Maior investimento de sempre de Portugal chegou para os 2%, mas deixa-nos na cauda com a companhia de outros quatro países
Portugal gastou mais de seis mil milhões de euros em Defesa no ano de 2025, cumprindo à risca o objetivo mínimo definido pela NATO há vários anos, mas que muitos dos Estados-membros não cumpriam.
Com as várias ameaças do presidente dos Estados Unidos, o secretário-geral da Aliança Atlântica aumento a pressão sobre os aliados para que cumprissem o mínimo de 2% de investimento em Defesa.
E foi precisamente esse valor que Portugal, tal como Albânia, Bélgica, Canadá e Espanha, atingiu, sendo esses os países que menos investiram em percentagem do PIB.
De acordo com o relatório anual da NATO, isso significa que Portugal gastou 6.118 milhões de euros, naquele que é o maior investimento de sempre em Defesa. Por outro lado, o secretário-geral da Aliança Atlântica apressou-se a avisar que são os 5% a nova meta, o que significa mais do dobro do investido em 2025.
Em todo o caso, Mark Rutte ficou contente por todos atingirem o mínimo dos mínimos, os tais 2%, parabenizando ainda aqueles que conseguiram alcançar os 3,5%, que só Letónia, Lituânia e Polónia conseguiram.
De resto, os países mais próximos da Rússia são mesmo os que mais investem, o que já se verificava antes. À frente de todos está a Polónia, com um gasto de 4,30% do PIB, o que representa mais de 160 mil milhões de euros.
Quem não chegou aos 3,5% foram os Estados Unidos, que se ficaram pelos 3,19%, curiosamente menos que os 3,30% de 2024, mesmo perante a chegada de Donald Trump, que tão crítico tem sido da NATO.
Curiosamente, só dois países gastaram menos em 2025 do que em 2024. Além dos Estados Unidos, também Hungria e Chéquia viram um decréscimo no investimento, sendo que Portugal aumentou em mais de 30%.
Ainda assim, e também sem surpresas, os Estados Unidos continuam a ser o país que mais investe em valores absolutos, com gastos de quase um bilião de euros em Defesa em 2025
Maioria dos gastos é em pessoal
De acordo com o relatório, a despesa estimada de Portugal em 2025 em Defesa será de pouco mais de seis mil milhões de euros, contra 4,4 mil milhões em 2024.
A maior fatia dos gastos nacionais em Defesa destinam-se ao pessoal militar (45,2%), uma taxa, ainda assim, significativamente inferior do que em 2015, quando representavam cerca de 81,90%.
A Aliança refere que Portugal tem atualmente cerca de 21.500 militares ativos.
Além dos gastos em pessoal, 31,4% das despesas de Portugal destinam-se a operações e manutenção, 21,2% a equipamento e 2,2% a infraestruturas.
Em 19 de dezembro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que o investimento em Defesa atual e nos anos seguintes “não tem paralelo em Portugal” e considerou-o “um pressuposto” para manter quer os valores da paz, quer para continuar o desenvolvimento económico e social.
“O esforço que estamos a fazer neste momento e que vamos fazer nos próximos anos não tem paralelo na nossa história”, afirmou durante uma visita à primeira Força Nacional Destacada na Eslováquia, destacando o investimento quer nas carreiras dos militares, quer nos equipamentos.
Montenegro justificou que esse investimento está ser feito em nome da autonomia e soberania nacionais e pelas garantias dadas aos aliados em organizações internacionais, como a NATO, salientando que a Europa enfrenta hoje uma realidade “que estava talvez um pouco adormecida, que é a realidade do perigo”.
A meta dos 2% do PIB tinha sido acordada pelos chefes de Estado e de Governo da NATO numa cimeira no País de Gales, em 2014, com o objetivo de ser atingida até 2024.
Entretanto, na última cimeira da Aliança, em Haia, em junho de 2025, os 32 membros da Aliança Atlântica comprometeram-se com uma nova meta: aumentar os gastos em Defesa para 5% do PIB até 2035.