A dirigente explicou que na Venezuela estão “dispostos ao entendimento, ao diálogo, mas não a outra agressão"
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou o início de uma reestruturação estratégica da segurança nacional, estabelecendo um prazo de 100 dias para a elaboração e apresentação de um novo “Plano de Defesa da Nação”.
O anúncio foi feito na quarta-feira durante um evento em que Delcy Rodríguez foi reconhecida como comandante-chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), três semanas após a operação militar norte-americana de 03 de janeiro de 2026 em que o Presidente Nicolás Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, foram capturados e levados para os EUA.
“Tiveram de procurar uma potência nuclear para tentar subjugar a soberania do povo venezuelano. O extremismo não conseguiu, não conseguiu e não conseguirá. Está nas nossas mãos e peço-vos (…) e a todas as entidades envolvidas, máxima cooperação, máximo desempenho para que, num prazo de 100 dias, tenhamos as diretrizes muito claras do novo sistema defensivo para a Venezuela, em perfeita união civil, militar e policial”, disse.
Delcy Rodríguez recordou o Simón Bolívar (político e militar venezuelano que liderou a independência da Venezuela, Bolívia, Colômbia, Peru, Equador e Panamá do império espanhol) e pediu que esse mesmo espírito de luta se apodere dos venezuelanos apara abrir os novos caminhos necessários para defender a pátria.
“Devemos aprender com os infortúnios. Devemos compreender. E é por isso que decidi criar um gabinete nacional para a defesa e a segurança cibernética da Venezuela, que estará vinculado ao Conselho de Vice-Presidentes. À frente deste gabinete nacional estará uma cientista, a professora Gabriela Jiménez, ministra da Ciência e Tecnologia (…) Peço aos cientistas, aos especialistas em tecnologia da Venezuela, juntamente com o Conselho Científico Militar, que estas grandes capacidades no âmbito da defesa da ciência e da tecnologia se unam para defender o nosso espaço cibernético”, disse.
Delcy Rodríguez deixou ainda “uma mensagem muito clara para o extremismo na Venezuela e as suas conexões internacionais": "Através do programa de coexistência democrática e paz, abrimos um espaço para o diálogo político, que venham todos os que realmente amam a Venezuela”.
“Mas aqueles que pretendem perpetuar os danos e a agressão contra o povo da Venezuela que fiquem em Washington, porque aqui não vão entrar para prejudicar a paz e a tranquilidade da República. Haverá lei e haverá justiça”, disse.
A dirigente explicou que na Venezuela estão “dispostos ao entendimento, ao diálogo, mas não a outra agressão".
“Aqui será aplicada a lei, no respeito pela Constituição”, disse a presidente interina.
Rodríguez voltou a pedir a liberdade do Presidente do país, Nicolás Maduros, e da sua mulher.
Cabello declara lealdade absoluta das forças de segurança a Delcy Rodríguez
O ministro do Interior e da Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, declarou “lealdade absoluta" das forças de segurança à presidente interina, Delcy Rodríguez, num evento onde a reconheceu como comandante-chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).
Cabello realçou na quarta-feira que as forças policiais estão a responder com união à "escuridão que aqueles que violaram” a soberania venezuelana estão “a tentar impor".
O ministro falava três semanas após a operação militar norte-americana em que o Presidente Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, foram capturados.
“A nossa lealdade à Constituição nacional e à sua presidente em exercício é absoluta, porque entendemos que defender o seu Governo é defender a continuidade do Governo e a integridade do povo venezuelano”, realçou Cabello na cerimónia transmitida pelo canal estatal VTV.
No discurso, proferido em nome de todas as forças policiais e de inteligência, o segundo em comando do chavismo afirmou o reconhecimento de Rodríguez como comandante-chefe das Forças Armadas e também das forças policiais.
“Sob o seu comando, garantiremos com eficiência a ordem interna e a proteção do povo”, acrescentou.
O também secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), formação política no poder, sublinhou ainda que não permitirá que “nenhuma circunstância ou ameaça” seja explorada para “semear o caos” no país.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, referiu na quarta-feira ao Congresso que a Administração Trump não está a preparar, nem pretende realizar, um novo ataque em território venezuelano, mas não descartou o uso da força para obrigar o governo interino da Venezuela a cooperar.
Rodriguez assumiu as funções do poder executivo em 05 de janeiro, quando foi empossada pelo irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional (parlamento), em cumprimento de uma ordem do Supremo Tribunal de Justiça.
A presidente interina indicou que o país está a iniciar uma nova fase política e anunciou um processo exploratório para retomar as relações com os Estados Unidos, que inclui a venda de crude venezuelano.
Trump, por sua vez, exigiu o acesso irrestrito ao petróleo venezuelano e afirmou recentemente que o governo interino de Rodríguez demonstrou uma liderança muito forte.
Em 03 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Delcy Rodriguez, então vice-presidente, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.
Nicolás Maduro e Cília Flores prestaram breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.