2.736 jovens com menos de 16 anos cometeram crimes contra pessoas (1.458), património (835), integridade pessoal (5), vida em sociedade (176), Estado (22), animais de companhia (4)

27 nov 2024, 18:02

Num dia marcado por uma operação policial que identificou autores de distúrbios na Grande Lisboa, e num dia em que o primeiro-ministro falou ao país sobre segurança interna, analisamos as estatísticas da delinquência juvenil - fenómeno que preocupa primeiro-ministro, segundo o próprio

O primeiro-ministro garante que “temos razões para dizer alto e bom som que Portugal é um país seguro”, mas admite alguma preocupação com o aumento de alguns fenómenos criminais, como a delinquência juvenil ou a criminalidade grupal (aliás, marcou para esta quarta-feira uma declaração ao país sobre esse tema). O facto de alguns dos suspeitos do ataque com fogo a motorista de autocarro da Carris em Santo António dos Cavaleiros, Loures, e que foram hoje identificados, terem antecedentes de criminalidade juvenil e possivelmente atuado em grupo, além de serem jovens, traz o tema novamente à tona.

A delinquência juvenil é usada para descrever a prática de crime por parte de pessoas com idade entre os 12 e os 16 anos, crime que se rege pela Lei Tutelar Educativa (Lei n.º 166/99, de 14 de setembro, alterada pela Lei n.º 4/2015, de 15 de janeiro). Os últimos dados das Estatísticas da Justiça, referentes ao ano de 2023 e produzidos pela Direção-Geral da Política de Justiça do Ministério da Justiça, mostram que foram identificados 2.736 jovens com menos de 16 anos pelos crimes contra as pessoas (1.458), contra o património (835), contra identidade cultural e integridade pessoal (cinco), contra a vida em sociedade (176), contra o Estado (22), contra animais de companhia (quatro) e por outros crimes de legislação avulsa (263). 

Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), houve um aumento de 8,7% no número de ocorrências de casos de delinquência juvenil em 2023, no total de 1.833, sendo o valor mais alto desde 2016, ano em que foram registadas 1.636 ocorrências.

No que diz respeito ao crime cometido em grupo, o RASI revela um aumento de 14,6% nas ocorrências registadas em 2023, o valor mais alto nos últimos oito anos. Em 2015 foram feitas 2.117 ocorrências e em 2023 foram 1.833. Ainda no que respeita à criminalidade grupal foram efetuadas 2.048 detenções (mais 13,1% do que em 2022). Foi nas unidades de Lisboa (32%) e do Porto (19%) que foram investigados mais crimes de origem grupal.

A criminalidade grupal acontece quando o crime é cometido por três ou mais suspeitos, sendo mais propícia nas nas áreas metropolitanas, em especial nas Zonas Urbanas Sensíveis (ZUS), onde se dá a “formação espontânea de grupos de jovens com uma idade média de 23 anos”, como se lê no relatório.

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