Portugal com défice de quase dois mil milhões após "perda" de seis mil milhões de euros num ano

Agência Lusa , AG
31 mai, 16:30
Dinheiro (Freepik)

É o segundo mês consecutivo em que Portugal regista défice

O Estado registou um défice de 1.939,2 milhões de euros até abril, valor que traduz uma diminuição de 6.027,3 milhões de euros face ao mesmo período de 2023, segundo a síntese de execução orçamental, hoje divulgada.

“As Administrações Públicas (AP) registaram, até abril de 2024, um défice de 1.939,2 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 6.027,3 milhões de euros face ao período homólogo", refere a informação divulgada pela Direção-Geral do Orçamento (DGO).

Nos primeiros quatro meses de 2023, o Estado registou um excedente de 4.088,1 milhões de euros.

Esta evolução do saldo até abril, indica o documento, resulta do efeito conjugado da receita, que cresceu 4,5% em termos homólogos, e da despesa, que avançou 14,7%.

A DGO refere, contudo, que a variação do saldo está influenciada pela transferência, em 2023, da totalidade das responsabilidades asseguradas através do Fundo de Pensões do Pessoal da Caixa Geral de Depósitos (FPCGD) para a Caixa Geral de Aposentações (CGA), no valor de 3.018,3 milhões de euros.

"Esta operação não teve impacto no saldo em contas nacionais, assumindo uma natureza financeira", refere o documento, pelo que ajustado deste efeito do FPCGD, o saldo orçamental das AP registou uma redução de 3.009 milhões de euros, face ao evidenciado no mesmo período do ano anterior.

A informação divulgada mostra que a despesa primária (excluindo os encargos com os juros da dívida pública) aumentou 15,1% em termos homólogos (ou 13,6% se excluídos os impacto das medidas extraordinárias) impulsionada pela evolução da despesa de transferências (16,7%) e com a aquisição de bens e serviços ((10,3%), bem como pelos gastos com pessoal (8,6%).

"O crescimento das despesas com pessoal é justificado pelos efeitos transversais comuns aos trabalhadores em funções públicas, e que se referem às medidas de valorização remuneratória, em vigor desde janeiro de 2024, às medidas de valorização intercalares ocorridas no ano anterior e, em menor grau, ao efeito do acelerador nas carreiras da Administração Pública", detalha o documento.

Por seu lado, a despesa com juros e encargos líquidos da dívida direta do Estado cresceu 7,4%, traduzindo essencialmente um acréscimo dos juros relativos aos Certificados de Aforro e do Tesouro, na sequência da subida das taxas de juro de referência, registada a partir do segundo semestre de 2022 e que impulsionou as aplicações neste tipo de poupança.

"Em menor grau, relevam ainda os juros de Bilhetes do Tesouro, em resultado da evolução desfavorável das condições de mercado", refere a DGO, para salientar que estes impactos (Certificados de Aforro e BT) foram atenuados pela redução dos juros associados às Obrigações do Tesouro.

Até abril, a despesa de investimento registou uma subida de 9,3% - excluindo os encargos com as parcerias público-privadas (PPP) e as medidas extraordinárias, com a DGO a assinalar que esta variação está ainda influenciada pelos investimentos militares, realizados no Programa Defesa e por um efeito que afeta a comparabilidade [estimativa de execução das freguesias], pelo que, retirando estes dois efeitos, a subida homóloga é de 6,2%.

O saldo das administrações públicas divulgado mensalmente pela DGO é em contabilidade pública, ou seja, funciona numa ótica de caixa (entradas e saídas de dinheiro), que difere da contabilidade nacional (ótica de compromisso), a que releva para as regras europeias.

Abril é o segundo mês consecutivo a registar um défice das contas públicas.

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