Leitão Amaro admite que vídeo polémico "não devia ter acontecido". Agora é preciso dar resposta "rápida" a quem tem "chuva e entrar pelo telhado"

2 fev, 23:32

Ministro da Presidência voltou a afirmar que "não mudava nada" declarar situação de calamidade com maior antecedência e disse que "este não é o momento" de avaliar a postura de ministros

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou esta segunda-feira que a parte da população que continua sem luz e com habitações por reparar merece uma resposta “melhor e mais rápida”.

“Cada pessoa que não tem eletricidade ou que tem chuva a entrar pelo telhado merece sempre uma resposta mais rápida possível e nós temos de lutar mais, fazer mais e melhor para que a resposta chegue mais rápido”, sublinhou o governante numa entrevista exclusiva à CNN Portugal.

Na sequência da tempestade Kristin, que deixou milhares de pessoas sem energia e água, o ministro garantiu que “toda a gente está a fazer o máximo para que as pessoas tenham o seu sofrimento diminuído”. São, de acordo com o governante, 36 mil operacionais que estão no terreno a conduzir trabalhos junto das populações.

“Os 36 mil que estão no terreno, não só temos confiança neles, como lhes agradecemos profundamente. Autarcas, presidentes de juntas, voluntários, sabemos que é um país inteiro, do setor público e privado, a mobilizar-se”, frisou.

A mãos com uma crise que implica o alocamento de meios e reforços para vários concelhos do país, Leitão Amaro reconheceu que a comunicação “deve ser clara e devemos mostrar às pessoas o que estamos a fazer. Devemos ser claros”, sublinhou, escudando-se a comentar o desempenho da ministra da Administração Interna nesse aspeto, como também não comentou a frase do primeiro-ministro, que se referiu às vítimas mortais como pessoas que não conseguiram "evitar" perder a vida.

Questionado sobre a postura da governante face à calamidade que atingiu o país, Leitão Amaro limitou-se a repetir que “este não é o momento da avaliação”, mas sim “da ação e da resposta”.

Com “certezas” de que Maria Lúcia Amaral reúne todas as condições para continuar no cargo, o ministro negou ainda que a chefe da pasta da Administração Interna tenha responsabilidades no que falhou ou na gestão da tragédia.

Em relação ao momento escolhido para declarar situação de calamidade, Leitão Amaro volta a dizer que “não mudava nada” fazê-lo antes, uma vez que este nível de intervenção “não acrescenta nada no terreno”. “Não houve nada que pudesse ser feito que deixasse de ser feito porque o plano não estava em curso”, sublinhou.

Com o valor total de prejuízos provocados pela tempestade ainda por calcular, o ministro apelou aos portugueses para que utilizem “sempre os seguros primeiros” para garantir um “equilíbrio”, frisando que, para todos os efeitos, “o Governo estará ao vosso lado”.

Depois de a ministra do Ambiente admitir que ainda havia geradores disponíveis e que o pedido tinha apenas de ser realizado, num momento em que milhares de pessoas continuavam sem luz nas suas casas, Leitão Amaro reforçou que o problema nunca foi a falta de aparelhos.

“A dificuldade não era o conjunto de geradores que tínhamos em Portugal, era fazer chegar a sua circulação no território”, explica o ministro, acrescentando que nessa medida um reforço da Comissão Europeia não faria uma diferença substantiva.

“O que Portugal podia pedir fora eram esses equipamentos e esses equipamentos existiam em número suficiente”, afirmou, pedindo que não se focasse a “aflição na falta de geradores”.

Enquanto todo o país ainda reúne esforços para mitigar os efeitos da passagem da depressão Kristin em território nacional, o ministro adianta que o Governo vai estar, a partir daqui, a monitorizar de perto a evolução da quota dos rios para dar resposta a outros fenómenos meteorológicos que ameacem a segurança da população, como é o caso das cheias.

“Desde sábado que todo o aparelho da Proteção Civil e o Governo está, não apenas a trabalhar em assistir as pessoas afetadas, relançar a recuperação desta região, mas numa outra frente de trabalho. Desde domingo têm estado no terreno os militares para fazer monitorização presencial, identificar as necessidade de potencial evacuação” das regiões potencialmente afetadas pelas inundações.

Quanto ao vídeo que publicou na sua conta oficial de Instagram, prontamente eliminado depois de gerar polémica, o ministro da Presidência sublinha que no dia a seguir à sua publicação “percebeu a interpretação que estava a gerar” e volta a admitir que “não devia ter acontecido”.

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