A Deco Proteste deu este exemplo no estudo “Banca Mais Longe e Mais Cara”, onde conclui que os cinco principais bancos portugueses (BPI, Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Novo Banco e Santander), que representam mais de 80% do mercado nacional, têm cada vez menos agências e trabalhadores, mas não reduziram os custos de algumas operações
Se está a pensar mudar-se para Barrancos e é cliente do Millennium BCP saiba que os habitantes desta vila alentejana do distrito de Beja têm de percorrer 70 quilómetros – 140 ida e volta – até à agência mais próxima, em Reguengos de Monsaraz, já no distrito de Évora.
A Deco Proteste deu este exemplo no estudo “Banca Mais Longe e Mais Cara”, a que a CNN Portugal teve acesso, onde conclui que os cinco principais bancos portugueses (BPI, Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Novo Banco e Santander), que representam mais de 80% do mercado nacional, têm cada vez menos agências e trabalhadores, mas não reduziram os custos de algumas operações.
Mas o caso de Barrancos não é único. A associação menciona também o caso de Ponte de Sor. Um cliente do Millennium BCP que viva nesta localidade tem a agência mais próxima em Abrantes, a cerca de 36 quilómetros e já no vizinho distrito de Santarém. No entanto, para assinar documentos importantes, diz a Deco Proteste, os ponte-sorenses têm de deslocar-se até à capital de distrito, Portalegre, sendo obrigados a fazer mais de 120 quilómetros nos dois sentidos.
A disparidade na concentração das sucursais bancárias é bem vincada entre os grandes centros e o interior do país. O Millennium BCP, por exemplo, concentra 41% das suas agências nos distritos de Lisboa e Porto, enquanto a Caixa junta 30% nestes dois distritos.
A Deco Proteste dá outros números impressionantes. O banco público tem 89 agências no distrito de Lisboa, mais uma do que o total de sucursais nos distritos de Beja, Bragança, Castelo Branco, Évora, Guarda e Portalegre juntos.
O Millennium BCP, por seu turno, tem 149 agências no distrito de Lisboa, o mesmo número de sucursais que tem em dez distritos e duas regiões autónomas em conjunto.
Os dados relativos às caixas Multibanco também preocupam. Entre 2014 e 2024, o número de caixas no país caiu de 15.800 para 13.700, e quatro em cada dez freguesias do país não têm qualquer caixa.