Como posso ajudar as populações das zonas afetadas pela depressão Kristin

Andreia Miranda , com Lusa
30 jan, 10:13

Autarquias apelam ainda para que as deslocações às zonas afetadas sejam evitadas, de modo a não dificultar os trabalhos de socorro e de reposição da normalidade

O rasto de destruição deixado pela depressão Kristin na região Centro continua a fazer-se sentir, com muitas famílias a perderem bens essenciais e a enfrentarem dificuldades no dia a dia. Em várias localidades, o fornecimento de eletricidade ainda não foi totalmente reposto, há constrangimentos no abastecimento de água e persistem falhas graves nas comunicações, com telefones que não fazem nem recebem chamadas.

Perante este cenário, multiplicam-se os apelos à solidariedade. Vários municípios estão a pedir o apoio da população para ajudar quem foi mais afetado, pedindo para que sejam entregues bens essenciais, como alimentos não perecíveis, água, roupa, cobertores e produtos de higiene. Para além disso, são pedidas lonas e plásticos - para tapar as casas que ficaram sem telhados - e geradores para ajudar as zonas sem energia.

As autarquias apelam ainda para que as deslocações às zonas afetadas sejam evitadas, de modo a não dificultar os trabalhos de socorro e de reposição da normalidade.

Em Leiria, a operação "Reerguer Leiria", relembra que "na cave do Pavilhão dos Pousos, é possível entregar e recolher bens alimentares não perecíveis, artigos de higiene e lonas e plásticos. Também a Cáritas Diocesana de Leiria se uniu ao município "numa missão de solidariedade para apoiar as vítimas da recente tempestade Kristin", pedindo que sejam entregues arroz, massa, azeite, óleo, enlatados, leite, papas infantis, bolachas, cereais, champô, sabonetes, gel de banho, toalhitas, fraldas, produtos de higiene oral e de higiene feminina.

"Desde ontem [quinta-feira] que temos um centro de apoio colocado no Pavilhão dos Pousos, onde temos já recolhido alguns bens alimentares para as pessoas que não conseguiram ir aos supermercados que ainda estão a funcionar ou que precisem de alguma ajuda nessa parte", afirmou Luís Lopes, vereador da Proteção Civil de Leiria.

No mesmo local, é feita a "distribuição de lonas e plásticos para que as pessoas possam ir recolher e tapar os telhados que não têm condições agora para reparar", referiu, pedindo às pessoas que queiram apoiar com bens para que se desloquem àquele pavilhão.

"Temos lá as nossas equipas que irão recebê-las e que irão depois acomodar as coisas", adiantou o vereador à Lusa.

Por sua vez, o município da Marinha Grande apela à entrega de colchões, mantas e cobertores para os desalojados, que podem ser entregues no Pavilhão Nery Capucho.

"A solidariedade de todos é fundamental neste momento. Cada contributo ajuda a garantir mais conforto e dignidade a quem foi obrigado a sair da sua casa", lê-se no Facebook.  

Também Figueiró dos Vinhos "apela ao humanitarismo, solidariedade e apoio dos portugueses para que ajudem a população do concelho mais atingido pela Depressão Kristin, a recuperar desta inimaginável situação de crise", pedindo ajuda para roupas de cama (lençóis, cobertores, almofadas, etc.), mobiliário de quarto e de sala e eletrodomésticos vários que podem ser entregues no Pólo de Formação de Figueiró dos Vinhos.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. 

Queda de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

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