“Foi quase um trabalho de psicoterapia. Ajudou-me a encontrar que me levassem a sair daquele estado e a fortalecer-me”, conta. Quando se sentiu capaz de enfrentar um processo psicoterapêutico, mergulhou a fundo e procurou uma psicóloga. Ainda hoje, já recuperada, tem sessões de psicoterapia.

Reforça diversas vezes que “isto foi o que resultou comigo, mas não significa que resulte com as outras mães”. “A medicação e a psicoterapia é o que resulta com a esmagadora maioria das mulheres e eu não as desvalorizo. Antes pelo contrário. Se sentirem que é isso que vos vai ajudar, vão em frente. Só quero, com o meu exemplo, dizer que há alternativas, se sentirem que isso não vai ou não está a resultar”, sublinha.

Juntar as peças e dar nova forma à vida

É diante de uma obra de Bordalo II, no Parque das Nações, em Lisboa, que fala com a CNN Portugal e com a TVI. O lince feito de peças de lixo é uma verdadeira metáfora da história de Núria. Seis anos depois, sente que foi capaz de juntar as peças e dar uma nova forma à vida: “tudo aquilo que fui aprendendo ao longo desse processo ajuda-me hoje a lidar com tudo isso”. “Na altura foi quando comecei a praticar desporto com maior regularidade e, hoje, é uma prática diária de que não abdico. É a minha terapia individual”, exemplifica.

Revive o passado e deixa conselhos às mulheres que foram mães recentemente ou que estão prestes a sê-lo: “sobretudo reunirem-se de pessoas que gostam delas e de quem elas gostam. Pessoas que sejam um suporte. Seja família, amigos… isso é fundamental. Não desvalorizem os sinais e peçam ajuda. Não tenham vergonha de pedir ajuda, não tenham vergonha de admitir que estão a passar por um mau momento ou por uma fase mais difícil”.

Ângelo, um ano depois

A conversa com Ângelo Valente aconteceu quando Bernardo tinha dois meses. Por contingências editoriais, só agora é publicada. Bernardo acabou de completar um ano. Poucos dias antes do pai fazer 43. Dez meses depois, não quisemos publicar a reportagem sem falar com ele.

Em duas palavras, resume como se sente agora: “estou fino!”. Pediu ajuda, seguiu todos os conselhos dos profissionais que o acompanharam e agora olha para o filho e para os desafios da paternidade com segurança. Os medos e as inseguranças que sente já são apenas os típicos de um jovem pai que está a criar dois filhos num mundo cheio de instabilidade.

Faz questão de reforçar: “peçam ajuda! Não tenham vergonha de admitirem que estão mal”. Afinal, a saúde mental não é um problema só no feminino e “a depressão pós-parto não afeta só as mulheres”.

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