Durou menos de um mês: a nova presidente da Venezuela está "farta" das ordens dos EUA

CNN , Laura Sharman
26 jan, 12:21
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, observa durante a entrega do relatório do primeiro ano de governo no Palácio Federal Legislativo em 15 de janeiro, em Caracas, Venezuela (Jesus Vargas/Getty Images via CNN Newsource)

Há uma série de exigências que a Casa Branca quer forçar Caracas a aceitar, mas a liderança venezuelana parece disposta a traçar limites

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse este domingo que já está “farta” das ordens de Washington, enquanto trabalha para unir o país após a captura pelos EUA do seu antigo líder Nicolás Maduro.

Rodríguez tem andado numa corda bamba desde que foi apoiada pelos EUA para liderar o país interinamente; equilibrando manter os leais a Maduro a bordo em casa enquanto tenta garantir a satisfação da Casa Branca.

Agora, quase um mês depois de assumir o seu novo cargo, Rodríguez voltou a insurgir-se contra os EUA, no meio de uma pressão constante que inclui uma série de exigências para que a Venezuela retome a produção de petróleo.

“Já chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela”, disse a um grupo de trabalhadores do setor do petróleo na cidade de Puerto La Cruz, num evento transmitido pelo canal estatal Venezolana de Televisión.

"Deixem que a política venezuelana resolva as nossas diferenças e os nossos conflitos internos. Esta república pagou um preço muito alto por ter de enfrentar as consequências do fascismo e do extremismo no nosso país", acrescentou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala à imprensa após as acções militares dos EUA na Venezuela, na sua residência de Mar-a-Lago, em Palm Beach, Florida, a 3 de janeiro de 2026 (Jim Watson/AFP/Getty Images via CNN Newsource)
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala à imprensa após as acções militares dos EUA na Venezuela, na sua residência de Mar-a-Lago, em Palm Beach, Florida, a 3 de janeiro de 2026 (Jim Watson/AFP/Getty Images via CNN Newsource)

A Casa Branca tem mantido uma pressão constante sobre a Venezuela desde que Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, foram detidos numa rusga no início de janeiro e levados para os EUA, onde o antigo líder enfrenta acusações.

Rodríguez, antiga adjunta de Maduro, insistiu nas últimas semanas que os EUA não governam a Venezuela, mas também não procurou um confronto com Washington.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seria o país a “governar” a Venezuela imediatamente após a captura de Maduro, mas mais tarde apoiou Rodríguez como líder interina.

A CNN contactou a Casa Branca para comentar a última declaração de Rodríguez.

Em busca de estabilidade

Nos últimos 25 anos, a Venezuela socialista, rica em petróleo, tem estado em constante confronto com os EUA. Mas depois de depor Maduro, Washington está agora a tentar assegurar uma fonte estável de autoridade em Caracas.

Internamente, o país continua dividido entre os leais a Maduro, a oposição de esquerda e os “chavistas não-maduristas” - apoiantes do falecido Hugo Chávez que rejeitam Maduro, acusando-o de trair os ideais socialistas do século XXI.

Dias depois dos ataques dos EUA a Caracas, no início de janeiro, a administração Trump delineou uma série de exigências que a Venezuela deve aceitar, incluindo o corte de relações com a China, o Irão, a Rússia e Cuba, e concordar em estabelecer uma parceria exclusiva com os EUA na produção de petróleo, disseram na altura dois altos responsáveis da Casa Branca à CNN.

Incêndio no Forte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após uma série de explosões em Caracas, a 3 de janeiro de 2026 (Luis Jaimes/AFP/Getty Images via CNN Newsource)
Incêndio no Forte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após uma série de explosões em Caracas, a 3 de janeiro de 2026 (Luis Jaimes/AFP/Getty Images via CNN Newsource)

Esperava-se também que Rodríguez desse prioridade à administração Trump e às empresas petrolíferas americanas para futuras vendas de petróleo.

O principal motor económico da Venezuela é o petróleo. O país possui as maiores reservas mundiais de crude extra-pesado, uma variedade que requer um processo de refinação mais complexo e dispendioso, mas que também é compatível com as refinarias dos EUA.

Ivonne Valdes Garay, Isabelle D'Antonio, Rocio Muñoz-Ledo e Mauricio Torres, da CNN, contribuíram para esta reportagem

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