Polónia está a construir o primeiro escudo antidrone da União Europeia

CNN Portugal , MCN
10 mar, 13:01
Donald Tusk (AP)

 

 

Varsóvia anunciou a criação do San, um sistema de defesa antidrones que pretende tornar-se o mais avançado da Europa, após sucessivas incursões de drones russos no seu espaço aéreo. Avaliado em cerca de 3,5 mil milhões de euros e financiado em parte por empréstimos da União Europeia, o projeto deverá integrar radares, capacidades de guerra eletrónica, drones intercetores e armamento móvel

A Polónia está a construir o primeiro escudo antidrone da União Europeia, uma decisão que surge depois de, em setembro passado, cerca de 20 drones russos terem entrado no espaço aéreo polaco.

A necessidade de desenvolver tecnologia europeia para combater este tipo de ameaça aumentou também após drones iranianos Shahed terem atingido uma base britânica em Chipre, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

O sistema San está a ser desenvolvido por um consórcio polaco-norueguês, tem um custo estimado de 3,5 mil milhões de euros e deverá ser financiado através do programa europeu Safe, destinado a reforçar a produção de armamento na Europa.

"Setembro foi uma grande lição para a Polónia, porque tivemos de usar o que tínhamos, ou seja, aviões de caça com mísseis que custam um milhão de dólares cada, para abater drones que custam talvez 1.000 dólares. Isto mostrou que precisamos preencher rapidamente uma grande lacuna nas nossas defesas aéreas", argumentou o general polaco na reforma Jarosław Gromadziński, citado pelo Financial Times.

O projeto prevê a criação de 18 baterias móveis antidrone, cada uma equipada com sensores e sistemas de neutralização ligados a um centro de comando central. Radares e canhões montados em centenas de veículos irão patrulhar a fronteira polaca e estarão ligados aos sistemas de defesa nacionais e dos aliados.

Citado pelo Financial Times, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, reiterou que será “o sistema de defesa antidrones mais moderno, inteligente e integrado da Europa”.

O sistema vai combinar capacidades de guerra eletrónica, como interferência de sinais e perturbação de sistemas de navegação, com meios de destruição física. Entre as opções previstas estão drones intercetores, canhões de 30 mm e mísseis guiados capazes de atingir helicópteros a baixa altitude e aeronaves não tripuladas.

O San está a ser desenvolvido pelo grupo estatal de defesa polaco PGZ, pela empresa norueguesa de defesa Kongsberg e pelo fabricante polaco de radares Advanced Protection Systems (APS).

O governo polaco atribuiu os contratos do San sem concurso público e afirmou que as primeiras baterias deverão ser entregues às forças armadas polacas antes do final deste ano, estando previsto que o sistema completo fique operacional dentro de 24 meses.

No entanto, o projeto encontrou alguns obstáculos políticos, uma vez que o partido da oposição polaca opõe-se ao facto de Varsóvia recorrer a empréstimos da União Europeia, alegando que isso daria a Bruxelas influência nas decisões soberanas de aquisição de equipamento militar da Polónia.

O líder da oposição polaca deverá reunir-se com o primeiro-ministro esta terça-feira, depois de ter avisado que poderá vetar o financiamento do projeto Safe. No entanto, Donald Tusk respondeu que o seu governo poderá procurar financiamento alternativo caso haja veto presidencial, o que considerou injustificado.

Europa

Mais Europa