Leitão Amaro reconhece destruição "brutal" e assume preocupação pelos "próximos dias" devido às previsões de mau tempo

30 jan, 13:08

Ministro da Presidência alerta para a gravidade da situação no centro do país após a depressão Kristin

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que divulgou um vídeo sobre o seu papel no combate à calamidade que afeta várias zonas do país, deslocou-se à Marinha Grande nesta sexta-feira, onde reconheceu a gravidade da situação na região Centro após a passagem da depressão Kristin e antecipou que o mau tempo que se avizinha uma vez mais é motivo de preocupação.

"O grau de destruição é muito grande e as previsões para os próximos dias são motivadoras de preocupação e cautela", afirmou aos jornalistas, apontando à destruição de casas, fábricas, equipamentos públicos, património natural e infraestruturas essenciais ."A vida humana em primeiro lugar, aquelas que mais lamentamos, mas também muito à vida das pessoas e à vida das empresas", acrescentou.

O governante destacou a dimensão dos prejuízos numa zona que descreveu como “o coração industrial do país” e avisou que os próximos dias continuam a ser de alerta, devido à previsão de chuva, solos saturados e possibilidade de vento forte, apelando à população para seguir rigorosamente as indicações da Proteção Civil.

"O grau de destruição é muito grande e também as previsões para os próximos dias são motivadoras de preocupação e de cautela. É uma situação que se vai prolongar e há alertas que apelamos para que a população siga sobre os comportamentos adequados, a chuva vai continuar, os solos estão saturados, pode voltar o vento nos próximos dias e, portanto, os próximos dias continuam a ser de alerta e da adaptação", antecipou.

Leitão Amaro confirmou que cerca de 60 municípios estão abrangidos pelo estado de calamidade, sobretudo num corredor no centro do país, entre o litoral e a fronteira com Espanha, admitindo que outros poderão vir a ser incluídos, em função da evolução das cheias.

"O que nós fizemos foi declarar imediatamente, e creio que esta manhã ou durante o dia de hoje estará publicado em Diário da República, a lista daqueles municípios nominalmente identificados que estão na chamada Zona de Impacto da Ciclogénese Explosiva. Mais ou menos um corredor no centro do país, entre os concelhos de Mira, Figueira da Foz e Torres Vedras, até à fronteira de Espanha, estreitando um bocadinho mais próximo da fronteira, quase que uma espécie de um cone. Dentro dessa Zona de Impacto, todos os municípios foram colocados na lista da situação de calamidade. Mas, para sossegar autarcas de outros municípios, também ficou previsto na Declaração do Estado de Calamidade que sabemos que há outras regiões e outras terras com impactos fortes e severos, designadamente por causa das cheias", garantiu.

Leitão Amaro revelou que "a dimensão dos prejuízos é brutal" e ainda há "algumas dezenas largas, cerca de 200 mil pessoas ainda com falta de eletricidade", reconhecendo que a reposição total poderá demorar dias, devido à destruição de cabos, antenas e fibras de comunicações. Ainda assim, salientou o esforço em curso para garantir bens essenciais, alojamento temporário e apoio às populações mais afetadas.

"Há muita força e muita disponibilidade e recursos que estão no terreno para ajudar as pessoas e continuaremos assim juntos a ajudar-nos uns aos outros, todos e o país inteiro, mesmo aquele que não está na região Centro. É um esforço que em alguns casos demora dias, porque é preciso recolocar cabos, é preciso retomar ligações", apontou.

O governante agradeceu o trabalho das autarquias, da Proteção Civil, das forças de segurança, das Forças Armadas e das empresas envolvidas na reposição de serviços, sublinhando também a importância da solidariedade europeia. A presença de um comissário europeu no local e os contactos com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foram apontados como um sinal claro de que “a Europa está ao lado de Portugal” num esforço que será “monumental” e prolongado no tempo.

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