opinião
Correspondente nos Estados Unidos da América

Por este rio acima... ou por água abaixo?

3 jan, 08:03

Assinala-se, nesta semana, o primeiro aniversário da tentativa de golpe que visava inviabilizar a investidura de Joe Biden, vencedor das eleições presidenciais de 2020 e manter Donald Trump, ilegalmente, na Casa Branca. Foi um dia grave na história dos Estados Unidos. A ameaça, à democracia, que ele representa, mantém-se

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Um ano depois da insurreição de 6 de Janeiro, nenhum dos grandes responsáveis pela tentativa de golpe foi responsabilizado. As autoridades judiciais apresentaram queixas contra mais de 700 participantes na insurreição, mas estes são, no dizer popular, peixe miúdo.

Nenhuma entidade judicial intentou acção contra os principais promotores dos eventos de 6 de Janeiro, nem indicou tencionar fazê-lo, causando inquietação entre constitucionalistas.

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Uma comissão da Câmara dos Representantes trabalha, laboriosamente, para tentar calendarizar os eventos antecedentes e daquele fatídico dia. Fá-lo sem a colaboração ou apoio do Partido Republicano que, tendo-se transformado num partido trumpiano, tenta normalizar o 6 de Janeiro e afastar Trump das consequências da insurreição.

Um dos seus membros invocou um “dia normal de turismo” para se referir aos acontecimentos do dia. O líder republicano na Câmara, Kevin McCarthy, depois de afirmar que Trump tinha responsabilidade no sucedido, mudou de ideias e disse, mentindo, que o FBI o ilibara. O líder republicano do Senado, inviabilizou uma comissão especial conjunta das duas câmaras do Congresso.

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Vários apoiantes de Trump recusaram-se a depor perante a comissão e planeiam agrilhoar os seus trabalhos com processos judiciais para impedirem que a mesma chegue a quaisquer conclusões. A comissão pediu aos arquivos nacionais documentos da Casa Branca relacionados com os eventos daquele dia e Donald Trump processou-a em tribunal, tentando impedir a divulgação dos mesmos, convidando o escárnio dos juristas. Tendo perdido op caso na primeira instância e na relação, Trump recorreu ao Supremo, que ainda não se pronunciou.

A comissão, que tem trabalhado de forma recatada, dará início, em breve, a audições públicas e à revelação das conclusões a que já foi possível chegar. Há muita informação, mas não sobre o que Trump disse e fez naquele dia, embora se saiba o que não fez – impedir a insurreição. Planeava, sim, proteger os insurrectos.

Mas os republicanos não se contentam com a criação de obstáculos ao inquérito, considerando os acontecimentos de 6 de Janeiro, quando não os cpnsideram “turismo”, como o resultado esperado da fraude eleitoral.

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Essa fraude não existiu, excepto nas fantasias de Donald Trump. E o partido, sendo prisioneiro dele, decidiu passar a promover a ideia de que Joe Biden perdeu as eleições e, sendo sendo do partido na oposição, conseguiu aldrabá-las e sentar-se na Casa Branca.

Donald Trump perdeu 61 casos em tribunal em que alegava fraude eleitoral. Fiéis à sua recentemente abraçada natureza anti-democrática os republicanos decidiram ir mais longe: empreenderam iniciativas legislativas para alterar as leis eleitorais e permitir que o candidato com menos votos seja o vencedor das eleições.

Com 2022 a dar os seus primeiros passos, os Estados Unidos estão profundamente divididos. Os republicanos, apoiantes de Trump, assumem-se contra a democracia. Chegam a argumentar que a Constituição fala de “uma república” e não de “uma democracia”, denunciando o medo de votos e eleições (e ignorando o óbvio) e preparam-se para aprovar, no estados que controlam, mais leis dificultando o voto, ou dando aos legisladores estaduais a possibilidade legal de adulterarem o resultado das eleições.

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Os defensores da democracia vão tentar impedir que essas leis prevaleçam e reforçar os direitos dos eleitores. Mas ainda não sabemos quem vai vencer este braço de ferro: se vamos por este rio acima... ou por água abaixo.

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