opinião
Correspondente nos Estados Unidos da América

A Nação Indispensável!

22 nov, 09:00

No aniversário da CNN Portugal, os correspondentes fazem um balanço do último ano visto de fora. Luís Costa Ribas assistiu à reafirmação dos Estados Unidos como a “nação indispensável”

A Rússia invadiu a Ucrânia esperando um Ocidente fraco e desmobilizado. E, de facto, a Europa titubeou para a linha de partida na resistência ao “anschluss” russo.

Foi o presidente americano Joe Biden, quem obrigou todos a ir a jogo, apoiado pela excelente capacidade de comunicação do seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenskyy. Os Estados Unidos soaram, antes de todos, o alerta sobre as verdadeiras intenções da Rússia e avançaram, resolutamente, com meios materiais e financeiros de apoio à resistência quando perceberam que Zelenskyy não ia fugir e que os ucranianos venderiam caro a sua pele.

Juntaram-se à defesa da Ucrânia alguns países que pretendem lavar a sua imagem: a Polónia é um país iliberal, que, há anos, sufoca a democracia, mas fez-se útil ao ocidente e à NATO esperando o perdão dos seus pecados políticos. A Hungria e a Turquia fazem jogo duplo. Mas, na generalidade, o Ocidente vai mantendo o apoio essencial à Ucrânia, devido à liderança americana. Isso não teria acontecido numa presidência Trump, fascinado com ditadores e aprendiz dos maus hábitos destes. 

Para o reforço dos Estados Unidos como “nação indispensável” –  na notável expressão da saudosa Madeleine Albright –  contribuiu o resultado das recentes eleições legislativas americanas, que negaram ao partido republicano, e a Donald Trump, um mandato para se comportarem como uma arma de destruição maciça política.

Não é de esperar um partido de oposição responsável. Mas, com o Senado a manter-se democrata, e uma maioria de, apenas, cinco votos na Câmara dos Representantes, os estragos políticos serão menores. 

Os republicanos trumpistas que dominam a representação do partido no Congresso, já anunciaram, ao invés e medidas legislativas para combater a inflação ou o preço da energia, uma série de investigações: família de Biden, FBI; responsáveis pela Imigração, etc. E vão tentar paralisar o governo e responsabilizar Biden. Mas, acredite-se, podia ser pior. Aquela magra maioria pode sofrer deserções, do género Limiano, e manter o caos relativamente sob controle.

A luta pela normalidade democrática não terminou, mas estes últimos 12 meses deram aos EUA a possibilidade de reforçarem a democracia interna e tentarem mais uma vitória sobre o trumpismo, em 2024.

P.S. – Não posso deixar de recomendar o visionamento do documentário da Netflix sobre a FIFA. Mais uma vez, a “nação indispensável” foi capaz, como nenhuma outra, de atacar consequentemente a corrupção no futebol internacional. A indignidade desprezível da FIFA face ao Qatar é compensada, ainda que em parte pequena, pelo que este documentário esclarece sobre aquele habitat imundo.

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